23 agosto, 2009

O violão de Meira


Professor de violão dos pupilos magistrais como Baden Powell e Raphael
Rabello, o atemporal Jaime Florence, o Meira, pernambucano de Paudalho, completaria 100 anos de idade em primeiro de outubro deste ano. Chegando ao Rio de Janeiro, então capital federal, em 1928, como integrante do conjunto A Voz do Sertão, organizado por Luperce Miranda, tocou, na década seguinte, no famoso regional de Benedito Lacerda, com Horondino Silva, o Dino 7 Cordas, formando ainda com este, por muitos anos, um respeitado e muito procurado duo de acompanhantes, que participaria
de um sem-número de gravações. Como compositor, teve alguns sucessos: em 1943, com Dino e o letrista Augusto Mesquita, o samba-canção "Aperto de Mão", gostoso de ouvir, por exemplo, na voz do mineiro Luiz Cláudio e lançado pela personalíssima Isaurinha Garcia; do mesmo trio de autores, em 1947, a valsa "Quando a Saudade Apertar", em parceria com Leonel Azevedo, gravada por Orlando Silva; também em 1947; outro samba-canção, "Prêmio de Consolação", com Augusto Mesquita, ainda na voz de Isaurinha Garcia. Num raro elepê de apanhado de registros da Copacabana, "Molambo e Outras Coisas...com Músicas de Augusto Mesquita e Seus Parceiros", pode-se ouvir "Copo D`água", de 1957, na boa interpretação de Carminha Mascarenhas, além, naturalmente, de "Molambo", "pièce de résistence" de seu estro encordoado, que também recebeu versos de Augusto Mesquita. O maior sucesso da carreira de um paraibano nascido em Serraria, de "vozeirão noturno", Roberto Luna, que, residindo no Rio nos anos 50, pôde lançar esse samba-canção, com arranjo do maestro Luiz Arruda Paes, num dez-polegadas da Odeon, de 1956, intitulado "Uma Voz para Milhões".
No sábado passado, dia 22/09, aconteceu uma justa homenagem a esse músico admirado por outros violonistas de referência, e igualmente atemporais Garoto e Dilermando Reis, que foi feita pela rapaziada competentíssima da Camerata Brasilis. O concerto aconteceu na Sala Baden Powell.
Uma simples e importantíssima homenagem a esse grandioso violonista que mostrou com seu talento e sua genialidade que o acompanhamento não é uma coisa menor. Infelizmente hoje em dia, muitos violonistas não sabem disso. Todo mundo quer solar e fazer um monte de coisa. É bom tb, mas o acompanhamento é uma arte que não é pra quem quer...
Até a próxima

Na foto, o famoso “Regional do Canhoto”. Em pé: Luiz Bittencourt, Paulo Tapajós e Meira. Sentados: Dino, Canhoto e Jacob.

3 comentários:

Aiara disse...

Oi moço!

Que bela dose de história do samba! =)

Hoje (ontem) não teve música???

Beijos!!!

fl disse...

Olá André, é a primeira vez que visito seu blog. Cheguei pelo Google procurando informações sobre o Meira. Fui a um show de choro (homenagem ao Joaquim Callado) hoje no Espaço FINEP em que o Mauricio Carrilho falou do centenário dele (que também foi seu professor). Luciana Rabello comentou que hoje deveria ser feriado pelo "dia nacional do violão" (pora causa do Meira). Depois, pra terminar o show, tocaram "Arranca Toco". Se você permite, vou colocar um link do seu post no Portal do Luis Nassif (http://blogln.ning.com/), onde tem uma galera boa que curte muito boa música - incluindo o próprio Nassif. Um abraço e parabéns pelo blog.

Fernando

Anônimo disse...

Faltou mencionar, se me permite, que Meira foi mestre do outro magistral Mauricio Carrilho.
Abração