25 dezembro, 2009

Relicário de um amor...

Relicário é um objeto que permita guardar relíquias de um santo. Modernamente vem sendo utilizado como algo que se destine a guardar também hóstias e/ou imagens de santos.
Não quero transformá-la em santa, até porque não convém. Mas hoje, ultimo dia do ano que eu estarei na internet, resolvi dedicar um post à ela. Ela que eu não posso dizer o nome, mas que sabe que ela é ELA. Ela que tem habitado meu coração por algum tempo já, que por travessuras do tempo e do destino, quando podemos curtir nosso amor mútuo, não podemos desfrutar de nada por questões pessoais, mas que devem ser respeitadas. Nesses tempos ela não saiu da minha cabeça, nem do meu coração, nem dos meus dedos, muito menos do meu violão. Como disse o Vinícius "Fomos enganados pelo tempo e o amor chegou tarde demais. E o amor é sempre um sentimento que a separação não deixa em paz". É bem por aí, tirando a parte que o amor chegou tarde demais. Praticamente um ano engolindo situações e imagens traumatizantes, o amor, o sentimento lindo do amor não se esgotou. Achei que tivesse sentindo isso por outras que eu julgava serem ELA, mas não chegam nem aos pés d'ELA. Julguei que amava, por duas vezes, mas hoje percebo que era uma tentativa de substituir, de maquiar o que sentia por ELA que estava inatingível. Não como uma santa, mas como uma mulher mesmo.
Ao seu lado problemas não existem. Ao seu lado só tenho vontade de sorrir. Ao seu lado eu não quero saber de nada no mundo lá fora do nosso mundo juntos. Nós dois somos imbatíveis. Somos gerador de energia, somos força que nunca finda. ELA tem o dom de me erguer nos momentos mais complicados com um só abraço, ou um beijo. ELA tb tem o dom de me deixar lá em baixo, no meio de trevas quando não deseja me ver. E ainda de me deixar mordido de ciúme quando simplesmente me diz que tem outro compromisso. Isso eu acho que ELA faz só de birra, mas ela pode porque é ELA. Outra qualquer me faria virar pro lado e seguir meu caminho, mas meu caminho está aliado ao d'ELA. Isso eu tenho certeza. Ela me fez sorrir, chorar, sentir dor, angústia, alívio, orgulho, prazer, tesão, cócegas, segurança, insegurança, ciúmes e muito mais que tudo amor. Um amor que eu já julgava não existir. Uma coisa louca, como um furacão de fogo que queima ao mesmo tempo que refresca e causa uma loucura sem tamanho por onde passa. Uma mistura de todas essas sensações. ELA é linda, simpática, cativante, sedutora, sensual, encantadora, inteligente, meiga, baixinha, bravinha, talentosa e despertou em mim o sentimento mais lindo e verdadeiro que eu já senti na vida.
Ontem eu escutei essa música do Nando Reis e pensei nela o tempo todo. Quantas vezes ao lado d'ELA eu pensei "Porque está amanhecendo?" fique noite pra sempre pra que não tenhamos que nos separar.
No ano novo estaremos separados. Isso me causa uma dor grande, mas ao mesmo tempo sei que tenho que dar esse tempo à ELA. Fico torcendo pra que nossos caminhos se cruzem e fiquem cruzados por muito tempo. ELA sabe que eu ficarei pensando o tempo todo n'ELA.
"Só o cheiro do seu cheiro não consigo deixar pra trás. Impregnado o dia inteiro nessa roupa que eu não tiro mais." Ah, quantas manhãs acordei com o cheiro dela no meu corpo... A alegria sem medida que realmente chegará a explodir no dia em que eu puder mostrar e dizer a todos que estamos de fato juntos, sem medo de nada nem ninguém. Quando esse dia chegar, podem ter certeza que a energia do mundo vai mudar porque teremos um ser apaixonado num êxtase de felicidade que não haverá limite nem espaço pra mais nada! Só alegria e mais amor. Esse amor que está guardado em nossos peitos e esperando que possamos juntá-los.
ELA sabe muito bem que ela é ELA...



É uma índia com colar
A tarde linda que não quer se pôr
Dançam as ilhas sobre o mar
Sua cartilha tem o A de que cor?

O que está acontecendo?
O mundo está ao contrário e ninguém reparou
O que está acontecendo?
Eu estava em paz quando você chegou

E são dois cílios em pleno ar
Atrás do filho vem o pai e o avô
Como um gatilho sem disparar
Você invade mais um lugar
Onde eu não vou

O que você está fazendo?
Milhões de vasos sem nenhuma flor
O que você está fazendo?
Um relicário imenso deste amor

Corre a lua porque longe vai?
Sobe o dia tão vertical
O horizonte anuncia com o seu vitral
Que eu trocaria a eternidade por esta noite

Porque está amanhecendo?
Peço o contrario, ver o sol se por
Porque está amanhecendo?
Se não vou beijar seus lábios quando você se for

Quem nesse mundo faz o que há durar
Pura semente dura: o futuro amor
Eu sou a chuva pra você secar
Pelo zunido das suas asas você me falou

O que você está dizendo?
Milhões de frases sem nenhuma cor, ôôôô...
O que você está dizendo?
Um relicário imenso deste amor

O que você está dizendo?
O que você está fazendo?
Por que que está fazendo assim?
Por que que está fazendo assim?

Talvez um dia, esse post não faça mais sentido. Eu posso descobrir que ela não é ELA, mas hoje, no meu coração, faz todo o sentido do mundo.

19 dezembro, 2009

Utilidade Pública

Então! Quando junta um bando de bebum sem o que fazer, um grupo de e-mail na internet e muita paciência dá nisso! E claro! se não fosse a mãe da Luciana, não saberíamos disso. Achei de extrema utilidade. E vai tb em homenagem ao Saulo, que desde que nos conhecemos ele vem pensando nisso.

Como gelar a cerveja rapidamente?????
A carne já está na churrasqueira ...


Aí, a galera chega com latas e mais latas de cerveja. Estupidamente quentes. Como gelar?


O professor Cláudio Furukawa, do Instituto de Física da USP vai responder essa questão.
É simples: Gelo no isopor, Para cada saco de gelo, coloque 2 litros de água e meio quilo de sal e meia garrafa de álcool.
A água aumenta a superfície de contato, o sal reduz a temperatura de fusão do gelo(ele demora mais para derreter) e por uma reação química o álcool retira calor.
Os físico-químicos denominam o líquido de "mistura frigorífica" :GELO, ÁLCOOL, SAL E ÁGUA!
A mistura frigorífica é barata e a cerveja fica no ponto de bala em 3 minutos. E esperar três minutos não é nenhum sacrifício, né?
Lembre-se de lavar a latinha ao retirá-la do isopor de forma a eliminar o gosto meio salgado que fica na tampa da lata. Para mulheres, crianças e frescos, vale lembrar que a técnica funciona também para garrafas pet de refrigerantes e latinhas em geral.

Se dá certo eu num sei. Mas que a explicação é boa, é! Então vale tentar.
Bom churrasco!

18 dezembro, 2009

Hoje estou me sentindo péssimo. Queria mesmo escrever alguma coisa, desabafar, mas não consigo. Depois de chorar uns 20 minutos no ponto de ônibus, mais uns 20 no caminho e uns 40 na porta de casa, esperei com muita esperança mesmo, que ela me ligasse, como tínhamos falado há pouco para que terminássemos nossos esclarecimentos que tanto me machucavam. Mas claro que não ligou. Eu que sou um idiota completo em acreditar nas pessoas. Subi e vim dormir segurando o choro que queria explodir. Explode agora e me impede de continuar escrevendo...
Fico aqui com essa dor insuportável no peito e sentindo o sangue escorrer...
Outro dia tento colocar alguma coisa útil aqui

10 dezembro, 2009

Uma boa opção


"Quem me vê sorrindo pensa que estou alegre
O meu sorriso é por consolação
Porque sei conter para ninguém ver
O pranto do meu coração"
Cartola


Coração este que se encontra rasgado e sangrando muito. Estive recentemente fazendo o balanço do meu ano. Num sei porque eu insisto nisso. Realmente esse ano foi um tanto melhor que o passado, mas não muito. Tem muitas partes boas, que depois serão ditas, mas as ruins... pelamordedeus! Puta que pariu! Com diz o Almir naquele samba "Destino, porque fazes assim? Tenha pena de mim!".
Meu disco que já ta virando novela, não teve uma mudança sequer de vírgula. Pois é... Agora o que mais me fudeu mesmo foi o campo destinado ao coração. Esse sofreu muito e continua sofrendo atualmente. Depois da traição decretada após minha subida no avião, no ano passado a coisa degringolou. Paixões avassaladoras se transformaram numa tsunami de decepções. Uma atrás da outra. Esses dias cheguei a conclusão. Eu realmente sou a melhor opção, mas só opção. Uma espécie de revista na sala de espera. Enquanto não se faz o que realmente deveria fazer, vc pega a revista e fica passando o tempo até aparecer a oportunidade que realmente interessa e vc joga a revista de lado pra fazer o que realmente você quer fazer. É isso! Sou uma espécie de "Caras". Que merda hein.
Mas é assim mesmo. Enquanto ninguém melhor aparece, vai eu mesmo. Afinal eu sou idiota mesmo. Me apego às pessoas, trato bem, sou cavalheiro, dou presente, ligo, elogio o cabelo, a roupa... Aí o que realmente é o objeto de desejo delas aparece, elas simplesmente me viram as costas e pronto. Afinal, agora num precisam mais de nada disso vindo da opção. Foi assim tantas vezes... Pior é que eu nunca percebo. Só vejo quando já foi. Já ouvi de alguém uma singela "você seria o primeiro da lista". Mas esse verbo no futuro do nunca, me coloca no meu verdadeiro lugar.
Recentemente comentei essa minha decisão com uma pessoa. Ela falou "Eu faço vc se sentir assim?" e eu respondi que não. Porque não fazia mesmo. Por uma série de razões, mas acho que hoje eu me sinto assim de novo. Não por causa dela, mas por causa de tantas vezes que isso aconteceu e de como a coisa está acontecendo hoje. Espero mesmo estar enganado. Posso estar me repetindo, mas gostar assim de alguém é novo pra mim. Achei isso há algum tempo atrás, mas não é nem de perto parecido. Enfim... creio que logo vou tomar outra queda. Espero mesmo estar errado quanto a isso. Mas por enquanto, sigo meu caminho procurando colher alguma flor que venha a nascer no meio de tanto espinho. E vou assim seguindo me sentindo a melhor opção, mas nunca a melhor oportunidade ou a melhor escolha.
Pior que nem pra padre eu sirvo. Tenho muitas divergências com a igreja católica. É... fudeu.

17 novembro, 2009

50 anos sem Heitor Villa-Lobos


Na semana que se completam 50 anos da morte de um que talvez tenha sido o músico que mais defendeu o Brasil e sua cultura popular, eu não vi nenhuma demonstração de "gratidão" com o mestre. Pra não falar que não vi nada, uma emissora de TV falou que ia passar um documentário, mas não falou dia nem hora. A TV cultura apresenta um "Mosaicos" especial. Mas TV cultura num vale. Eles sempre lembram dessas coisas. Agora, é muito mais importante o povo ver a fazendo que saber da obra e vida de seus pilares culturais. Falando em Pilar, na Cidade de Pilar do Sul, hoje haverá uma grande festa em virtudo desses 50 anos. Acompanhe em www.pilarcultural.org. Coloco aqui um texto que recebi faz alguns meses do amigo Alexandre Dias e agradeço ao Américo Esteves Rodrigues pela notícia.


