16 setembro, 2009

Sorria! Você viu um Saci!

Pertinho da Festa do Saci em São Luís do Paraitinga, evento realizado pela SOSACI da qual tenho a honra de fazer parte, recebo essa notícia sicizística e não poderia deixar de "roubar" e colocar aqui. Lógico que com os créditos. Espero que o autor entenda que isso não é roubo e sim, mais um jeito de divulgar o trabalho e esse símbolo da nossa cultura popular. E hoje será dia de 2 posts! Porque ontem eu me senti especialmente feliz por uma pessoinha muito querida! Aí vai!

SACI ROMPE BARREIRA E COMEÇA A APARECER NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO.
Haroldo Ceravolo Sereza
Do UOL Notícias
Em São Paulo

De um ano para cá, mais ou menos, a criatura mítica do folclore brasileiro passou a fazer aparições na cidade de São Paulo.



Como escreve o autor da travessura, o grafiteiro Thiago Vaz, "É o Saci Urbano!".

"Isso é muito político, porque o Saci vem representar, no meio urbano, o pobre sofredor brasileiro", diz Vaz. O grafiteiro explica que gosta de fazer suas intervenções onde sabe que o personagem pode desaparecer: como a arte de rua, o Saci Urbano é efêmero.
O Saci Urbano, assim, não é apenas uma brincadeira. Em muitos deles, há uma crítica política, que pode ser expressa ou refinada. Durante uma batida policial, por exemplo, vem o aviso: "Quem for negro levanta a mão!" O saci, em vez de levantar uma, como se fosse uma chamada numa sala de aula, levanta as duas, como quem leva uma geral.
Por vezes, essa crítica é menos explícita, mas não necessariamente menos contundente. Na parede de um supermercado, ele conduz um carrinho de compras. Dentro do carrinho, um peixe, como se fosse um aquário: "É o Saci consumista".
Na beira de um rio poluído, o Tamanduateí, o Saci tentava pescar; sintomaticamente, ele já foi apagado da pilastra que sustenta do corredor de ônibus do Expresso Tiradentes. Perto da estação de trem, ele usa uma máscara cirúrgica, escondendo a cara e, ao mesmo tempo, protegendo-se da gripe suína.
Por outro lado, o Saci comemorou a construção de uma ciclovia. Afinal, segundo Vaz, o Saci, acredite, é um cara de bom senso: se uma coisa boa aparece, o negócio é aproveitar.
Como se vê, há um processo de adaptação do Saci para o meio urbano. Porque uma coisa é proteger as matas, outra, com explica o lugar comum, a selva de pedra.
Os Sacis Urbanos começaram a aparecer na região do ABC paulista, em cidades como Mauá, Santo André e São Bernardo. Mas já chegaram ao centro da capital do Estado, como é o caso do grafite que mostra a batida policial, próximo à esquina da rua da Consolação com a avenida São Luís.
Thiago diz costuma pedir autorização para fazer seus grafites, com algumas exceções - algumas delas acabaram sendo bem aceitas e incorporadas pelos proprietários da parede, como é o Saci Consumista.
Em alguns casos, o Saci pode ser um pedido do dono do pedaço. Em Santo André, onde fez um grande painel de um Saci que está na fronteira entre a mata e a cidade, houve uma encomenda. A dona da casa, a artesã Bárbara Castelo Xavier, que faz enfeites para casamentos e batizados, viu o Saci pela cidade, procurou por seu autor e acabou por encontrar Thiago Vaz.
Vaz não quis cobrar. Não sabe ainda se personagem pode fazer comercial. Pediu só que a dona pagasse o gasto com os materiais. Ganhou também um almoço, para depois do encerramento dos trabalhos.
Mas como saber se o Saci que você viu por aí é urbano ou apenas um velho exemplar do mundo rural perdido na cidade, mas ainda não adaptado?
Primeiro, veja o que ele está fazendo: o Saci Urbano, por exemplo, curte andar de skate (embora de vez em quando acabe esborrachado) - e seu estilingue mira contra ratazanas, não contra bucólicos passarinhos.
Outra dica é prestar atenção para a roupa: o Saci Urbano usa uma boina, não um gorro; sua bermuda é jeans e, finalmente, ele usa um tênis bem maneiro - não se sabe se ele gosta do adjetivo maneiro.
Só uma coisa ficou igualzinha nesta transição: o cachimbo. O Saci Urbano continua um fumante inveterado. Como o Saci, tanto o urbano quanto o rural, anda bem comportado ultimamente, é possível que ele cumpra a lei antifumo.
Mas, se não der, ele sempre pode usar um velho truque: desaparecer.

Espero vocês na festa do Saci em São Luís do Paraitinga onde tocarei com meu conjunto de choro dia 01/11. Mais informações em www.sosaci.org

Um comentário:

Jaqueline Pedroso disse...

Bis meu querido!
Vc falou que eu nunca comento, pois aqui estou!
cara adorei essa matéria do grafiteiro!
E p/ vc ver como são as coisas... vou fazer uma reportagem falando de arte urbana...e vc postou um ótimo material para a minha pesquisa!
Te adoro
Meu caricada preferido...depois do...rsrrs
vc é meu carica preferido!