31 agosto, 2009

Algumas "novidades"


SENSAÇÃO: sf. 1. Fisiol. Impressão causada num órgão receptor por um estímulo e que, por via aferente, é levada ao sistema nervoso central. 2. Surpresa ou grande impressão.
Foi isso que rolou!
Depois de um show super gostoso, na companhia de pessoas maravilhosas, tive a infeliz idéia de chamar todos para irmos num concurso de marchinhas de carnaval. Eu já não esperava muito do concurso mesmo, mas eu esperava muito mais do lugar. Um lugar onde eu conheci muita gente e que eu ajudei a levantar. Toquei muito sem receber nada lá. Pra coisa pegar. Nessas horas todo mundo quer mostrar que é seu amigo, que gosta de vc, que vc é necessário praquele resultado comum. Pois foi assim que tudo começou. Amigos se reuniam para beber cerveja, cantar, tocar e conversar. Veio a idéia do "clube". Fizemos estatuto e toda aquela onda. Tudo ia bem, todos adorávamos ficar lá, num lugar onde cada um colocou um pouquinho de si. TIvemos alguns problemas sim, mas coisas normais quando se junta muita gente com pensamentos diferentes e tal, nada muito sério. As coisas foram crescendo e se reformulando. Veio a idéia do Bloco. E lá estava eu de novo, dando força, indo nos ensaios, tirando músicas, saindo no carro de som... tudo em prol da idéia inicial de cultura e tudo mais. A galera fechando as ruas na marra porque o CET não quis nos ajudar no primeiro ano. No segundo ano, já com CET, polícia e um bom carro de som, eu sequer fui avisado. Relevei, pois tinha muita gente pra tocar e as vezes muita mão atrapalha. No terceiro ano o carro de som já não era grande coisa aí os "artistas" não quiseram sair no carro suado. Fui chamado e fiz meu trabalho com muita satisfação e alegria. Com direito a galhos de árvores passando nos músicos e ter que levantar os fios de alta tensão porque ninguém lembrou que a Vila Madalena é cheia de fio e árvore e o carro não podia ser muito alto. Enfim, depois disso eu num saí mais no carro, mas por opção minha, mas continuamos tocando a roda de samba lá. Quando a coisa tava caindo, lá estava eu e meus amigos fazendo uma roda de samba das melhores pra ajudar "a causa". Daí, quando a coisa pegou, tava enchendo e tal, simplesmente colocaram outro pessoal no meu lugar e no lugar do cantor e pronto. Nem dignidade de dizer que não precisávamos mais ir tiveram. Foi uma mentirinha pra uma semana, outra pra outra semana... Depois disso não fui mais, poxa, é mais digno vc abrir o jogo. Não que eu seja melhor nem pior que ninguém, mas educação é tudo. Fui viajar, continuei trabalhando e não conseguia voltar lá depois de uma reforma geral que rolou por pura falta de tempo.
Voltei ontem! E a decepção começou na porta. Levei 7 pessoas pra lá e num rolou nem um descontinho e muito menos um "Que bom que apareceu!". beleza, 10 reais não vão me matar de fome, porque graças a Oxalá eu tenho muito trabalho. Lá dentro revi umas caras conhecidas, alguns surpresos com minha presença e tal, mas as pessoas que começaram a onda comigo, nem tchum. Afinal, já tinham conseguido que eu pagasse.
Quando o dinheiro é mais importante, a coisa fica feia. E papo vai, e tal, fomos pedir uma comida e quando fui falar com a cozinheira que já me conhecia faz tempo, pedi uma caprichadinha na porção (coisa de praxe quando vc é cliente em qualquer lugar) Ela olhou pra minha cara e falou que era aquilo e pronto. Nossa... quanta simpatia... Fiquei surpreso. Pra fechar com chave de ouro, pedi uma cerveja, ia levar na mesa e logo em seguida trazer o dinheiro. Daí escutei do cidadão: Vai lá que eu espero, não vou te dar a cerveja sem vc pagar.
Caralho! Eu nunca deixei de pagar nada. Ainda mais lá, pela "causa". Se um dia eu pendurei alguma coisa, paguei em seguida. Implantamos o clube da cachaça lá. Neguinho bebia a minha pinga sem me pedir e eu nunca reclamei disso. Daí depois ainda temos que ouvir que lá não é casa de caridade? Não é mesmo. Nunca foi, mas agora tá bem claro que a intenção é lucrativa. E até o nível musical caiu demais! Claro, eles conseguiram se queimar com muitos músicos bacanas, agora resta o que tem lá. Infelizmente coloquei muita energia e suor numa coisa que se transformou pelo dinheiro.
Acho que não precisava ser assim. Não digo que queria um tapete vermelho, pois não sou assim, mas um pouco de consideração com quem ajudou tanto, seria no mínimo educado e bonito. O Domingo que começou de um jeito tao bacana e tão gostoso, infelizmente, terminou de uma maneira desastrosa, ao menos pra mim e pro Saulo que tb sentiu muito com a decadência e o verdadeiro caráter de algumas pessoas que tínhamos como membros da família.
Abracei as pessoas que realmente gosto e gostam de mim e me despedi de um lugar que ajudei a construir, mas infelizmente (ou felizmente) não faço mais parte.
Entrou para a lista dos lugares onde eu não piso mais, fazendo companhia com a República das Bananas em Boissucanga.
Um lugar que se diz preocupado com a cultura começa a dar péssimos exemplos. Podem colocar preço em tudo, menos na minha arte e no meu caráter.
O próximo post eu juro que vem com coisas boas. A parte boa do domingo que eu, com certeza vou gravar na memória e no coração, mas eu precisava colocar minha indignação pra fora.