PROGRAMAÇÃO DEDICADA A VILLA-LOBOS
O homem que tocou o Brasil

Nos 50 anos da morte de Heitor Villa-Lobos, principais orquestras do país programam concertos em homenagem ao compositor das Bachianas brasileiras. Antigos colaboradores falam do mestre:

A herança que Heitor Villa-Lobos deixou para a história da música tem a marca de um profeta. Nascido no Rio de Janeiro em 5 de março de 1877, levou ao mundo sonoridade ímpar de peças inspiradas na cultura popular brasileira. Não bastasse a vasta e competente obra, para inúmeras formações, que divulgou a singularidade da arte produzida no Brasil, ele apontou caminhos para o desenvolvimento do popular e do erudito, promovendo estreitamento dos laços entre os dois continentes. E ainda foi um dos precursores do ensino da música como disciplina não apenas obrigatória, mas essencial, nas escolas públicas. Cinquenta anos depois de sua morte, em 17 de novembro de 1959, vítima de câncer, o maestro e seu legado são lembrados em todo o mundo. Ao mestre, dizem os artistas, todo o reconhecimento pela universalidade de sua
inspiração.
Villa-Lobos tornou-se mais que uma bandeira, mas uma bússola indispensável. Ele não é apenas o pai da música de concerto no Brasil, mas também da nossa música popular", diz o violonista maranhense Turíbio Santos, diretor do Museu Villa-Lobos, no Rio de Janeiro. Ele lembra como o maestro influenciou outro mestre brasileiro, Tom Jobim,
no CD Mistura brasileira, em que demonstra essa afinidade. Para ele, a genialidade de Villa-Lobos está na capacidade de sintetizar a riqueza de referências múltiplas e antecipar o que viria a ser definido como identidade da música brasileira em todas as suas vertentes. "Assim como os brasileiros têm saudades da feijoada quando estão muito tempo fora do país, os músicos sentem falta de Villa-Lobos. A obra dele está na nossa essência, diz respeito à alma do nosso povo. Isso faz dele um "gênio", analisa Turíbio Santos.
Maestro e diretor musical da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, Fabio Mechetti adianta que a Série Vivace, da temporada 2009 de concertos, terá homenagem a Villa-Lobos durante todo o ano. Serão lembradas obras importantes do repertório sinfônico, como A floresta do Amazonas, as Bachianas brasileiras 3, 7 e 9, e Uirapuru, entre outras. "A música dele chamou a atenção do mundo pelo exotismo, pela
capacidade de retratar temas, ritmos e sons muitos próprios. Isso causou impacto enorme, além de ter sido um grande educador.
Villa-Lobos foi um dos responsáveis pelo processo de emancipação da sociedade brasileira no que tange à música erudita", comenta o maestro.

Em todo o país, Heitor Villa-Lobos será lembrado durante este ano em concertos das principais orquestras brasileiras, grupos instrumentais, cantores, músicos sinfônicos e populares. Em Belo Horizonte, as homenagens também serão intensas e em vários gêneros

PROGRAMAÇÃO DEDICADA A VILLA-LOBOS
Presença na memória brasileira
A cantora lírica Maria Lúcia Godoy e o flautista Sebastião Vianna recordam o mestre Villa-Lobos e sua marca pessoal na criação da obra e nos projetos de educação musical

Luciano Carneiro/O Cruzeiro/Arquivo EM - 15/8/1957
O compositor Villa-Lobos em ação: pesquisa dos motivos populares brasileiros fundamentam obra de reconhecimento universal

O primeiro e único contato da cantora lírica mineira Maria Lúcia Godoy com o maestro Heitor Villa-Lobos ocorreu na juventude da artista, que anos depois seria considerada uma das principais intérpretes da obra vocal do maestro. Ela ensaiava Remeiro do São Francisco, da série Modinhas e canções, no auditório do Instituto de Educação, em Belo Horizonte, quando o compositor entrou na sala, acompanhado pelo
maestro José Siqueira. "De repente vi um homem com aquela cabeleira, olhos fuzilantes e charuto na boca. Ele parou um instante, me ouviu, elogiou minha voz e disse que um dia escreveria algo para mim", lembra Maria Lúcia. E acrescenta: "Mal sabia ele que já havia composto a Bachiana nº 5, que cantei tantas vezes como solista", brinca a cantora, fazendo referência a uma das peças que a consagrou no palco.

Ela conta que se sente agraciada por ter descoberto na mocidade obra tão intensa. "Entrei num mundo encantado e minha relação com o trabalho dele tornou-se algo embrionário. Esse encantamento aconteceu num tempo em que não tinha a menor noção da importância dele", comenta. Maria Lúcia Godoy define o maestro como "a expressão máxima de um mestre", pela qualidade de sua escrita, mas também pela capacidade de propor temas relevantes. Em A floresta do Amazonas, ela avalia, está o "grito musical" de um compositor atento a questões mundiais, como a degradação da natureza. "A música dele nos toca profundamente porque reflete o quanto ele amou o Brasil e a nossa cultura."

ORFEÔNICO
Para o flautista mineiro Sebastião Vianna, que atuou como assistente de Villa-Lobos no Conservatório Nacional de Canto Orfeônico entre 1944 e 1950, no Rio de Janeiro, meio século sem o maestro não pode ser lembrado sem que seja feita a devida menção à "elegância e inteligência" de um compositor que sabia da importância de seus
ideais. "Convivi com ele durante sete anos, de segunda a sexta-feira, e fui testemunha do ritmo em que trabalhava. Pela manhã, ele se concentrava em compor, no apartamento da Rua Porto Alegre, onde morava. Depois do almoço, ia para o conservatório, onde ficava até o início da noite", conta. Enquanto fazia revisão das obras dele, que circulavam por outros estados, como São Paulo, e também eram enviadas
aos Estados Unidos. Vianna convivia com o maestro e seus convidados,e aprendia critérios de uma escrita sofisticada e ao mesmo tempo popular.
"Ele era cheio de si e até um pouco temperamental. Todos os grandes escritores, compositores e intelectuais da época o procuravam", diz, lembrando o pianista Arthur Rubisntein e o compositor Florent Schmitt. Para Sebastião Vianna, a lembrança mais emocionante do maestro é da ocasião em que ele conseguiu reunir 40 mil crianças no estádio do Vasco, cantando a quatro vozes. "Só um homem da competência dele e com
o amor que tinha pela educação musical conseguiria este feito", afirma o flautista, que tem no repertório várias peças do mestre.

MOTIVOS NACIONAIS

Pianista e compositor que participou de projetos que envolvem a obra de Villa-Lobos, Túlio Mourão observa que o maestro foi um dos "formuladores da identidade nacional" para a música brasileira.
Camargo Guarnieri, Francisco Mignone, Guerrra Peixe, além de Egberto Gismonti e Hekel Tavares estão entre os sucessores de um comportamento que virou escola. "É muito nítida essa busca de motivos nacionais e populares na música dele e como esse aspecto influenciou outros grandes talentos da nossa música", diz.
Para Mourão, o gênero instrumental também assimilou essas referências, ainda que indiretamente para alguns. "É impossível ouvir Egberto ou Tom Jobim e não fazer a associação. Mesmo quem não conhece profundamente a obra de Villa-Lobos recebe a influência dele por essas outras vias", diz o músico. Para ele, a atitude nacionalista precisa, de alguma forma, ser retomada na música contemporânea. "Existe muito na tradição popular brasileira para ser revelado e repertório que
comporta essa contextualização na atualidade.

Uma breve biografia do mestre

• 1887 – Nasce Heitor Villa-Lobos no dia 5 de março, no Rio de Janeiro, na Rua Ipiranga, Bairro de Laranjeiras, filho de Noêmia e Raul Villa-Lobos.

• 1900 – Compõe, para violão, sua primeira peça, Panqueca, em homenagem à mãe

• 1905-1912 – Viaja pelo interior do Brasil, conhecendo o país, o povo e seus hábitos, cantos e danças.

• 1908 – Compõe os Cânticos sertanejos para pequena orquestra, e a primeira das peças (Mazurka-Choro) que formariam a Suíte popular brasileira, concluída em 1923.

• 1910 – É contratado como violoncelista de uma companhia de operetas que se dissolve no Recife. Vai a Fortaleza, Belém, Amazonas e chega até a ilha de Barbados, onde começa a escrever as Danças características africanas.

• 1912 – Compõe sua primeira grande ópera, Izaht.

• 1917 – Compõe os balés Amazonas e Uirapuru

• 1918 – Compõe A prole do bebê n° 1, para piano solo.

• 1919-1935 – Compõe as Canções típicas brasileiras, para canto e piano.

• 1920 – Escreve o Choros n° 1, para violão, dando início à criação do ciclo de 14 Choros

• 1921 – Dá início à composição do Rudepoema, obra concluída em 1926

• 1923 – Subsidiado pelo Congresso brasileiro, faz sua primeira viagem à Europa.

• 1928 e 1929 – Compõe os 12 Estudos para violão e os dedica a Andrés Segóvia.

• 1930 – Dá início a dois marcos em sua vida – a composição das 9 Bachianas brasileiras e o projeto de educação musical.

• 1943 – É nomeado diretor do Conservatório Nacional de Canto Orfeônico, criado em 1942 pelo governo federal.

• 1945 – Escreve o primeiro dos cinco concertos para piano e orquestra.

• 1948 – Descobre câncer na bexiga e realiza uma primeira e bem-sucedida cirurgia no Memorial Hospital de Nova York.

• 1955 – No Carnegie Hall de Nova York faz ouvir, pela primeira vez, sua Sinfonia nº 8, dirigindo a Orquestra da Filadélfia.

• 1959 – Grava, com o soprano Bidu Sayão e a Symphony of the Air, A floresta do Amazonas. Morre no Rio de Janeiro, aos 72 anos, em 17 de novembro, sendo velado no Theatro Municipal e enterrado no Cemitério São João Batista. Na lápide de seu túmulo lê-se: "Considero minhas obras como cartas que escrevi à posteridade sem esperar resposta."



Muito obrigado, Villa-Lobos!

