08 fevereiro, 2009

Um lançamento que eu queria muuuuito estar lá


Amigos, como quase todos já sabem eu já voltei pro Brasil. Quantas saudades dessa terra linda e abençoada por deuses de todas as religiões do mundo. Lá fora eu pude exercitarmuito mais a minha brasilidade. E vi o quanto eu realmente amo essa nossa pátria mãe gentil. Só que uma coisa me faz querer voltar pra lá AGORA! O lançamento do disco de uma pessoa maravilhosa que conheci lá em Lisboa por meio do amigo Alan Romero.
Esse sorriso e a simpatia dessa menina nos faz imaginar o som que ela tira dos seus instrumentos. Quando a conheci ela tocou guitarra portuguesa. Junto com Antonio Eustáquio, interpretaram composições suas. Só coisa fina! E lá ela me falou desse disco que será lançado dia 14 (meu aniversário, por acaso). Falei pra ela que não estaria lá, mas que aceitaria esse lançamento como presente de aniversário. Quem estiver em Lisboa não pode perder!

Luisa Amaro prepara-se par dar dois concertos dias 13 (edição do CD) e dia 14 de Fevereiro, respectivamente, no Museu do Oriente.
Em "Meditherranios", Luísa Amaro desenvolve uma teoria musical muito própria para a guitarra portuguesa, aliando-a ao guitolão – uma guitarra barítono de que apenas existem dois exemplares no mundo, concebida por Mestre Carlos Paredes e desenvolvida por Gilberto Grácio, herdeiro de uma ilustre família de construtores de guitarras – aos clarinetes e à percussão oriental. Nesta busca de sortilégios ancestrais, que é ao mesmo tempo uma viagem de pesquisa e criação pelos mais profundos itinerários do passado, evoca a complexa miscigenação cultural que Portugal experimentou ao longo da sua história, em que se cruzaram as influências judaicas e muçulmanas provenientes desse grande mar Mediterrâneo que em tempos uniu povos e foi veículo de uma civilização sui generis.
Se o guitolão nos sugere a memória do alaúde árabe, se o clarinete nos leva de viagem aos Balcãs e à Turquia, se a percussão nos transporta ao Oriente Médio, a guitarra portuguesa devolve-nos ao exacto local onde Luísa Amaro nasceu, se criou e se reinventou: a guitarra portuguesa. Por isso nesta aventura de peregrinação pelos seus "Meditherranios" recriados, nesta fusão de sonoridades e de lugares longínquos, o lirismo assume plenamente a voz da nostalgia – a recordação de que houve um tempo e um lugar em que a música poderia ter sido assim. E a introdução do piano, na sua composição que Mário Laginha acompanha, nada mais faz do que comprovar que esses ritmos provenientes das funduras da história estão, afinal, mais vivos e interpelantes do que nunca.

Eu gostaria muito de escrever mais sobre esse disco de Luísa, mas obviamente não o escutei então colocarei algumas palavras de outros sobre o trabalho de Luisa. Eu resumo a "fiquei fascinado pelo som que ela tirou da Guitarra Portuguesa e fico esperando ansiosamente ouvir o violão de Luisa Amaro."


Egiptânia, Lusitânia

Egiptânia, terra negra, terra da morte sagrada e da vida infinita. O talento criador de Luisa Amaro restitui-nos a lenda em todo o seu mistério. A sua guitarra mágica ressoa em húmidas flores de luz nesse universo mítico que os clarinetes e a percussão oriental evocam.
São brilhos de pérolas suaves, seios mordidos de odaliscas, jardins submersos pelo sonho, sorrisos entre ondas de sol.
São os Devaneios, é a Crisálida, ouve-se o guitolão com sugestões de alaúde e o vento branco invade a cena em que as mais belas mulheres se rendem, por entre espelhos e jarros de vinho, que parece sangue, ao desejo que da sombra as espreita, olhos vorazes interrogando o segredo desses corpos.
Cascatas de som vibram nas páginas da memória e outras telas, outros espaços nos convidam a olhar. Desapareceu o Kalipha, eis a Lusitânia, o Jogral, a lua cheia sobre o rio deste lado da vida. Os oráculos da brisa anunciam um amor que veste de ouro a tristeza da carne.
Mas outra vez tudo muda. E temos as Mouriscas, o esplendor da guitarra de Luisa Amaro, o indizível almejado. E o Jardim da Sereia unificando, dulcificando contrários anseios, abrindo uma clareira de paraíso.
A água cintilante escorre pelas paredes da casa dos sonhos. Tocamos o intangível. Uma serena alegria desce sobre nós e traz um rasto de estrelas, uma claridade de paz.
É este o milagre da grande criação musical. Da música que nos dá a Luisa Amaro.
Urbano Tavares Rodrigues

O instrumento do destino

No timbre da guitarra portuguesa encarnou-se um estranho destino: desaparecida do resto da Europa, sobreviveu com orgulhosa tenacidade em terra lusitana até identificar as cordas mais íntimas e as vibrações mais subtis. A sua voz – porque de uma voz se trata – toca o coração desde a primeira nota; as suas ressonâncias colocam em movimento sentimentos que pareciam esquecidos; nela afloram emoções que as palavras não conseguem descrever. Há qualquer coisa de antigo e de nobre no timbre deste instrumento, que tem aparentemente origens humildes e que encontrou no fado o seu habitat ideal.
Mas a guitarra portuguesa, se é a essência do fado, vive para além dele. Demonstraram-no músicos que souberam exaltar o seu extraordinário potencial expressivo, revelando um universo sonoro original e fascinante. Luísa Amaro está entre eles. Crescida artisticamente com Carlos Paredes, assimilou um ilimitado interesse pelo som como exercício criativo de exploração do mundo. Com grande sensibilidade e extrema delicadeza construiu um diálogo íntimo com as culturas musicais do Próximo Oriente. Percebeu a respiração das suas dimensões universais, desafiando-lhe a matéria sonora e interpretando-lhe a sua essência através de um trabalho de tradução elaborado sobre uma trama tímbrica extremamente sóbria.
A personalidade única da guitarra portuguesa é colocada em evidência pela elegante e discreta presença do clarinete e da percussão, com a cumplicidade de um segundo instrumento de cordas, o guitolão, que é a sua natural extensão. Este instrumento, construído ex-novo por Gilberto Grácio, é fruto da imaginação de Carlos Paredes, que desejava ampliar o registo da guitarra portuguesa para se aventurar além dos limites objectivos impostos pela sua estrutura.
Esta subtil e constante inquietude, tão intrínseca e requintadamente lusitana, reflecte-se no trabalho de Luísa Amaro através da evocação de um Portugal mourisco, como expressão de uma insinuante nostalgia. Qualquer coisa de longínquo no espaço e no tempo, e ao mesmo tempo tão próximo de se tornar motivo de efabulação sonora. Se a saudade fosse som, teria a voz do seu instrumento.
Paolo Scarnecchia

A dica tá dada pro povo lisboeta. Não percam! Preço único: 15 euros.
Luisa, muita luz pra vc!

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