27 agosto, 2009

Música: Chorolix (Ruy Weber)


Mais uma música que estará no meu disco. Essa é muito mais que importante. Foi a primeira música inédita que eu toquei na vida. Música do meu professor e amigo Ruy Weber. Me deu a partitura na maior confiança e desde então é peça obrigatória em todos os meus concertos, seja solo ou em grupo. Uma música que me remete ao universo de Radamés Gnatalli. Um choro moderno, mas sem perder a característica dos choros mais tradicionais. O Ruy tem mais várias músicas que eu quero tocar, mas essa é a que vai pro disco. O arranjo é meu baseado no arranjo do próprio Ruy. Mudei umas coisinhas e começamos a gravar. O Stefano captou perfeitamente o universo da música e colocou um baixo de responsa, inclusive criando algumas frases que eu incorporei como obrigações. O pandeiro do Bebê, na sua sutileza e segurança dão o molho e a interpretação "Jacobiana" e inspiradíssima do bandolim do Renan coloca essa faixa como uma das minhas favoritas do disco.
Boa audição!

Violão e arranjo: Bisdré
Bandolim: Renan Bragatto
Baixo: Stefano Moliner
Pandeiro: Bebê do Góes
Na foto: Bisdré, Ruy Weber, Toninho Carrasqueira e Roberta Valente.

25 agosto, 2009

Músicas: Bossa de Maio (Fabiano Borges)