19 outubro, 2009

Comboio de Cordas


Pois é, povo. Hoje serei um bocado egocentrista. Depois de um fim de semana compretamente zicado e onde só aumentaram meus problemas amorosos e minha baixa estima subiu, finalmente um dia bom! VIVA!!!
Hoje consegui fazer tudo o que eu precisava. Acordei num horário bom, treinei, estudei, mexi no bagulho da inscrição do Proac, não fumei (tá fumei 2 cigarros) e lá fui eu pra uma reunião de uma das cosias mais legais que fui convidado.
Vamos do começo. Meu amigo Léo Costa me convidou, por intermédio e indicação do Ruy e do Chico pra um projeto muito bacana. O Comboio de Cordas conta com um grupo de 10 violonistas (pra começar) que estão preocupados em simplesmente tocar suas músicas ou seu violão da forma que mais lhe agradar. Ou seja, sem rótulos, sem necessidades de agradar e tal, apenas faremos nossa música. Parece bobo né? Mas pergunte pra qualquer músico quantas vezes ele teve que tocar músicas que já tá de saco cheio ou que simplesmente não gosta só porque alguém que tá no lugar gosta. Ou quantas vezes um violonista tocou uma peça mó legal e vem um cabôco e fala: toca uma coisa animada!
Enfim, isso não vem ao caso. De prima aceitei o convite por ter vindo de um amigo e de um músico que respeito e admiro. Toquei pouco com o Léo, mas escutei algumas vezes o trabalho dele. Qual não foi minha surpresa quando recebi os nomes dos outros envolvidos. E hoje encontrei quase todos eles nessa reunião. Zé Barbeiro, Ruy Weber, Daniel Murray, Chico Saraiva, Kiko (do quarteto Pererê)... Só fera! E eu lá perdido no bolo. Fiquei muito feliz em fazer parte desse seleto grupo e muito mais feliz em perceber o quanto esses meus professores e porque não dizer, ídolos respeitam meu trabalho. Quando eu disse que não me achava um compositor e sim, um músico que as vezes compõe, a variedade de caretas e desaprovação para a minha frase foi algo que, em outros casos me deixaria bem chateado, mas não hoje. Não lá! O Kiko disse: Você é sim um compositor! Quando olhei pro lado o Chico só acenou que sim com a cabeça. Ganhei a noite com a aprovação desses caras. Todos eles! Conversamos sobre nossos começos, sobre violão, estilos de composição e tudo mais. Foi muito bom ouvir e contar. Nasce o Comboio de Cordas. Com seu primeiro concerto no dia 03/11. Nossos idealizadores Léo e Muari abrirão o ciclo de concertos onde teremos além deles, o quarteto Pererê, o Cau, o Zé e fechando esse primeiro mês eu e o grande amigo Alê Cueva.
Eu fico muito feliz e me sinto mesmo, muito honrado por fazer parte desse grupo, dessa idéia e ter ao meu lado, mais que grandes violonistas, e sim grandes amigos. Mas a maior alegria é perceber a admiração mútua entre todos os integrantes desse comboio. O mais interessante é que faremos os shows num espaço dirigido à educação. Ou seja, usaremos o violão não só como o transportador das nossas idéias musicais, mas tb da nossa paixão e da cultura. Os concertos terão bate-papo com a platéia e tal. Promover a cultura e educação através da música. Vamo que vamo! Tem tudo pra dar certo e como disse o Léo antes de começarmos a reunião: O comboio já é um sucesso só pelo time reunido.
Cheguei em casa e resolvi que tinha que colocar isso em algum lugar, se bem que não dá pra colocar em palavras a alegria e o orgulho que estou sentindo nesse momento.
Espero vocês nos concertos que com certeza serão todos muito bons.

22 setembro, 2009

Na TV!

Num misto de sono, preguiça, canseira, dor de cabeça e com muita vontde de colocar alguma coisa aqui, lembrei do programa de TV que fizemos com a Nãnãna da Mangueira. Uma tarde bacana pacas com meus amigos Wesley Ferreira e Edu Batata regada a muita cerveja e quitutes e premiado com a deliciosa rabada com polenta mole da Janaína. Uau! O programa foi ao ar semana passada e eu não consegui ver nenhuma vez, mas alguns amigos viram. Enfim. Foi bem legal. TOcamos duas músicas "Pura Paixão" de Nonô do Jacarezinho e "Remador de todas as marés" de Edu Batata e Maurinho de Jesus. Eu adorei. DEpois a Nãnãna ainda me convidou pra gravar umas faixinhas em um disquinho demo dela, fiz um arranjo bacana que colocarei depois pra vcs. Ando meio monotemático ultimamente mas eu tô é adorando escrever sobre esse tema único que surgiu no meu caminho. Mas por enquanto fiquemos com os vídeos do programa.
Até.


Bisdré (Pandeiro e Tamborim), Edu Batata (Cavaquinho) Wesley Ferreira (Violão de 7 cordas).

17 setembro, 2009

Esperando a hora de dormir...


Olha, faz tempo que eu num me sentia “bobo” assim, mas... É a vida. Como se estivesse dormindo e não tivesse a menor vontade de acordar.
E quer saber? Tô mais é adorando isso! É bom demais. Como diz outro samba “Não tiro você da lembrança, não tiro o seu nome da boca”. É assim que eu ando, por causa de você.
Foi chegando de mansinho, assim como quem não quer nada e quando vi, já estava entregue aos seus encantos (que aliás não são poucos). Um sorriso, uma cervejinha, um papo gostoso... depois uma festa e logo mais um espetáculo teatral e pronto! Como disse Vinícius (sim! Eu adoro parafrasear o poetinha) “Quem poderia dizer que Orfeu, Orfeu cujo violão é a vida da cidade,... ...que ele, Orfeu, ficasse assim rendido aos teus encantos?” Pois foi bem o que aconteceu. E que sofrimento que foi esse feriado! E eis que no rádio, viva a Rádio Cultura AM, um samba da Rosa Passos que diz “Nem um samba me levanta com você longe de mim”. É isso! Era assim que eu tava! Toquei direto, mas e daí... não tinha o meu sorriso quando eu olhava pro lado, nem meu abraço, nem meu beijo, nem nada. E no final do mesmo samba eu imploro “Nunca mais me faça isso, nunca mais me deixe assim.” Duas semanas inteirinhas “com você longe de mim” Mudei um pouquinho pra ficar mais real.
Mas aí o telefone tocou. E eu tive que acordar! Que coisa... Acordei meio atordoado e tal. Passei um tempo “acordado” e num impulso, consegui tirar um cochilinho no domingo.
Agora vou esperando ansiosamente chegar a hora de dormir de novo. Pra dormir e sonhar até não poder mais. E só de birra, mais Vinícius ;0)
“Que seja eterno enquanto dure.”
Quel, um beijinho pra vc.

16 setembro, 2009


Uma homenagem à mais linda, querida, fofa, meiga, fascinante, cativante, envolvente, apaixonante, surpreendente advogada do mundo!
Hoje foi uma noite inusitada. Eu queria ficar quieto, aqui em casa, estudando as músicas do show de quinta que vem e coisa e tal, mas foram tantos telefonemas pra irmos ao bar que acabei indo. Na verdade quase desisti aos 47 do segundo tempo, mas resolvi ir. Cheguei lá e encontrei pessoas queridas e tudo mais, ficamos conversando. Eis que quando chega a pessoa em questão, recebo a notícia que ela passou na primeira prova! Nossa! Quanta felicidade! É, eu fico feliz com a felicidade das pessoas que gosto. Era muito divertido. Ela não cabia em sim mesma. Se tivesse um desastre de trem ali na frente acho que ela tava rindo hahaha. Dançou até quando num tinha música, pra ter uma idéia. Mas foi muito gostoso! Fui com o cumpadi Johnny comprar uma champagne (ui que chique haha) pra comemorarmos com estilo.
Fiquei pensando comigo... “nossa, quase que eu não venho”. Alguma coisa ficou me martelando pra eu ir. Eu não ia me perdoar não participar de um momento tão importante. Depois de tanto suor, sacrifício, sambas perdidos, dias e dias nos livros... aí está o resultado: Mais uma etapa cumprida. Agora tem a segunda. Mas como eu já falei pra ela, tenho certeza que tudo vai terminar bem. Continuaremos a farra na sexta, quando comemoraremos seu aniversário antecipadamente. Quem sabe na próxima prova eu consigo levar a faixa “EU JÁ SABIA!!!”
Mari! Parabéns por mais essa! E logo, outros parabéns por mais uma!
Não é bem meu estilo, mas saí escrevendo isso quando cheguei do bar do ontem de noite, tamanha a felicidade. Não quis corrigir nada, então qualquer deslize, foi no calor do momento.
Um beijo pra vc!
PS. Na imagem, a justiça tá parecendo minha mamãe, né? haha Mais uma homenagem à vc, querida, que é essa guerreira batalhadora!

Sorria! Você viu um Saci!

Pertinho da Festa do Saci em São Luís do Paraitinga, evento realizado pela SOSACI da qual tenho a honra de fazer parte, recebo essa notícia sicizística e não poderia deixar de "roubar" e colocar aqui. Lógico que com os créditos. Espero que o autor entenda que isso não é roubo e sim, mais um jeito de divulgar o trabalho e esse símbolo da nossa cultura popular. E hoje será dia de 2 posts! Porque ontem eu me senti especialmente feliz por uma pessoinha muito querida! Aí vai!

SACI ROMPE BARREIRA E COMEÇA A APARECER NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO.
Haroldo Ceravolo Sereza
Do UOL Notícias
Em São Paulo

De um ano para cá, mais ou menos, a criatura mítica do folclore brasileiro passou a fazer aparições na cidade de São Paulo.



Como escreve o autor da travessura, o grafiteiro Thiago Vaz, "É o Saci Urbano!".

"Isso é muito político, porque o Saci vem representar, no meio urbano, o pobre sofredor brasileiro", diz Vaz. O grafiteiro explica que gosta de fazer suas intervenções onde sabe que o personagem pode desaparecer: como a arte de rua, o Saci Urbano é efêmero.
O Saci Urbano, assim, não é apenas uma brincadeira. Em muitos deles, há uma crítica política, que pode ser expressa ou refinada. Durante uma batida policial, por exemplo, vem o aviso: "Quem for negro levanta a mão!" O saci, em vez de levantar uma, como se fosse uma chamada numa sala de aula, levanta as duas, como quem leva uma geral.
Por vezes, essa crítica é menos explícita, mas não necessariamente menos contundente. Na parede de um supermercado, ele conduz um carrinho de compras. Dentro do carrinho, um peixe, como se fosse um aquário: "É o Saci consumista".
Na beira de um rio poluído, o Tamanduateí, o Saci tentava pescar; sintomaticamente, ele já foi apagado da pilastra que sustenta do corredor de ônibus do Expresso Tiradentes. Perto da estação de trem, ele usa uma máscara cirúrgica, escondendo a cara e, ao mesmo tempo, protegendo-se da gripe suína.
Por outro lado, o Saci comemorou a construção de uma ciclovia. Afinal, segundo Vaz, o Saci, acredite, é um cara de bom senso: se uma coisa boa aparece, o negócio é aproveitar.
Como se vê, há um processo de adaptação do Saci para o meio urbano. Porque uma coisa é proteger as matas, outra, com explica o lugar comum, a selva de pedra.
Os Sacis Urbanos começaram a aparecer na região do ABC paulista, em cidades como Mauá, Santo André e São Bernardo. Mas já chegaram ao centro da capital do Estado, como é o caso do grafite que mostra a batida policial, próximo à esquina da rua da Consolação com a avenida São Luís.
Thiago diz costuma pedir autorização para fazer seus grafites, com algumas exceções - algumas delas acabaram sendo bem aceitas e incorporadas pelos proprietários da parede, como é o Saci Consumista.
Em alguns casos, o Saci pode ser um pedido do dono do pedaço. Em Santo André, onde fez um grande painel de um Saci que está na fronteira entre a mata e a cidade, houve uma encomenda. A dona da casa, a artesã Bárbara Castelo Xavier, que faz enfeites para casamentos e batizados, viu o Saci pela cidade, procurou por seu autor e acabou por encontrar Thiago Vaz.
Vaz não quis cobrar. Não sabe ainda se personagem pode fazer comercial. Pediu só que a dona pagasse o gasto com os materiais. Ganhou também um almoço, para depois do encerramento dos trabalhos.
Mas como saber se o Saci que você viu por aí é urbano ou apenas um velho exemplar do mundo rural perdido na cidade, mas ainda não adaptado?
Primeiro, veja o que ele está fazendo: o Saci Urbano, por exemplo, curte andar de skate (embora de vez em quando acabe esborrachado) - e seu estilingue mira contra ratazanas, não contra bucólicos passarinhos.
Outra dica é prestar atenção para a roupa: o Saci Urbano usa uma boina, não um gorro; sua bermuda é jeans e, finalmente, ele usa um tênis bem maneiro - não se sabe se ele gosta do adjetivo maneiro.
Só uma coisa ficou igualzinha nesta transição: o cachimbo. O Saci Urbano continua um fumante inveterado. Como o Saci, tanto o urbano quanto o rural, anda bem comportado ultimamente, é possível que ele cumpra a lei antifumo.
Mas, se não der, ele sempre pode usar um velho truque: desaparecer.

