31 agosto, 2009

Algumas "novidades"


SENSAÇÃO: sf. 1. Fisiol. Impressão causada num órgão receptor por um estímulo e que, por via aferente, é levada ao sistema nervoso central. 2. Surpresa ou grande impressão.
Foi isso que rolou!
Depois de um show super gostoso, na companhia de pessoas maravilhosas, tive a infeliz idéia de chamar todos para irmos num concurso de marchinhas de carnaval. Eu já não esperava muito do concurso mesmo, mas eu esperava muito mais do lugar. Um lugar onde eu conheci muita gente e que eu ajudei a levantar. Toquei muito sem receber nada lá. Pra coisa pegar. Nessas horas todo mundo quer mostrar que é seu amigo, que gosta de vc, que vc é necessário praquele resultado comum. Pois foi assim que tudo começou. Amigos se reuniam para beber cerveja, cantar, tocar e conversar. Veio a idéia do "clube". Fizemos estatuto e toda aquela onda. Tudo ia bem, todos adorávamos ficar lá, num lugar onde cada um colocou um pouquinho de si. TIvemos alguns problemas sim, mas coisas normais quando se junta muita gente com pensamentos diferentes e tal, nada muito sério. As coisas foram crescendo e se reformulando. Veio a idéia do Bloco. E lá estava eu de novo, dando força, indo nos ensaios, tirando músicas, saindo no carro de som... tudo em prol da idéia inicial de cultura e tudo mais. A galera fechando as ruas na marra porque o CET não quis nos ajudar no primeiro ano. No segundo ano, já com CET, polícia e um bom carro de som, eu sequer fui avisado. Relevei, pois tinha muita gente pra tocar e as vezes muita mão atrapalha. No terceiro ano o carro de som já não era grande coisa aí os "artistas" não quiseram sair no carro suado. Fui chamado e fiz meu trabalho com muita satisfação e alegria. Com direito a galhos de árvores passando nos músicos e ter que levantar os fios de alta tensão porque ninguém lembrou que a Vila Madalena é cheia de fio e árvore e o carro não podia ser muito alto. Enfim, depois disso eu num saí mais no carro, mas por opção minha, mas continuamos tocando a roda de samba lá. Quando a coisa tava caindo, lá estava eu e meus amigos fazendo uma roda de samba das melhores pra ajudar "a causa". Daí, quando a coisa pegou, tava enchendo e tal, simplesmente colocaram outro pessoal no meu lugar e no lugar do cantor e pronto. Nem dignidade de dizer que não precisávamos mais ir tiveram. Foi uma mentirinha pra uma semana, outra pra outra semana... Depois disso não fui mais, poxa, é mais digno vc abrir o jogo. Não que eu seja melhor nem pior que ninguém, mas educação é tudo. Fui viajar, continuei trabalhando e não conseguia voltar lá depois de uma reforma geral que rolou por pura falta de tempo.
Voltei ontem! E a decepção começou na porta. Levei 7 pessoas pra lá e num rolou nem um descontinho e muito menos um "Que bom que apareceu!". beleza, 10 reais não vão me matar de fome, porque graças a Oxalá eu tenho muito trabalho. Lá dentro revi umas caras conhecidas, alguns surpresos com minha presença e tal, mas as pessoas que começaram a onda comigo, nem tchum. Afinal, já tinham conseguido que eu pagasse.
Quando o dinheiro é mais importante, a coisa fica feia. E papo vai, e tal, fomos pedir uma comida e quando fui falar com a cozinheira que já me conhecia faz tempo, pedi uma caprichadinha na porção (coisa de praxe quando vc é cliente em qualquer lugar) Ela olhou pra minha cara e falou que era aquilo e pronto. Nossa... quanta simpatia... Fiquei surpreso. Pra fechar com chave de ouro, pedi uma cerveja, ia levar na mesa e logo em seguida trazer o dinheiro. Daí escutei do cidadão: Vai lá que eu espero, não vou te dar a cerveja sem vc pagar.
Caralho! Eu nunca deixei de pagar nada. Ainda mais lá, pela "causa". Se um dia eu pendurei alguma coisa, paguei em seguida. Implantamos o clube da cachaça lá. Neguinho bebia a minha pinga sem me pedir e eu nunca reclamei disso. Daí depois ainda temos que ouvir que lá não é casa de caridade? Não é mesmo. Nunca foi, mas agora tá bem claro que a intenção é lucrativa. E até o nível musical caiu demais! Claro, eles conseguiram se queimar com muitos músicos bacanas, agora resta o que tem lá. Infelizmente coloquei muita energia e suor numa coisa que se transformou pelo dinheiro.
Acho que não precisava ser assim. Não digo que queria um tapete vermelho, pois não sou assim, mas um pouco de consideração com quem ajudou tanto, seria no mínimo educado e bonito. O Domingo que começou de um jeito tao bacana e tão gostoso, infelizmente, terminou de uma maneira desastrosa, ao menos pra mim e pro Saulo que tb sentiu muito com a decadência e o verdadeiro caráter de algumas pessoas que tínhamos como membros da família.
Abracei as pessoas que realmente gosto e gostam de mim e me despedi de um lugar que ajudei a construir, mas infelizmente (ou felizmente) não faço mais parte.
Entrou para a lista dos lugares onde eu não piso mais, fazendo companhia com a República das Bananas em Boissucanga.
Um lugar que se diz preocupado com a cultura começa a dar péssimos exemplos. Podem colocar preço em tudo, menos na minha arte e no meu caráter.
O próximo post eu juro que vem com coisas boas. A parte boa do domingo que eu, com certeza vou gravar na memória e no coração, mas eu precisava colocar minha indignação pra fora.

2 comentários:

Raquel Costa disse...

Bis, é oq vc disse: "Quando o dinheiro é mais importante, a coisa fica feia", o amor exagerado a este é o pai de todos os males. Comprovado pelas coisas desagradáveis que aconteceram. Nessas horas é melhor focar nas coisas boas do dia, como aquela sacolinha térmica do Pão de Açucar ;), o máximo!

André Santos (Bisdré) disse...

A sacolinha realmente foi fantástica!