Amigos! Essa música é muito bacana pra mim.
Composição do Fabiano, lá de Brasília. O Fabiano é um compositor notável. Um violonista de extremo bom gosto. Lembro de quando ele me mandou uma gravação dele dessa música. Eu falei que queria tocar e ele me deu a partitura. Quando disse que iria gravar, ele me agradeceu. Mal sabia ele...
Comecei o arranjo pelo tema. Fiz tudo o jeitinho que ele compôs. Daí entrei em contato com ele e disse "Sua introdução já era. Mudei". Ele ficou meio assim, mas não contestou. Daí falei "Aquele final lá tb mudei, fiz outro". Aí sim ele começou a ficar preocupado. Falou que o final fazia sentido daquele jeito, que tinha que preservar isso e aquilo... Eu ignorei hahah. Mas divertido mesmo foi quando falei que tava indo pro estúdio pra gravar a cuíca na música dele. O bicho quase que pegou a ponte aérea pra Sampa! FAlei pra ele que só mostraria quando estivesse pronta. Dei uma mixadinha de leve e mandei pra ele. Ainda bem que ele gostou. :0)
No decorrer da música, que inicialmente se chamava "Manhã de Maio", eu transformo a manhã de maio de Brasília (como eu a imagino) em uma manhã de maio do meu Rio de Janeiro. Com mais suingue e malemolência. E claro, uma cuiquinha super elegante! Só faltou o barulho do mar, mas daí ficaria muito óbvio. Teve gente que diz que escutou o barulho do mar, é mole?

Mas em resumo, eu adoro essa música e adorei gravá-la. Com certeza será uma das pérolas do meu primeiro disco que to tentando terminar faz um tempo já.

Músicos participantes: Bisdré (violão e arranjo), Stefano Moliner (Baixo), Gabriel Gavi (percussão) e Bebê do Góes (cuíca elegante).
Até a próxima!

23 agosto, 2009

O violão de Meira


Professor de violão dos pupilos magistrais como Baden Powell e Raphael
Rabello, o atemporal Jaime Florence, o Meira, pernambucano de Paudalho, completaria 100 anos de idade em primeiro de outubro deste ano. Chegando ao Rio de Janeiro, então capital federal, em 1928, como integrante do conjunto A Voz do Sertão, organizado por Luperce Miranda, tocou, na década seguinte, no famoso regional de Benedito Lacerda, com Horondino Silva, o Dino 7 Cordas, formando ainda com este, por muitos anos, um respeitado e muito procurado duo de acompanhantes, que participaria
de um sem-número de gravações. Como compositor, teve alguns sucessos: em 1943, com Dino e o letrista Augusto Mesquita, o samba-canção "Aperto de Mão", gostoso de ouvir, por exemplo, na voz do mineiro Luiz Cláudio e lançado pela personalíssima Isaurinha Garcia; do mesmo trio de autores, em 1947, a valsa "Quando a Saudade Apertar", em parceria com Leonel Azevedo, gravada por Orlando Silva; também em 1947; outro samba-canção, "Prêmio de Consolação", com Augusto Mesquita, ainda na voz de Isaurinha Garcia. Num raro elepê de apanhado de registros da Copacabana, "Molambo e Outras Coisas...com Músicas de Augusto Mesquita e Seus Parceiros", pode-se ouvir "Copo D`água", de 1957, na boa interpretação de Carminha Mascarenhas, além, naturalmente, de "Molambo", "pièce de résistence" de seu estro encordoado, que também recebeu versos de Augusto Mesquita. O maior sucesso da carreira de um paraibano nascido em Serraria, de "vozeirão noturno", Roberto Luna, que, residindo no Rio nos anos 50, pôde lançar esse samba-canção, com arranjo do maestro Luiz Arruda Paes, num dez-polegadas da Odeon, de 1956, intitulado "Uma Voz para Milhões".
No sábado passado, dia 22/09, aconteceu uma justa homenagem a esse músico admirado por outros violonistas de referência, e igualmente atemporais Garoto e Dilermando Reis, que foi feita pela rapaziada competentíssima da Camerata Brasilis. O concerto aconteceu na Sala Baden Powell.
Uma simples e importantíssima homenagem a esse grandioso violonista que mostrou com seu talento e sua genialidade que o acompanhamento não é uma coisa menor. Infelizmente hoje em dia, muitos violonistas não sabem disso. Todo mundo quer solar e fazer um monte de coisa. É bom tb, mas o acompanhamento é uma arte que não é pra quem quer...
Até a próxima

Na foto, o famoso “Regional do Canhoto”. Em pé: Luiz Bittencourt, Paulo Tapajós e Meira. Sentados: Dino, Canhoto e Jacob.