Espero vocês na festa do Saci em São Luís do Paraitinga onde tocarei com meu conjunto de choro dia 01/11. Mais informações em www.sosaci.org

06 setembro, 2009

Música: Benevolência do Samba (Edu Batata)


Oi povo! Hoje vem uma coisinha diferente. Como alguns sabem eu tb adoro samba e tenho a imensa felicidade de ter amigos talentosíssimos e de ter participado dos discos deles. O do Urso eu coloco depois, mas hoje quero destacar uma das faixas do disco que ainda não saiu do meu parceiro Edu Batata. Compositor notável e criativo, cantor afinadíssimo e com muito balanço e um amigo pra todas as horas.
Anteriormente batizado de "Samba é tudo que eu sei", esse diz tudo. "Só Deus sabe tudo o que senti quando o samba entrou no meu lar..." Não dá pra explicar a paixão que temos por isso ou aquilo, num é verdade? Porque gostamos tanto de um time de futebol por exemplo? Porque choramos com derrotas, porque ficamos felizes com vitórias, porque ficamos putos com os dirigentes? Eles nem sabem que existimos. Eles ganham muita grana e nós num ganhamos nada, mas mesmo assim, somos apaixonados. Com o samba, o choro e todo o resto é assim tb. Porque escolhi essa gravação?? O arranjo e o violão são meus. A flauta tb foi escrita por mim, mas tocado lindamente pela Lucila Ferrini. Minha xuxu que eu adoro! Mais uma dessas amigas fantásticas que a vida botou no meu caminho e que eu não largo mais. Eu já disse isso, mas é muito bom vc olhar em volta e ver que está cercado de pessoas fantásticas. Recentemente tem uma que fica bem ao meu lado que me faz muito mais feliz. Mas isso é tema pra outro momento...
Boa audição.

31 agosto, 2009

Algumas "novidades"


SENSAÇÃO: sf. 1. Fisiol. Impressão causada num órgão receptor por um estímulo e que, por via aferente, é levada ao sistema nervoso central. 2. Surpresa ou grande impressão.
Foi isso que rolou!
Depois de um show super gostoso, na companhia de pessoas maravilhosas, tive a infeliz idéia de chamar todos para irmos num concurso de marchinhas de carnaval. Eu já não esperava muito do concurso mesmo, mas eu esperava muito mais do lugar. Um lugar onde eu conheci muita gente e que eu ajudei a levantar. Toquei muito sem receber nada lá. Pra coisa pegar. Nessas horas todo mundo quer mostrar que é seu amigo, que gosta de vc, que vc é necessário praquele resultado comum. Pois foi assim que tudo começou. Amigos se reuniam para beber cerveja, cantar, tocar e conversar. Veio a idéia do "clube". Fizemos estatuto e toda aquela onda. Tudo ia bem, todos adorávamos ficar lá, num lugar onde cada um colocou um pouquinho de si. TIvemos alguns problemas sim, mas coisas normais quando se junta muita gente com pensamentos diferentes e tal, nada muito sério. As coisas foram crescendo e se reformulando. Veio a idéia do Bloco. E lá estava eu de novo, dando força, indo nos ensaios, tirando músicas, saindo no carro de som... tudo em prol da idéia inicial de cultura e tudo mais. A galera fechando as ruas na marra porque o CET não quis nos ajudar no primeiro ano. No segundo ano, já com CET, polícia e um bom carro de som, eu sequer fui avisado. Relevei, pois tinha muita gente pra tocar e as vezes muita mão atrapalha. No terceiro ano o carro de som já não era grande coisa aí os "artistas" não quiseram sair no carro suado. Fui chamado e fiz meu trabalho com muita satisfação e alegria. Com direito a galhos de árvores passando nos músicos e ter que levantar os fios de alta tensão porque ninguém lembrou que a Vila Madalena é cheia de fio e árvore e o carro não podia ser muito alto. Enfim, depois disso eu num saí mais no carro, mas por opção minha, mas continuamos tocando a roda de samba lá. Quando a coisa tava caindo, lá estava eu e meus amigos fazendo uma roda de samba das melhores pra ajudar "a causa". Daí, quando a coisa pegou, tava enchendo e tal, simplesmente colocaram outro pessoal no meu lugar e no lugar do cantor e pronto. Nem dignidade de dizer que não precisávamos mais ir tiveram. Foi uma mentirinha pra uma semana, outra pra outra semana... Depois disso não fui mais, poxa, é mais digno vc abrir o jogo. Não que eu seja melhor nem pior que ninguém, mas educação é tudo. Fui viajar, continuei trabalhando e não conseguia voltar lá depois de uma reforma geral que rolou por pura falta de tempo.
Voltei ontem! E a decepção começou na porta. Levei 7 pessoas pra lá e num rolou nem um descontinho e muito menos um "Que bom que apareceu!". beleza, 10 reais não vão me matar de fome, porque graças a Oxalá eu tenho muito trabalho. Lá dentro revi umas caras conhecidas, alguns surpresos com minha presença e tal, mas as pessoas que começaram a onda comigo, nem tchum. Afinal, já tinham conseguido que eu pagasse.
Quando o dinheiro é mais importante, a coisa fica feia. E papo vai, e tal, fomos pedir uma comida e quando fui falar com a cozinheira que já me conhecia faz tempo, pedi uma caprichadinha na porção (coisa de praxe quando vc é cliente em qualquer lugar) Ela olhou pra minha cara e falou que era aquilo e pronto. Nossa... quanta simpatia... Fiquei surpreso. Pra fechar com chave de ouro, pedi uma cerveja, ia levar na mesa e logo em seguida trazer o dinheiro. Daí escutei do cidadão: Vai lá que eu espero, não vou te dar a cerveja sem vc pagar.
Caralho! Eu nunca deixei de pagar nada. Ainda mais lá, pela "causa". Se um dia eu pendurei alguma coisa, paguei em seguida. Implantamos o clube da cachaça lá. Neguinho bebia a minha pinga sem me pedir e eu nunca reclamei disso. Daí depois ainda temos que ouvir que lá não é casa de caridade? Não é mesmo. Nunca foi, mas agora tá bem claro que a intenção é lucrativa. E até o nível musical caiu demais! Claro, eles conseguiram se queimar com muitos músicos bacanas, agora resta o que tem lá. Infelizmente coloquei muita energia e suor numa coisa que se transformou pelo dinheiro.
Acho que não precisava ser assim. Não digo que queria um tapete vermelho, pois não sou assim, mas um pouco de consideração com quem ajudou tanto, seria no mínimo educado e bonito. O Domingo que começou de um jeito tao bacana e tão gostoso, infelizmente, terminou de uma maneira desastrosa, ao menos pra mim e pro Saulo que tb sentiu muito com a decadência e o verdadeiro caráter de algumas pessoas que tínhamos como membros da família.
Abracei as pessoas que realmente gosto e gostam de mim e me despedi de um lugar que ajudei a construir, mas infelizmente (ou felizmente) não faço mais parte.
Entrou para a lista dos lugares onde eu não piso mais, fazendo companhia com a República das Bananas em Boissucanga.
Um lugar que se diz preocupado com a cultura começa a dar péssimos exemplos. Podem colocar preço em tudo, menos na minha arte e no meu caráter.
O próximo post eu juro que vem com coisas boas. A parte boa do domingo que eu, com certeza vou gravar na memória e no coração, mas eu precisava colocar minha indignação pra fora.

27 agosto, 2009

Música: Chorolix (Ruy Weber)


Mais uma música que estará no meu disco. Essa é muito mais que importante. Foi a primeira música inédita que eu toquei na vida. Música do meu professor e amigo Ruy Weber. Me deu a partitura na maior confiança e desde então é peça obrigatória em todos os meus concertos, seja solo ou em grupo. Uma música que me remete ao universo de Radamés Gnatalli. Um choro moderno, mas sem perder a característica dos choros mais tradicionais. O Ruy tem mais várias músicas que eu quero tocar, mas essa é a que vai pro disco. O arranjo é meu baseado no arranjo do próprio Ruy. Mudei umas coisinhas e começamos a gravar. O Stefano captou perfeitamente o universo da música e colocou um baixo de responsa, inclusive criando algumas frases que eu incorporei como obrigações. O pandeiro do Bebê, na sua sutileza e segurança dão o molho e a interpretação "Jacobiana" e inspiradíssima do bandolim do Renan coloca essa faixa como uma das minhas favoritas do disco.
Boa audição!

Violão e arranjo: Bisdré
Bandolim: Renan Bragatto
Baixo: Stefano Moliner
Pandeiro: Bebê do Góes
Na foto: Bisdré, Ruy Weber, Toninho Carrasqueira e Roberta Valente.

25 agosto, 2009

Músicas: Bossa de Maio (Fabiano Borges)


Amigos! Essa música é muito bacana pra mim.
Composição do Fabiano, lá de Brasília. O Fabiano é um compositor notável. Um violonista de extremo bom gosto. Lembro de quando ele me mandou uma gravação dele dessa música. Eu falei que queria tocar e ele me deu a partitura. Quando disse que iria gravar, ele me agradeceu. Mal sabia ele...
Comecei o arranjo pelo tema. Fiz tudo o jeitinho que ele compôs. Daí entrei em contato com ele e disse "Sua introdução já era. Mudei". Ele ficou meio assim, mas não contestou. Daí falei "Aquele final lá tb mudei, fiz outro". Aí sim ele começou a ficar preocupado. Falou que o final fazia sentido daquele jeito, que tinha que preservar isso e aquilo... Eu ignorei hahah. Mas divertido mesmo foi quando falei que tava indo pro estúdio pra gravar a cuíca na música dele. O bicho quase que pegou a ponte aérea pra Sampa! FAlei pra ele que só mostraria quando estivesse pronta. Dei uma mixadinha de leve e mandei pra ele. Ainda bem que ele gostou. :0)
No decorrer da música, que inicialmente se chamava "Manhã de Maio", eu transformo a manhã de maio de Brasília (como eu a imagino) em uma manhã de maio do meu Rio de Janeiro. Com mais suingue e malemolência. E claro, uma cuiquinha super elegante! Só faltou o barulho do mar, mas daí ficaria muito óbvio. Teve gente que diz que escutou o barulho do mar, é mole?

Mas em resumo, eu adoro essa música e adorei gravá-la. Com certeza será uma das pérolas do meu primeiro disco que to tentando terminar faz um tempo já.

Músicos participantes: Bisdré (violão e arranjo), Stefano Moliner (Baixo), Gabriel Gavi (percussão) e Bebê do Góes (cuíca elegante).
Até a próxima!