21 agosto, 2009

Músicas: Bebê (Hermeto Paschoal)

Como disse ontem, aí vai a primeira gravação do 3 por Acaso. Musicasso do mestre Hermeto. Super Baião nervoso! Eu ao violão, Victor Steiner à viola e Léo Rodrigues ao pandeiro e triângulo.
Detalhe pro final da música que a "zabumba" é feita no violão.
Espero que gostem.

20 agosto, 2009

Músicas: "Medley" Orfeu da Conceição - A Felicidade, Lamentos no Morro e O Morro não tem vez (Tom e Vinícius)


Hoje é dia de ter saudade. Saudade dos amigos que fizeram parte de quase todos os dias da minha vida durante alguns anos. Hoje temos menos contato, mas os encontros são sempre cheios de muita alegria. Com eles formamos o 3 por Acaso. Eu tocava violão, Victor Steiner, viola e o Vitor Cabral, percussão. Éramos até bonzinhos. Nos dávamos muito bem e tal, mas a vida coloca caminhos diferentes na vida de todos. Na formação original quem tocava pandeiro, sempre com sabedoria dos mestres apesar da pouca idade, era o Léo Rodrigues. Sempre que encontro o Léo é uma farra. Um monte de risada, bagunça, lembranças e muito som, obviamente. Com o Vitão da viola o lance é beber cerveja e ter papos quase intelectuais ate eu chutar o balde falando de futebol. O Vitinho eu num vi mais. Mas como aprendi com esse muleque. Sabia muito de filosofia, religião e tal. As tardes no club da cana só num eram tão piores por causa dos papos que tínhamos entre uma entrada e outra, comendo um lanche na padoca.
Num tem muita história pra essa música de hoje. Só boas lembranças dos dias que gravamos. No estúdio do meu grande amigo Sandro Haick. Amanhã coloco uma com o Léo.

19 agosto, 2009

Músicas: Aquela conversa que a gente não teve... (Marcelo Fortuna)


Essa música é muito especial. Parece que ela me escolheu e não o contrário. Xerentando na internet, entrei no site do meu amigo Marcelo Fortuna e tinham algumas composições dele pra violão, mas nenhuma do site me chamou muita atenção pra colocar no repertório assim de cara, então resolvi pedir mais algumas pra ele. Qual não foi minha surpresa quando abro meu mail e tinha um e-mail dele. Junto havia um arquivo compactado. Quando descompactei o maluco tinha me mandado umas 40 músicas! Só pensei comigo: Esse cara é maluco!
Fui olhando e lendo uns pedacinhos. Essa eu gostei do nome e de pronto imprimi. Quando comecei a ler direito, fui me envolvendo com a música. Resolvi que ia gravá-la e dedicar ao meu avô que se encantou meses antes e a um amigo que foi o responsável por hoje eu ser músico profissional. Ele me colocou no palco pela primeira vez pra acompanhá-lo. Devo muito ao Ney Mesquita, que tb se encantou. Uma mudancinha aqui, outra ali, a idéia da percussão só no final e o surdo fúnebre pra simbolizar essas duas pessoas queridas que se foram. Mandei a música pro Marcelo escutar. Dias de tensão se passaram esperando a resposta. Era a primeira vez que eu mudava alguma coisa em uma música sem pedir licensa ao autor. Pra meu alívio ele adorou e contou que essa música ele fez pouco depois do pai dele ter se encantado. Por isso a música não tinha fim. Porque faltaram muitas conversar que eles não tiveram. E a mesma sensação eu tive ao lembrar do meu avô e do Ney. Que coisa louca né? Fiquei muito contente com as palavras de encorajamento do Marcelo e hoje acredito que o Sr. Fortuna (pai dele), Sr. José (meu avô) e Ney Mesquita estão lá em cima olhando por nós dois que nos tornamos mais amigos ainda e torcendo por nós. Um abraço, Marcelo!

Encantar-se: em algumas culturas, como os índios daqui, não se fala em morte, mas em encantamento. A pessoa não morre, se encanta e permanece viva nas forças da natureza.

18 agosto, 2009

Música: Sentimentos (Baden Powell)


Oi gente! Hoje coloco aqui pra vcs escutarem uma das primeiras gravações que fiz aqui em casa. Não lembro sequer o ano, mas essa música é importante demais pra mim. Não é nenhuma das mais conhecidas nem minha favorita, mas é uma composição que me emociona desde a primeira vez que a ouvi. Não tinha a partitura dela e muito menos competência pra tirar de ouvido. Daí fui na fonte. E que fonte! Um pouco antes da morte dele, eu tive a honra de conhecê-lo. E em uma dessas minhas visitas ao Rio, fui à sua casa e entre um papo e outro, falei dessa música. Eis que ele começou a relembrar e quando falou "lembrei!" começou a me ensinar. Passamos a música umas 4 vezes inteira até eu não esquecer nenhum pedacinho. Quando voltei pra casa da minha tia, fiquei tocando exaustivamente e gravei num MP3 que eu tinha (que aliás faz muita falta) pra não esquecer mais. Desde então sempre tocava ela e lembrava com muito carinho e emoção do dia que o mestre me ensinou. E tb da dedicação dele em me fazer entender cada pedacinho da música. Isso pegou muito forte. E aquela imagem do ídolo inatingível que eu tinha caiu definitivamente. Era um cara apaixonado pela música e pelo nosso instrumento, o violão. E infelizmente nosso convívio durou pouco. Uns dois anos depois, ou menos que isso, ele se foi. Foi lá encontrar com seu parceiro Vinícius de Moraes no céu. Sem uísque, porque ele já não bebia mais. Mas um cigarrinho com certeza não iria faltar. Lembro muito bem das piadas, trocadilhos, brincadeiras, histórias e conversas sérias que tivemos. Foram muitas lições, aprendizados e cafés sem açúcar. Depois uma andadinha até a rua pra eu pegar o ônibus e ir pro meu querido Irajá. Completamente bêbado de uma aula de humildade, serenidade e elegância. Aquele senhor de baixa estatura, aparência já fragilizada, óculos grandes, cabelo amarrado e, claro, sempre de branco me ensinou muita coisa, muita mesmo. Suas palavras e sua presença nunca mais saíram da minha memória e do meu coração. E seu violão jamais sairá da alma dos brasileiros. Digo mais, se realmente existe a tal alma do violão brasileiro, ela estava encarnada nesse homem.
Muito obrigado por tudo! Afinal, quem me fez ficar encantado com o som do violão pela primeira vez foi ele, quando eu tinha 3 anos e destruí um LP que pertencia ao meu pai só pra escutar o Berimbau.
Um beijo pra vc, aí no céu, meu mestre supremo BADEN POWELL!

Esse post é totalmente dedicado à Raquel. Pelo papo que tivemos agora há pouco no telefone. Beijinhos, querida.