23 agosto, 2009

O violão de Meira


Professor de violão dos pupilos magistrais como Baden Powell e Raphael
Rabello, o atemporal Jaime Florence, o Meira, pernambucano de Paudalho, completaria 100 anos de idade em primeiro de outubro deste ano. Chegando ao Rio de Janeiro, então capital federal, em 1928, como integrante do conjunto A Voz do Sertão, organizado por Luperce Miranda, tocou, na década seguinte, no famoso regional de Benedito Lacerda, com Horondino Silva, o Dino 7 Cordas, formando ainda com este, por muitos anos, um respeitado e muito procurado duo de acompanhantes, que participaria
de um sem-número de gravações. Como compositor, teve alguns sucessos: em 1943, com Dino e o letrista Augusto Mesquita, o samba-canção "Aperto de Mão", gostoso de ouvir, por exemplo, na voz do mineiro Luiz Cláudio e lançado pela personalíssima Isaurinha Garcia; do mesmo trio de autores, em 1947, a valsa "Quando a Saudade Apertar", em parceria com Leonel Azevedo, gravada por Orlando Silva; também em 1947; outro samba-canção, "Prêmio de Consolação", com Augusto Mesquita, ainda na voz de Isaurinha Garcia. Num raro elepê de apanhado de registros da Copacabana, "Molambo e Outras Coisas...com Músicas de Augusto Mesquita e Seus Parceiros", pode-se ouvir "Copo D`água", de 1957, na boa interpretação de Carminha Mascarenhas, além, naturalmente, de "Molambo", "pièce de résistence" de seu estro encordoado, que também recebeu versos de Augusto Mesquita. O maior sucesso da carreira de um paraibano nascido em Serraria, de "vozeirão noturno", Roberto Luna, que, residindo no Rio nos anos 50, pôde lançar esse samba-canção, com arranjo do maestro Luiz Arruda Paes, num dez-polegadas da Odeon, de 1956, intitulado "Uma Voz para Milhões".
No sábado passado, dia 22/09, aconteceu uma justa homenagem a esse músico admirado por outros violonistas de referência, e igualmente atemporais Garoto e Dilermando Reis, que foi feita pela rapaziada competentíssima da Camerata Brasilis. O concerto aconteceu na Sala Baden Powell.
Uma simples e importantíssima homenagem a esse grandioso violonista que mostrou com seu talento e sua genialidade que o acompanhamento não é uma coisa menor. Infelizmente hoje em dia, muitos violonistas não sabem disso. Todo mundo quer solar e fazer um monte de coisa. É bom tb, mas o acompanhamento é uma arte que não é pra quem quer...
Até a próxima

Na foto, o famoso “Regional do Canhoto”. Em pé: Luiz Bittencourt, Paulo Tapajós e Meira. Sentados: Dino, Canhoto e Jacob.

21 agosto, 2009

Músicas: Bebê (Hermeto Paschoal)

Como disse ontem, aí vai a primeira gravação do 3 por Acaso. Musicasso do mestre Hermeto. Super Baião nervoso! Eu ao violão, Victor Steiner à viola e Léo Rodrigues ao pandeiro e triângulo.
Detalhe pro final da música que a "zabumba" é feita no violão.
Espero que gostem.

20 agosto, 2009

Músicas: "Medley" Orfeu da Conceição - A Felicidade, Lamentos no Morro e O Morro não tem vez (Tom e Vinícius)


Hoje é dia de ter saudade. Saudade dos amigos que fizeram parte de quase todos os dias da minha vida durante alguns anos. Hoje temos menos contato, mas os encontros são sempre cheios de muita alegria. Com eles formamos o 3 por Acaso. Eu tocava violão, Victor Steiner, viola e o Vitor Cabral, percussão. Éramos até bonzinhos. Nos dávamos muito bem e tal, mas a vida coloca caminhos diferentes na vida de todos. Na formação original quem tocava pandeiro, sempre com sabedoria dos mestres apesar da pouca idade, era o Léo Rodrigues. Sempre que encontro o Léo é uma farra. Um monte de risada, bagunça, lembranças e muito som, obviamente. Com o Vitão da viola o lance é beber cerveja e ter papos quase intelectuais ate eu chutar o balde falando de futebol. O Vitinho eu num vi mais. Mas como aprendi com esse muleque. Sabia muito de filosofia, religião e tal. As tardes no club da cana só num eram tão piores por causa dos papos que tínhamos entre uma entrada e outra, comendo um lanche na padoca.
Num tem muita história pra essa música de hoje. Só boas lembranças dos dias que gravamos. No estúdio do meu grande amigo Sandro Haick. Amanhã coloco uma com o Léo.

19 agosto, 2009

Músicas: Aquela conversa que a gente não teve... (Marcelo Fortuna)


Essa música é muito especial. Parece que ela me escolheu e não o contrário. Xerentando na internet, entrei no site do meu amigo Marcelo Fortuna e tinham algumas composições dele pra violão, mas nenhuma do site me chamou muita atenção pra colocar no repertório assim de cara, então resolvi pedir mais algumas pra ele. Qual não foi minha surpresa quando abro meu mail e tinha um e-mail dele. Junto havia um arquivo compactado. Quando descompactei o maluco tinha me mandado umas 40 músicas! Só pensei comigo: Esse cara é maluco!
Fui olhando e lendo uns pedacinhos. Essa eu gostei do nome e de pronto imprimi. Quando comecei a ler direito, fui me envolvendo com a música. Resolvi que ia gravá-la e dedicar ao meu avô que se encantou meses antes e a um amigo que foi o responsável por hoje eu ser músico profissional. Ele me colocou no palco pela primeira vez pra acompanhá-lo. Devo muito ao Ney Mesquita, que tb se encantou. Uma mudancinha aqui, outra ali, a idéia da percussão só no final e o surdo fúnebre pra simbolizar essas duas pessoas queridas que se foram. Mandei a música pro Marcelo escutar. Dias de tensão se passaram esperando a resposta. Era a primeira vez que eu mudava alguma coisa em uma música sem pedir licensa ao autor. Pra meu alívio ele adorou e contou que essa música ele fez pouco depois do pai dele ter se encantado. Por isso a música não tinha fim. Porque faltaram muitas conversar que eles não tiveram. E a mesma sensação eu tive ao lembrar do meu avô e do Ney. Que coisa louca né? Fiquei muito contente com as palavras de encorajamento do Marcelo e hoje acredito que o Sr. Fortuna (pai dele), Sr. José (meu avô) e Ney Mesquita estão lá em cima olhando por nós dois que nos tornamos mais amigos ainda e torcendo por nós. Um abraço, Marcelo!

Encantar-se: em algumas culturas, como os índios daqui, não se fala em morte, mas em encantamento. A pessoa não morre, se encanta e permanece viva nas forças da natureza.

18 agosto, 2009

Música: Sentimentos (Baden Powell)


Oi gente! Hoje coloco aqui pra vcs escutarem uma das primeiras gravações que fiz aqui em casa. Não lembro sequer o ano, mas essa música é importante demais pra mim. Não é nenhuma das mais conhecidas nem minha favorita, mas é uma composição que me emociona desde a primeira vez que a ouvi. Não tinha a partitura dela e muito menos competência pra tirar de ouvido. Daí fui na fonte. E que fonte! Um pouco antes da morte dele, eu tive a honra de conhecê-lo. E em uma dessas minhas visitas ao Rio, fui à sua casa e entre um papo e outro, falei dessa música. Eis que ele começou a relembrar e quando falou "lembrei!" começou a me ensinar. Passamos a música umas 4 vezes inteira até eu não esquecer nenhum pedacinho. Quando voltei pra casa da minha tia, fiquei tocando exaustivamente e gravei num MP3 que eu tinha (que aliás faz muita falta) pra não esquecer mais. Desde então sempre tocava ela e lembrava com muito carinho e emoção do dia que o mestre me ensinou. E tb da dedicação dele em me fazer entender cada pedacinho da música. Isso pegou muito forte. E aquela imagem do ídolo inatingível que eu tinha caiu definitivamente. Era um cara apaixonado pela música e pelo nosso instrumento, o violão. E infelizmente nosso convívio durou pouco. Uns dois anos depois, ou menos que isso, ele se foi. Foi lá encontrar com seu parceiro Vinícius de Moraes no céu. Sem uísque, porque ele já não bebia mais. Mas um cigarrinho com certeza não iria faltar. Lembro muito bem das piadas, trocadilhos, brincadeiras, histórias e conversas sérias que tivemos. Foram muitas lições, aprendizados e cafés sem açúcar. Depois uma andadinha até a rua pra eu pegar o ônibus e ir pro meu querido Irajá. Completamente bêbado de uma aula de humildade, serenidade e elegância. Aquele senhor de baixa estatura, aparência já fragilizada, óculos grandes, cabelo amarrado e, claro, sempre de branco me ensinou muita coisa, muita mesmo. Suas palavras e sua presença nunca mais saíram da minha memória e do meu coração. E seu violão jamais sairá da alma dos brasileiros. Digo mais, se realmente existe a tal alma do violão brasileiro, ela estava encarnada nesse homem.
Muito obrigado por tudo! Afinal, quem me fez ficar encantado com o som do violão pela primeira vez foi ele, quando eu tinha 3 anos e destruí um LP que pertencia ao meu pai só pra escutar o Berimbau.
Um beijo pra vc, aí no céu, meu mestre supremo BADEN POWELL!

Esse post é totalmente dedicado à Raquel. Pelo papo que tivemos agora há pouco no telefone. Beijinhos, querida.

17 agosto, 2009

Músicas: Cris (Bisdré) - Valsa


Resolvi isso semana passada, mas vou colocar aqui algumas faixas que estarão no meu disco que tá a maior novela pra ser terminado. Assim vcs podem ter um gostinho e ir ouvindo as faixas aqui pra depois comprarem (espero) o disquinho que está sendo feito com muito amor, amizade e carinho.
Começo com uma valsa que eu gosto muito. Valsa que nasceu nas aulas de composição popular com os grandes Eduardo Gudin e Roberto Riberti. De um exercício de composição cheguei nessa valsa que tenho muito carinho por ela. Daí todo mundo pergunta "Quem é Cris?". Eu respondo que Cris não é inicialmente uma pessoa. Quando terminei a música achei que ela tinha um clima meio cinzento, mas Valsa Cinza, ou Valsa Cinzenta ia ficar feio, né? Daí lembrei da letra do Chico Buarque pra música "Imagina" do Tom Jobim onde ele fala "lua cris..." e fui ver o que era esse termo. É uma variação de gris, que além de cinzento, também pode ser usado como eclipsado. PERFEITO! Agora vem a viagem maior. Pra quem se interessa, a música está em dó maior, mas na segunda parte acontece um "eclipse tonal"! Ela vai pra si bemol maior, mas na hora de resolver a harmonia, ela se resolve em dó de novo. pra voltar pra primeira parte. O tom de si bemol maior vem só pra passar na frente de dó e deixá-lo escondidinho por alguns momentos. Achei mó legal isso! Daí chamei de Cris. Por tabela ofereci a valsa à minha amiga Cristina Carneiro, que adorou. Ufa...
Gravação caseira mas que eu gostei bastante da interpretação. Talvez no disco ela esteja um pouquinho diferente.
E pra decepção de alguns, infelizmente a Cris não é uma pessoa. Mas um sentimento.
Espero que gostem, deixem suas observações que elas são de extrema importância, mesmo que não sejam músicos, mas as opiniões de ouvintes são tão importantes quanto a dos "especialistas".
Até a próxima!

16 agosto, 2009

E eis que São Paulo respira melhor! Que piada.