17 agosto, 2009

Músicas: Cris (Bisdré) - Valsa


Resolvi isso semana passada, mas vou colocar aqui algumas faixas que estarão no meu disco que tá a maior novela pra ser terminado. Assim vcs podem ter um gostinho e ir ouvindo as faixas aqui pra depois comprarem (espero) o disquinho que está sendo feito com muito amor, amizade e carinho.
Começo com uma valsa que eu gosto muito. Valsa que nasceu nas aulas de composição popular com os grandes Eduardo Gudin e Roberto Riberti. De um exercício de composição cheguei nessa valsa que tenho muito carinho por ela. Daí todo mundo pergunta "Quem é Cris?". Eu respondo que Cris não é inicialmente uma pessoa. Quando terminei a música achei que ela tinha um clima meio cinzento, mas Valsa Cinza, ou Valsa Cinzenta ia ficar feio, né? Daí lembrei da letra do Chico Buarque pra música "Imagina" do Tom Jobim onde ele fala "lua cris..." e fui ver o que era esse termo. É uma variação de gris, que além de cinzento, também pode ser usado como eclipsado. PERFEITO! Agora vem a viagem maior. Pra quem se interessa, a música está em dó maior, mas na segunda parte acontece um "eclipse tonal"! Ela vai pra si bemol maior, mas na hora de resolver a harmonia, ela se resolve em dó de novo. pra voltar pra primeira parte. O tom de si bemol maior vem só pra passar na frente de dó e deixá-lo escondidinho por alguns momentos. Achei mó legal isso! Daí chamei de Cris. Por tabela ofereci a valsa à minha amiga Cristina Carneiro, que adorou. Ufa...
Gravação caseira mas que eu gostei bastante da interpretação. Talvez no disco ela esteja um pouquinho diferente.
E pra decepção de alguns, infelizmente a Cris não é uma pessoa. Mas um sentimento.
Espero que gostem, deixem suas observações que elas são de extrema importância, mesmo que não sejam músicos, mas as opiniões de ouvintes são tão importantes quanto a dos "especialistas".
Até a próxima!

16 agosto, 2009

E eis que São Paulo respira melhor! Que piada.


Oi povo!
Faz uma semana e dois dias que em São Paulo não se pode fumar em ambientes fechados. Uma decisão bem polêmica que foi tomada. Dividiu beeeem a opinião de todos. Os fumantes acham que perderam o direito de ir e vir. Afinal de contas, eles têm também alguma razão. Os não fumantes acharam o máximo não ter que respirar aquela fumaceira toda a noite toda. Digo noite porque é onde eu mais vejo a situação. E deles também não se pode tirar a razão. E tem aqueles que são a grande minoria, que concordam com os dois lados e não se incomoda com a fumaça, afinal de contas, moramos em São Paulo.
Afinal de contas... o que será que tá certo? Aquela máxima do seu direito termina onde o do outro começa só deixa tudo mais complicado. Será que é certo tirar o direito de fumar? Será que é certo vender cigarro na padaria? Não faz sentido, né? Se não se pode fumar “onde vc quiser” porque vende cigarro em todo lado? Se realmente o governo quisesse acabar com o fumo por causa da saúde da população, restringiriam a venda, ou simplesmente parariam de vender.
Agora, o mais engraçado e estúpido é aquele painel na Av. Dr. Arnaldo com os dizeres “Fazem xxxxx dias xxx horas e xxxx minutos que São Paulo respira melhor!” Os números vão crescendo conforme o tempo vai passando. E realmente eu constatei que a poluição de Sampa é responsabilidade dos fumantes! Ainda mais ali na Dr. Arnaldo, onde o trânsito é intenso o tempo todo, quase não tem poluição e emissão de gases tóxicos. Eu mesmo, enquanto fumante, pude perceber que o ar de Sampa realmente está bem melhor! Porque carros realmente não poluem, o que polui é o cigarro.
Daí vem aquele bando de palhaço vomitando aquelas frases prontas de efeito sobre quantos cabôcos morrem por causa do cigarro. Realmente os governantes tão muito preocupados com isso. Quanta comoção! E o mais engraçado é que esses mesmos que falam isso, tiram a maior onda de geração saúde e tal vai fazer sua corridinha na Av. Sumaré. Lógico! Um lugar onde se respira muito bem. Nem tem fumantes agora! Agora sim! Mas depois de ficar com o “cooper feito” (adoro essa!) eles pegam o carro e vão pro trabalho. Mas eles não fazem nada de mal, afinal não fumam e não comprometem a saúde de ninguém.
Claro que o lado dos não fumantes tb é compreensível. Afinal de contas, quem gosta de sentir aquela fumaça na cara enquanto come uma boa refeição? Ninguém , não é mesmo? Já vi muito fumante reclamando do ambiente. Mas depois que terminam seu almoço, acendem um cigarro. Irônico não? Com eles é ruim, mas se eles fazem isso, tudo bem. Que coisa né? Uma coisa é certa, a maioria dos fumantes é muito folgada. Quantas vezes eu não vi a cena de um fumante na mesa falar “Dá licença pra eu fumar?” e acende um cigarro. Porra, vc não escutou a resposta! Como acendeu essa porra? E se vc diz não pra licença dele, ele começa a rir porque acha que é piada e acende do mesmo jeito. De um modo geral, fumante é bem chato, mas como toda regra tem sua exceção, não podemos generalizar.
E se pensarmos bem, essa lei nem é tao nova. Já existiam lugares onde não se podia fumar. Isso era facultativo. Agora virou uma obsessão. Beleza, acho mesmo que tem que ter barreira física entre “as alas”, que em determinados lugares como restaurantes e salas de shows, teatros, bares fechados, cinema e toda essa onda, deve ser proibido mesmo fumar. Agora até os botequins de esquina tão sofrendo. E já que num pode fumar dentro, o povo soluciona o problema colocando as mesas na calçada, daí pronto! Fudeu mais ainda, porque vc na rua não passa tb. Eu vejo e fico com raiva daqueles bares de playboy na Vila Madalena como o Galinheiro que teve a cara de pau de colocar aquelas lonas de plástico pra quando tiver chovendo. Aí que fode mesmo. Porque na chuva vc num tem nem a calçada pra andar. E ainda têm a pachorra de riscar na calçada (teoricamente via pública) o espaço do bar. E ai de vc se ficar parado lá.
Pronto, surge mais um problema em fumar somente na calçada. Cadê as latas de lixo dessa cidade???? Aqui em frente em casa tem. Perto do ponto de busão. Mas por exemplo ali no bar onde eu toco, num tem nenhuma. Aliás na rua se vê pouquíssimas latas. E nessa uma semana e 2 dias a quantidade de pontas de cigarro nas calçadas aumentou vertiginosamente! É muito fácil inventar uma lei, sem pensar no que ela pode gerar. Afinal de contas, a única coisa que eles se preocupam é em aumentar o próprio salário. Afinal de contas, já acabaram com o problema da poluição em Sampa, porque São Paulo respira melhor faz sei lá quantos minutos e segundos.
Me sinto muito melhor!

14 agosto, 2009

40 anos sem Jacob do Bandolim

Matéria publicada no Jornal Estado de São Paulo, em 13/08/2009. MIS abrirá
acervo de Jacob do Bandolim

Público terá acesso à obra no Rio, como tributo aos 40 anos da morte do
artista

Lucas Nobile

SÃO PAULO - A grande efeméride desta quinta-feira não é daquelas nostálgicas
e repletas de lamentos. Hoje, dia que se completam 40 anos da morte de Jacob
do Bandolim (Jacob Pick Bittencourt), sobram motivos para comemorações
devido ao respeito no tratamento conferido à obra deixada como legado pelo
maior compositor de choro, ao lado de Pixinguinha.

Graças ao trabalho do Instituto Jacob do Bandolim, entre o fim de outubro e
o início de novembro deste ano, 6 mil partituras do acervo do bandolinista e
350 CDs estarão disponíveis para o público como material de pesquisa, no
Museu da Imagem e do Som (MIS), do Rio.

A grandeza dessa herança é revelada por um lado pouco conhecido de Jacob e
escondido atrás de sua genialidade como instrumentista e compositor.
Perfeccionista e organizado ao extremo, ele tinha o hábito de gravar e
catalogar tudo que o cercava, como os famosos saraus e ensaios que ocorriam
aos sábados no quintal de sua casa em Jacarepaguá, de 1950 a 1969.