Oi povo!
Faz uma semana e dois dias que em São Paulo não se pode fumar em ambientes fechados. Uma decisão bem polêmica que foi tomada. Dividiu beeeem a opinião de todos. Os fumantes acham que perderam o direito de ir e vir. Afinal de contas, eles têm também alguma razão. Os não fumantes acharam o máximo não ter que respirar aquela fumaceira toda a noite toda. Digo noite porque é onde eu mais vejo a situação. E deles também não se pode tirar a razão. E tem aqueles que são a grande minoria, que concordam com os dois lados e não se incomoda com a fumaça, afinal de contas, moramos em São Paulo.
Afinal de contas... o que será que tá certo? Aquela máxima do seu direito termina onde o do outro começa só deixa tudo mais complicado. Será que é certo tirar o direito de fumar? Será que é certo vender cigarro na padaria? Não faz sentido, né? Se não se pode fumar “onde vc quiser” porque vende cigarro em todo lado? Se realmente o governo quisesse acabar com o fumo por causa da saúde da população, restringiriam a venda, ou simplesmente parariam de vender.
Agora, o mais engraçado e estúpido é aquele painel na Av. Dr. Arnaldo com os dizeres “Fazem xxxxx dias xxx horas e xxxx minutos que São Paulo respira melhor!” Os números vão crescendo conforme o tempo vai passando. E realmente eu constatei que a poluição de Sampa é responsabilidade dos fumantes! Ainda mais ali na Dr. Arnaldo, onde o trânsito é intenso o tempo todo, quase não tem poluição e emissão de gases tóxicos. Eu mesmo, enquanto fumante, pude perceber que o ar de Sampa realmente está bem melhor! Porque carros realmente não poluem, o que polui é o cigarro.
Daí vem aquele bando de palhaço vomitando aquelas frases prontas de efeito sobre quantos cabôcos morrem por causa do cigarro. Realmente os governantes tão muito preocupados com isso. Quanta comoção! E o mais engraçado é que esses mesmos que falam isso, tiram a maior onda de geração saúde e tal vai fazer sua corridinha na Av. Sumaré. Lógico! Um lugar onde se respira muito bem. Nem tem fumantes agora! Agora sim! Mas depois de ficar com o “cooper feito” (adoro essa!) eles pegam o carro e vão pro trabalho. Mas eles não fazem nada de mal, afinal não fumam e não comprometem a saúde de ninguém.
Claro que o lado dos não fumantes tb é compreensível. Afinal de contas, quem gosta de sentir aquela fumaça na cara enquanto come uma boa refeição? Ninguém , não é mesmo? Já vi muito fumante reclamando do ambiente. Mas depois que terminam seu almoço, acendem um cigarro. Irônico não? Com eles é ruim, mas se eles fazem isso, tudo bem. Que coisa né? Uma coisa é certa, a maioria dos fumantes é muito folgada. Quantas vezes eu não vi a cena de um fumante na mesa falar “Dá licença pra eu fumar?” e acende um cigarro. Porra, vc não escutou a resposta! Como acendeu essa porra? E se vc diz não pra licença dele, ele começa a rir porque acha que é piada e acende do mesmo jeito. De um modo geral, fumante é bem chato, mas como toda regra tem sua exceção, não podemos generalizar.
E se pensarmos bem, essa lei nem é tao nova. Já existiam lugares onde não se podia fumar. Isso era facultativo. Agora virou uma obsessão. Beleza, acho mesmo que tem que ter barreira física entre “as alas”, que em determinados lugares como restaurantes e salas de shows, teatros, bares fechados, cinema e toda essa onda, deve ser proibido mesmo fumar. Agora até os botequins de esquina tão sofrendo. E já que num pode fumar dentro, o povo soluciona o problema colocando as mesas na calçada, daí pronto! Fudeu mais ainda, porque vc na rua não passa tb. Eu vejo e fico com raiva daqueles bares de playboy na Vila Madalena como o Galinheiro que teve a cara de pau de colocar aquelas lonas de plástico pra quando tiver chovendo. Aí que fode mesmo. Porque na chuva vc num tem nem a calçada pra andar. E ainda têm a pachorra de riscar na calçada (teoricamente via pública) o espaço do bar. E ai de vc se ficar parado lá.
Pronto, surge mais um problema em fumar somente na calçada. Cadê as latas de lixo dessa cidade???? Aqui em frente em casa tem. Perto do ponto de busão. Mas por exemplo ali no bar onde eu toco, num tem nenhuma. Aliás na rua se vê pouquíssimas latas. E nessa uma semana e 2 dias a quantidade de pontas de cigarro nas calçadas aumentou vertiginosamente! É muito fácil inventar uma lei, sem pensar no que ela pode gerar. Afinal de contas, a única coisa que eles se preocupam é em aumentar o próprio salário. Afinal de contas, já acabaram com o problema da poluição em Sampa, porque São Paulo respira melhor faz sei lá quantos minutos e segundos.
Me sinto muito melhor!

14 agosto, 2009

40 anos sem Jacob do Bandolim

Matéria publicada no Jornal Estado de São Paulo, em 13/08/2009. MIS abrirá
acervo de Jacob do Bandolim

Público terá acesso à obra no Rio, como tributo aos 40 anos da morte do
artista

Lucas Nobile

SÃO PAULO - A grande efeméride desta quinta-feira não é daquelas nostálgicas
e repletas de lamentos. Hoje, dia que se completam 40 anos da morte de Jacob
do Bandolim (Jacob Pick Bittencourt), sobram motivos para comemorações
devido ao respeito no tratamento conferido à obra deixada como legado pelo
maior compositor de choro, ao lado de Pixinguinha.

Graças ao trabalho do Instituto Jacob do Bandolim, entre o fim de outubro e
o início de novembro deste ano, 6 mil partituras do acervo do bandolinista e
350 CDs estarão disponíveis para o público como material de pesquisa, no
Museu da Imagem e do Som (MIS), do Rio.

A grandeza dessa herança é revelada por um lado pouco conhecido de Jacob e
escondido atrás de sua genialidade como instrumentista e compositor.
Perfeccionista e organizado ao extremo, ele tinha o hábito de gravar e
catalogar tudo que o cercava, como os famosos saraus e ensaios que ocorriam
aos sábados no quintal de sua casa em Jacarepaguá, de 1950 a 1969.

As centenas de CDs - fruto da digitalização de 200 fitas de rolos
magnéticos, com 400 horas de gravação - trazem também raridades, como
depoimentos de Jacob, uma entrevista feita por ele com o cantor Orlando
Silva por telefone, programas de rádios dos quais o bandolinista participava
e a íntegra da transmissão radiofônica da final da Copa do Mundo de 1958,
disputada pelo Brasil e pela Suécia.

"É de suma importância que o brasileiro conheça a sua cultura. Nós,
infelizmente, destruímos, o que temos aqui. Eu tenho obrigação de cuidar da
obra do meu pai. As pessoas precisam conhecer o que temos de bom aqui, no
País", diz Elena Bittencourt, filha de Jacob, e presidente do instituto.

A digitalização das partituras ficou sob a coordenação do bandolinista Pedro
Aragão. Já os rolos magnéticos contaram com o conhecimento daquele
considerado por muitos como o sucessor de Jacob, Déo Rian, que ajudou a
identificar as músicas e os integrantes que participaram das gravações. "Eu
convivi com o Jacob de 1961 a 1969.

Daquela turma de músicos, só sobrou eu que podia fazer esse trabalho de
reconhecer os músicos participantes naquelas festas e saraus", diz Déo Rian.

Além de todo esse material, até o fim do ano mais um patrimônio de valor
inestimável deve chegar ao público. O instituto lançará partituras inéditas
encontradas nos arquivos de Jacob. Serão 34 cadernos manuscritos de
composições que nunca foram gravadas, entre elas, raridades dos séculos 19 e
20, com anotações de autores como Arlindo Nascimento, Patrocínio Gomes,
Albertino Aguiar e Candinho.

O caderno mais antigo era do compositor Nestor S. Cauby, com registros de
1887. "Esses cadernos, que já foram digitalizados, eram uma lenda no mundo
do choro. Estamos negociando a impressão com editoras", diz Sergio Prata,
diretor de pesquisa do Instituto Jacob do Bandolim.

*Principais herdeiros*

Hamilton de Holanda: O bandolinista nascido no Rio e criado em Brasília
reforça a tese de que para poder ser criativo e inovador é preciso ter amplo
domínio da tradição. Para tocar de maneira criativa, descobrindo novos
caminhos para o instrumento como vem fazendo, Hamilton, antes de tudo, tem o
repertório jacobiano inteiro "embaixo dos dedos", e grande parte da obra de
Luperce Miranda, bandolinista contemporâneo de Jacob, dono de uma técnica
apurada e de uma velocidade impressionante para executar os solos.

Danilo Brito: Mesmo com pouca idade (24 anos), o paulistano Danilo Brito já
conquistou o respeito não apenas de seus pares de hoje, como também da velha
guarda do choro. Atualmente, ele é o que mais se assemelha ao estilo de
Jacob, tanto no jeito de tirar o som do instrumento quanto na postura de
chorão.

"O Danilo toca com fidelidade à tradição, mas tem um bandolim do século 21.
O próprio Hamilton de Holanda diz que se o Jacob estivesse tocando hoje,
seria muito parecido com o Danilo", comenta Sergio Prata.

Bruno Rian: O jovem bandolinista e conselheiro do Instituto Jacob do
Bandolim segue a trajetória do pai, Déo Rian, amigo e sucessor direto de
Jacob. Com seu disco de estreia como solista recém-lançado, Bruno reedita a
tradição do choro e a limpeza do som que Jacob extraía do instrumento. "Ele
segue a linha do choro tradicional mesmo. Sem contar que ele conhece tudo
sobre Jacob, virou uma referência no assunto. Desde muito pequeno ele ouvia
diversas passagens e histórias que o Déo lhe contava", diz Prata.

[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]

28 julho, 2009

Ah meu Rio!

E finalmente fizemos o tal show que deixou algumas pessoas de cabelo em pé, né Paulinha? Às vésperas ela tava tão tensa que reclamou até do barulho do motor da geladeira do bar. hahahahah
Bom, foi tudo ótimo! E mais uma vez a teoria do NHS (Na Hora Sai) funcionou bem. Exceto no sábado, onde alguma coisa aconteceu. Mas sinceramente, sexta e principalmente domingo nós arrebentamos. O evento em si me deixou um certo clima de desestruturação e desorganização. Era um tal de cada um sabia uma coisa, bagunça nos horários, exigências malucas e um atraso de meia hora que nos custou o público do sábado que foi embora no começo do nosso concerto. Porra! Se a merda do barco sai as 20:00 porque tem show até as 21:00? Não faz sentido, mas na cabeça deles deve fazer.
O melhor de tudo foi rever meu Rio de Janeiro! Tá foi pouquinho, mas quando se está morrendo de saudade, 5 minutos é tempo suficiente. Desde o fim da tarde de segunda, graças a uns problemas de logística e enjôo do povo, até terça por volta de meio dia, foi lindo estar na minha cidade. A praia, a cerveja, o clima, o Bip Bip que continua fantástico. Mas o mais importante foram os novos amigos Léo, Fernanda e a Mãe do Léo que num lembro o nome. Acho que ele não falou... temos a mania de falar: Essa é minha mãe.
Na verdade esse post eu queria escrever só pra pontuar o aparecimento dessas 3 pessoas de forma mais presente na minha vida, já que o Léo é um grande parceiro que me ajudou muito a divulgar meu trabalho com o 3 por Acaso. Agora estamos na luta tb na "vida real".

PS: A saudade dela apertou de uma forma brutal! Acho que esse papo de não ter comunicação é fogo. Mas eu sobrevivi hahaha

22 junho, 2009

Os "tombos" que a vida dá.

“...pueden ser solamente amigos, pero en algun momento uno de ellos se va a enamorar de el otro, talvez por un tiempo, talvez en un mal momento, talvez demasiado tarde, o talvez, (...) para siempre.”

É engraçado como nós corremos atrás de sonhos e realizações e, algumas delas, quando conseguimos se transformam em problemas. Isso acontece direto comigo. É um mistério! Os planetas e essas paradas devem é estar de sacanagem comigo. Imagino até o diálogo deles:
Aí Saturno, bora pra casa 9, só pra sacanear aquele mané?
Demorou, Urano! Já tá! Vamos chamar Vênus também só pra piorar a situação dele?
Já pensou? Nossa... mas acho que é bem o que rola. Há muito tempo eu queria conhecer a terrinha do meu avô. Todo mundo me dava a maior força pra tal. Quando rolou, eu comprei a passagem e tudo mais, começaram os problemas. Era um tal de “mas vc vai mesmo?” “e isso, e aquilo? Como fica” e toda essa baba de quiabo. Resultado de tudo? Perdi uma pessoa formidável que poderia estar ao meu lado até hoje. Mas é claro que tive ótimos resultados tb. O crescimento tanto psicológico como profissional, a delícia que é morar sozinho, a tristeza da saudade dos seus amigos, parentes e da sua pátria... Mas enfim, isso me enriqueceu bastante.
Daí depois que eu voltei, comecei a trabalhar bem mais e todo o resto. E eis que eu conheci uma outra pessoa maravilhosa que me encantou desde o primeiro momento. As coisas foram acontecendo, acontecendo e no meio do processo, mais uma conquista que se transformou numa dor de cabeça sem tamanho. Fazia tempo que eu tentava entrar no circuito artístico dos cruzeiros. E finalmente consegui, mas ficarei 4 meses fora. Ela foi a primeira a saber. E confesso que foi “sofrivelmente” lindo ver aquele rostinho fazer uma expressão de preocupação quando eu disse do período que ficaria fora e em 2 segundos voltar ao sorriso mais encantador do mundo. Aquilo me doeu. E eu disse: Ainda não sei se vou. Vamos mandar o material e esperar. E digo... por ela eu ficaria! Desencanaria e tal. Mas as coisas acontecem... e eu resolvi que tenho que ir nessa jornada. O material foi aprovado e estamos prestes a fechar, mas ainda temos muitas dúvidas e incertezas. Falo agora de mim e dos meus amigos que me acompanharão. Voltando pra ela... também acho que temos muitas dúvidas e incertezas, mas quem melhor que o tempo pra nos mostrar o que as vezes está bem ao nosso olhar e não conseguimos ver, por medo, distração ou opção? Ultimamente, tudo que penso ela aparece. Sonhos, devaneios... tudo. Bom, deixemos nosso destino na mão do Sr. Tempo e vamos ver o que o futuro preparou pra nós. Todos nós...

28 maio, 2009

Momento cultural I

Enquanto eu não termino mais um textinho bacana, coloco aqui o mail do meu amigo lusitano Joaquim Evonio, que julgo ser não só curioso, mas tb de utilidade pública. Pra quem não conhece, o Joaquim é um grande poeta e um amante da nossa língua-mãe (esse hífen caiu? Ainda não me habituei). Ele tem um site muito bacana que é a Varanda das Estrelícias. Um verdadeiro defensor da bandeira lusofônica! Um grande abraço, Joaquim!

Vocês sabem o que é um PALÍNDROMO? Não? Mas é simples!
Um palíndromo é uma palavra ou um número que se lê da mesma maneira nos dois sentidos, normalmente, da esquerda para a direita e ao contrário.
Exemplos: OVO, OSSO, RADAR. O mesmo se aplica às frases, embora a coincidência seja tanto mais difícil de conseguir quanto maior a frase; é o caso do conhecido: SOCORRAM-ME, SUBI NO ONIBUS EM MARROCOS.
Diante do interesse pelo assunto (confesse! Já leu a frase ao contrário!), tomei a liberdade de seleccionar alguns palíndromos da língua de Camões...

ANOTARAM A DATA DA MARATONA
ASSIM A AIA IA A MISSA
A DIVA EM ARGEL ALEGRA-ME A VIDA
A DROGA DA GORDA
A MALA NADA NA LAMA
A TORRE DA DERROTA
LUZA ROCELINA, A NAMORADA DO MANUEL, LEU NA MODA DA ROMANA: ANIL É COR AZUL (essa é foda!)
O CÉU SUECO
O GALO AMA O LAGO
O LOBO AMA O BOLO
O ROMANO ACATA AMORES A DAMAS AMADAS E ROMA ATACA O NAMORO
RIR, O BREVE VERBO RIR
A CARA RAJADA DA JARARACA
SAIRAM O TIO E OITO MARIAS
ZÉ DE LIMA: RUA LAURA, MIL E DEZ

ISTO É QUE É CULTURA! (Essa num é! hahaha)

E já agora, sabem o que é tautologia?
É o termo usado para definir um dos vícios de linguagem. Consiste na repetição de uma ideia, de maneira viciada, com palavras diferentes, mas com o mesmo sentido.
O exemplo clássico é o famoso 'subir para cima' ou o 'descer para baixo'. Será que é diferente do nosso querido pleonasmo? Joaquim, se vir esse post, me explique a diferença, caso exista! Mas há outros, como pode ver na lista a seguir:

elo de ligação (se é um elo...)
acabamento final (é difícil dar o acabamento no começo)
certeza absoluta (Só sei que nada sei)
nos dias 8, 9 e 10, inclusive (não! dias 8, 9 e 10, mas dia 10, não!)
juntamente com (há controvérsias)
expressamente proibido (fala isso pros polícias)
em duas metades iguais (a terceira metade é que interessa!)
sintomas indicativos (uia!)
há anos atrás (Será?)
vereador da cidade (essa eu preciso falar pra saber se o cara é vereador, senador ou "sei-lá-o-que-a-dor")
outra alternativa
detalhes minuciosos (bobagens, meu filho...)
a razão é porque (por causa que eu quero que seje! patz)
anexo junto à carta (pois então...)
de sua livre escolha (viva o livre arbítrio!)
superávit positivo (ai ai)
todos foram unânimes (e ambos os dois tb!)
conviver junto (quase um casamento)
facto real (Arrá! Essa consoante muda caiu que eu sei!)
encarar de frente (e se o cara tiver cara de bunda?)
multidão de pessoas (essa eu nem tinha percebido)
amanhecer o dia (bom dia duendes!)
criação nova (é... pode ser)
retornar de novo (parece frase de jogador de futebol)
empréstimo temporário (porque num pede de uma vez?)
surpresa inesperada (que susto!)
escolha opcional (pelamor!)
planejar antecipadamente (eu acho melhor planejar depois, assim vc sabe exatamente o que aconteceu.)
abertura inaugural (tem a ver com virgindade?)
continua a permanecer (sim, continua...)
a última versão definitiva (ah isso num é figura de linguagem. Trabalhem com criação e computação gráfica. Nunca a última versão é definitiva!)
possivelmente poderá ocorrer (Se pá...)
comparecer em pessoa (manda uma foto!)
gritar bem alto (depende de quem ouve)
demasiadamente excessivo (no popular: é coisa pra caralho!)
a seu critério pessoal (particularmente eu, me permito...)
exceder em muito (mas tem que ser muito mesmo)

Note que todas essas repetições são dispensáveis. Por exemplo, 'surpresa inesperada'. Existe alguma surpresa esperada? É óbvio que não. Devemos evitar o uso das repetições desnecessárias. Fique atento às expressões que utiliza no seu dia-a-dia. Os comentários foram adicionados por mim, por isso são toscos! hahaha

Gostou?
Mande para os amigos amantes da língua portuguesa

06 maio, 2009

Coisas que acontecem por aqui...

Hoje não falarei de futebol. Embora devesse, pois o glorioso aprontou de novo uma falseta, mas como bom apaixonado que sou, em breve colocarei um texto falando do amor ao Botafogo e o orgulho de ser alvinegro mesmo depois de tanta porrada. Também não falarei de política. Mesmo porque não me interessa isso. Só vejo o horário político as vezes porque a Soninha é uma gracinha. Chamem do que for, política pra mim é uma bosta e aquilo ali num tem jeito não. Tem que explodir e começar de novo. Tem gente que fala isso das favelas, mas acho que tem que explodir mesmo é o congresso.
Vamos pra outro assunto mais polêmico que as pessoas falam que não se discute: Religião. Pra ser mais exato, o que me incomoda não é o pessoal que tem tal religião, mas sim os que acham que a sua é a mais certa e a dos outros é errada. To falando do povinho da Renascer! Essa merda que nem o teto deles aguentou tanta barulheira e confusão. Aliás, existe um abaixo-assinado aqui no bairro pra essa porcaria de igreja barulhenta não voltar mais pra cá! Deixem o Cambuci em paz! Lá atrás, aqui mesmo nesse blogue eu escrevi um negocio falando do quanto eles são malas. O link é esse. E recentemente eles foram malas ao quadrado! Vamos aos fatos:
Estava eu sossegado aqui na portaria do prédio onde moro vendo o tempo passar, fumando um cigarro. Era por volta de 22:00. Eis que vem um bando de gente. Tá... num era um baaaando, eram umas 6 pessoas. Nem me abalei. Chegam perto de mim e me dão boa noite. Eu educadamente respondo. E eles:
- Está esperando o ônibus?
- Não. Estou apenas olhando a rua e vendo o tempo passar.
- Viemos orar por você!
- Fiquem à vontade.
- Você tem que levantar, ore conosco.
Puta que pariu! Será que o ser humano não pode mais nem ficar sentado à porta de sua casa como nossos avós faziam? Quem aqui pediu por oração? Eu chamei eles? Eu dei tchau? Ah, vão procurar o que fazer! Antes de começar a ladainha eles se apresentaram e foi aí que eu comecei a sacanear pra ver se eles iam embora logo.
Começaram com eu sou fulana, esse é sei lá quem... E daí vem a pérola:
- Sabe quem é esse irmão?
E eu:
- Claro que não. Nunca vi.
- Esse irmão era dançarino do tchan.
- Nossa e vc não tem vergonha?
- Pra você ver que Jesus cura tudo! Hoje ele não consegue nem rebolar. Ele saiu dessa vida e entrou para o reino do senhor Jesus! Amém!
Detalhe que eles falaram uns 12 améns em menos de 10 minutos. E eu emendei:
- Nossa, cara, você conseguiu não evoluir nada? Que merda!
Conversa vai, conversa vem, eles me convencem a levantar e dá-lhe outra pérola:
- Irmão, você entrega seu coração ao senhor Jesus?
- NÃO! Claro que não!
- Como não?
- Cê tá doida? Coração é importante e só tenho um! Se ele quiser um pulmão (se bem que moro em Sampa, o pulmão num deve estar legal) ou um rim, beleza! Aliás, meus rins estão a ponto de bala! Com tanta cerveja que passa lá, jamais terá uma pedra! Serve um rim?
Dá-lhe mais ladainha sobre o tal senhor Jesus e coisa e tal... E eles insistiram em rezar. Só falei: dá pra acender um cigarro antes?
Na minha caixinha tem um desenho de gosto duvidoso de algo que era pra ser uma versão de pomba-gira. Claro que eles não entenderam a mensagem sub-liminar (esse hífen caiu?). Ah! No meio do processo o Saulo ligou! Pensei: Perfeito! Pedi pra atender o tel que era um amigo muito importante. Atendi, falei com ele, combinamos de ir pro bar e os desgraçados esperaram a pé firme! Cacete! Esse povo faz curso pra ser chato.
Depois disso nada mais interessante aconteceu. Só no final que eu perguntei pra eles se em algum momento eles sabiam se eu tinha alguma religião. Se haviam ao menos perguntado isso antes de vomitar toda aquela história. Óbvio que não. Eles responderam: Não precisamos perguntar, porque o verdadeiro salvador é único.
Aí sim eu mandei à merda. Ser chato, beleza, mas ser ignorante e mal educado, aí tb não.
Enfim... cada dia tenho mais raiva desse pessoalzinho. E o pior é que o coitado do Deus, Jesus... chamem como for! O Coitado não tem culpa de nada!
Nem depois de morrer, ressucitar e sei lá mais o que o cidadão tem paz.
Ô POVO CHATO!