As centenas de CDs - fruto da digitalização de 200 fitas de rolos
magnéticos, com 400 horas de gravação - trazem também raridades, como
depoimentos de Jacob, uma entrevista feita por ele com o cantor Orlando
Silva por telefone, programas de rádios dos quais o bandolinista participava
e a íntegra da transmissão radiofônica da final da Copa do Mundo de 1958,
disputada pelo Brasil e pela Suécia.

"É de suma importância que o brasileiro conheça a sua cultura. Nós,
infelizmente, destruímos, o que temos aqui. Eu tenho obrigação de cuidar da
obra do meu pai. As pessoas precisam conhecer o que temos de bom aqui, no
País", diz Elena Bittencourt, filha de Jacob, e presidente do instituto.

A digitalização das partituras ficou sob a coordenação do bandolinista Pedro
Aragão. Já os rolos magnéticos contaram com o conhecimento daquele
considerado por muitos como o sucessor de Jacob, Déo Rian, que ajudou a
identificar as músicas e os integrantes que participaram das gravações. "Eu
convivi com o Jacob de 1961 a 1969.

Daquela turma de músicos, só sobrou eu que podia fazer esse trabalho de
reconhecer os músicos participantes naquelas festas e saraus", diz Déo Rian.

Além de todo esse material, até o fim do ano mais um patrimônio de valor
inestimável deve chegar ao público. O instituto lançará partituras inéditas
encontradas nos arquivos de Jacob. Serão 34 cadernos manuscritos de
composições que nunca foram gravadas, entre elas, raridades dos séculos 19 e
20, com anotações de autores como Arlindo Nascimento, Patrocínio Gomes,
Albertino Aguiar e Candinho.

O caderno mais antigo era do compositor Nestor S. Cauby, com registros de
1887. "Esses cadernos, que já foram digitalizados, eram uma lenda no mundo
do choro. Estamos negociando a impressão com editoras", diz Sergio Prata,
diretor de pesquisa do Instituto Jacob do Bandolim.

*Principais herdeiros*

Hamilton de Holanda: O bandolinista nascido no Rio e criado em Brasília
reforça a tese de que para poder ser criativo e inovador é preciso ter amplo
domínio da tradição. Para tocar de maneira criativa, descobrindo novos
caminhos para o instrumento como vem fazendo, Hamilton, antes de tudo, tem o
repertório jacobiano inteiro "embaixo dos dedos", e grande parte da obra de
Luperce Miranda, bandolinista contemporâneo de Jacob, dono de uma técnica
apurada e de uma velocidade impressionante para executar os solos.

Danilo Brito: Mesmo com pouca idade (24 anos), o paulistano Danilo Brito já
conquistou o respeito não apenas de seus pares de hoje, como também da velha
guarda do choro. Atualmente, ele é o que mais se assemelha ao estilo de
Jacob, tanto no jeito de tirar o som do instrumento quanto na postura de
chorão.

"O Danilo toca com fidelidade à tradição, mas tem um bandolim do século 21.
O próprio Hamilton de Holanda diz que se o Jacob estivesse tocando hoje,
seria muito parecido com o Danilo", comenta Sergio Prata.

Bruno Rian: O jovem bandolinista e conselheiro do Instituto Jacob do
Bandolim segue a trajetória do pai, Déo Rian, amigo e sucessor direto de
Jacob. Com seu disco de estreia como solista recém-lançado, Bruno reedita a
tradição do choro e a limpeza do som que Jacob extraía do instrumento. "Ele
segue a linha do choro tradicional mesmo. Sem contar que ele conhece tudo
sobre Jacob, virou uma referência no assunto. Desde muito pequeno ele ouvia
diversas passagens e histórias que o Déo lhe contava", diz Prata.

[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]