28 abril, 2009

10 Dúvidas sobre a cerveja.

Durante alguns anos, nós amantes desse delicioso líquido de coloração amarelada, espuma sólida e de sabor amargo mas muito refrescante estamos vendo nossa querida cerveja ser culpada por muitos deslizes que devem ser creditados única e exclusivamente ao próprio ser humano. Esse monstro que acaba com nosso planeta e normalmente as cagadas mais homéricas são feitas por monstros que, não contentes em fazerem merdas ainda filam nossa cerveja e nosso cigarro. E aínda colocam a culpa de tudo na loirinha! Um absurdo. Percebendo isso, fizemos uma pesquisa científica com dados REAIS!
Foram levantadas 10 questões de extrema relevância:
1. A cerveja mata?
2. O uso contínuo do álcool pode levar ao uso de drogas mais pesadas?
3. Cerveja causa dependência psicológica?
4. Mulheres grávidas podem beber cerveja sem risco?
5. A cerveja pode alterar os reflexos dos motoristas?
6. Cerveja envelhece?
7. A cerveja atrapalha o rendimento escolar?
8. O que faz com que a cerveja chegue aos adolescentes?
9. A cerveja engorda?
10. A cerveja causa diminuição da memória?

Algumas verdades que nós, amantes da loirinha, fazíamos questão de não ver, são a pura verdade, como vcs poderão ver no nosso primeiro resultado apresentado:
1. A CERVEJA MATA?
Sim. Sobretudo se a pessoa for atingida por uma caixa de cerveja com garrafas cheias. Anos atrás, um rapaz, ao passar pela rua, foi atingido por uma caixa de cerveja que caiu de um caminhão levando-o a morte instantânea.
A lenda que a cerveja é o primeiro passo para o uso das drogas também caiu com nosso estudo:
2. O USO CONTINUO DO ALCOOL PODE LEVAR AO USO DE DROGAS MAIS PESADAS?
Não. O álcool é a mais pesada das drogas: uma garrafa de cerveja pesa cerca de 900 gramas.
Mais um tabu que foi por água abaixo!
3. CERVEJA CAUSA DEPENDÊNCIA PSICOLÓGICA?
Óbvio que não! 89,7% dos psicólogos e psicanalistas entrevistados preferem uísque.
Sobre mulheres grávidas!
4. MULHERES GRÁVIDAS PODEM BEBER SEM RISCO?
Sim. Está provado que nas blitz a polícia nunca pede o teste do bafômetro pras gestantes. E se elas tiverem que fazer o teste de andar em linha reta, sempre podem atribuir o desequilíbrio ao peso da barriga.
Essa foi polêmica! Mas comprovamos com testes científicos e nunca antes realizados (sim! somos pioneiros) que é mais uma mentira que nos é contada desde criança!
5. CERVEJA PODE ALTERAR OS REFLEXOS DOS MOTORISTAS?
Não. Nossa experiência foi feita com mais de 500 motoristas: foi dada uma caixa de cerveja para cada um beber e, em seguida, foram colocados um por um diante do espelho. Em nenhum dos casos, os reflexos foram alterados. MITO!
Essa as mulheres não gostaram.
6. A CERVEJA ENVELHECE?
Sim. A cerveja envelhece muito rápido. Para se ter uma idéia, se você deixar uma garrafa ou lata de cerveja aberta ela perderá o seu sabor em aproximadamente quinze minutos.
Esse foi fácil de comprovar, mas também era um tabu que nos incomodava muito.
7. A CERVEJA ATRAPALHA O RENDIMENTO ESCOLAR?
Não, pelo contrário. Alguns donos de faculdade estão aumentando seu rendimento com a venda de cerveja nas cantinas e bares na esquina.
Essa pesquisa foi feita de uma forma muito antiga. É a amostragem. O resultado é surpreendente!
8. O QUE FAZ COM QUE A BEBIDA CHEGUE AOS ADOLESCENTES?
Inúmeras pesquisas vinham sendo feitas por laboratórios de renome, inclusive o nosso, e todas indicam, em primeiríssimo lugar, o garçom.
Uma dúvida levantada pelas mulheres.
9. CERVEJA ENGORDA?
Não. Quem engorda é você.
E por último, a coisa que mais ouvimos quando estamos contando um causo e esquecemos no meio. Na maioria das vezes o raciocínio ou o fio condutor é cortado por aquele filho da puta que falei acima que vem perguntar se vc tem um cigarro, sendo que ele resolveu que vai fumar mas nunca resolve comprar uma carteira de cigarro.
10. A CERVEJA CAUSA DIMINUIÇÃO DA MEMÓRIA?
Cara! Já falei que não tenho cigarro pra você! Vai comprar o seu que tu fumou minha carteira toda!
Desculpem, voltando à pergunta... Que eu me lembre,
não.

É a ciência em prol da justiça. Em breve será feita uma sobre o cigarro para ver que essa nova lei é outra piada. Porque eles não fazem algo que preste? tipo... alguma coisa para prevenir os desastres com as chuvas que todo mundo sabe que acontece no fim do ano e em Março. E pra ajudar ainda mais, tem um sujeito no Rio de Janeiro que acha que colocando um muro, as favelas param de crescer. To vendo o dia que ele colocará uma plaquinha de "LOTADO" do lado de fora.

27 abril, 2009

Feijoada com "novidades"

Gentes! Um domingo lindo aconteceu na minha vida. Tá podia ter sido perfeito se aquele imbecil não tivesse jogado a bola pra dentro do próprio gol (de novo) no final do jogo do Botafogo contra o Flamengo, mas isso é outra coisa.
A convite de uma amiga que eu adoro muito, mas muito mesmo, fui até o terreiro que ela vai, para participar de uma feijoada (que estava excelente, aliás) em homenagem a Ogum e de quebra ainda rolou um samba com a Velha Guarda do Vai-Vai. Tem tudo pra ser ótimo né? Mas como nem tudo que a gente pensa, acontece, o dia foi muito mais que maravilhoso. A feijoada não dá pra resumir, só posso falar que estava perfeita. O samba divertido, ainda de quebra conhecer a rapaziada da vai-vai que são muito bacanas ainda tive a honra de conhecer a mãe e a avó dela. Que pessoas lindas! Só podia dar no que deu, né?
O clima do lugar, as novas coisas e as histórias que escutei da galera, bons papos, cervejinha que demorou a gelar, mas valeu esperar. Logicamente passei a tarde toda na roda, cantando e tocando. Quando o jogo começou, deu pra tocar umas coisas mais maneiras e mais tranquilas, daí chamamos todo mundo pra fora de novo com mais samba. Acho que cometi uma gafe com o cigarro, mas eu vi outras pessoas fumando, juro! Enfim. DEpois de muuuuuuito tempo sem ir a um terreiro, voltei e foi muito bom. Não teve trabalho, mas a energia tava lá, claro! E quando subi pra ver o lugar dos trabalhos, propriamente dito, senti de novo aquele arrepiozinho gostoso de saber que tem mais gente ali conosco. Ô coisa boa! Foi lindo mesmo. Não sei se a Mari percebeu o quanto eu gostei de verdade. Nunca fui muito bom pra "mostrar" essas coisas, mas eu adorei mesmo. Nem vou falar nada sobre o casamento, porque isso vai tirar o foco do que eu quero deixar registrado aqui. Mas depois conto melhor essa.
Só tem um jeito de terminar esse post.
Mari! Muito, mas muito obrigado mesmo pelo convite! Agora quero abusar de vc e ir tb numa quarta-feira.
Te adoro muito, minha princesa (mesmo sem ver nada ainda) :0)

06 abril, 2009

Receita para a páscoa

Eu fiz! Muito bom!

Receita: BACALHAU COM CERVEJA

Ingredientes:
1 bacalhau, azeite, pimentão, alho, cebola, batatas, sal, cerveja, premiere futebol clube e mulher

Modo de preparo:
Ponha a mulher na cozinha com os ingredientes e feche a porta. Tome cerveja durante duas horas enquanto assiste o premiere futebol clube e depois peça para ser servido.
É uma delícia e quase não dá trabalho!!!

Uma mulher chamada violão!

A obra de Vinícius de Moraes sempre me tocou e sublinhou minha vida. Viviane que o diga, né Vi? Mas esse aí foi fantástico. O mais fantástico foi ele chegar aos meus olhos hoje. Logo depois de ontem que eu peguei aquela chuvarada e estava com meu violão, com minha esposa. Tive como abrigo um orelhão e depois um ponto de ônibus cheio de gente. Abracei ela dentro da capa impermeável e a protegi da chuva. Quando cheguei no bar onde ia, estava completamente encharcado, mas ela, minha amada (uma das 3, e logo virá a quarta) estava intacta. Sem frio, sem água e com muito carinho. Na hora de tocar, panos nas pernas para que ela não se resfriasse. Eu? Ah eu estava no paraíso, todo molhado, mas escutando o lindo som que ela me brinda sempre quando eu preciso. Peço perdão ao Chico Buarque, mas meu melhor amigo é meu violão? Até pode ser, mas eu digo que o meu grande amor são meus violões!


UMA MULHER CHAMADA GUITARRA (Vinicius de Moraes)

Um dia, casualmente, eu disse a um amigo que a guitarra, ou violão, era "a música em forma de mulher". A frase o encantou e ele a andou espalhando como se ela constituísse o que os franceses chamam un mot d'esprit. Pesa-me ponderar que ela não quer ser nada disso; é, melhor, a pura verdade dos fatos.
O violão é não só a música (com todas as suas possibilidades orquestrais latentes) em forma de mulher, como, de todos os instrumentos musicais que se inspiram na forma feminina - viola, violino, bandolim, violoncelo, contrabaixo - o único que representa a mulher ideal: nem grande, nem pequena; de pescoço alongado, ombros redondos e suaves, cintura fina e ancas plenas; cultivada mas sem jactância; relutante em exibir-se, a não ser pela mão daquele a quem ama; atenta e obediente ao seu amado, mas sem perda de caráter e dignidade; e, na intimidade, terna, sábia e apaixonada. Há mulheres-violino, mulheres-violoncelo e até mulheres- contrabaixo.
Mas como recusam-se a estabelecer aquela íntima relação que o violão oferece; como negam-se a se deixar cantar preferindo tornar-se objeto de solos ou partes orquestrais; como respondem mal ao contato dos dedos para se deixar vibrar, em beneficio de agentes excitantes como arcos e palhetas, serão sempre preteridas, no final, pelas mulheres-violão, que um homem pode, sempre que quer, ter carinhosamente em seus braços e com ela passar horas de maravilhoso isolamento, sem necessidade, seja de tê-la em posições pouco cristãs, como acontece com os violoncelos, seja de estar obrigatoriamente de pé diante delas, como se dá com os contrabaixos.
Mesmo uma mulher-bandolim (vale dizer: um bandolim), se não encontrar um Jacob pela frente, está roubada. Sua voz é por demais estrídula para que se a suporte além de meia hora. E é nisso que a guitarra, ou violão (vale dizer: a mulher-violão), leva todas as vantagens. Nas mãos de um Segovia, de um Barrios, de um Sanz de la Mazza, de um Bonfá, de um Baden Powell, pode brilhar tão bem em sociedade quanto um violino nas mãos de um Oistrakh ou um violoncelo nas mãos de um Casals. Enquanto que aqueles instrumentos dificilmente poderão atingir a pungência ou a bossa peculiares que um violão pode ter, quer tocado canhestramente por um Jayme Ovalle ou um Manuel Bandeira, quer "passado na cara" por um João Gilberto ou mesmo o crioulo Zé-com-Fome, da Favela do Esqueleto.
Divino, delicioso instrumento que se casa tão bem com o amor e tudo o que, nos instantes mais belos da natureza, induz ao maravilhoso abandono! E não é à toa que um dos seus mais antigos ascendentes se chama viola d'amore, como a prenunciar o doce fenômeno de tantos corações diariamente feridos pelo melodioso acento de suas cordas... Até na maneira de ser tocado - contra o peito - lembra a mulher que se aninha nos braços do seu amado e, sem dizer-lhe nada, parece suplicar com beijos e carinhos que ele a tome toda, faça-a vibrar no mais fundo de si mesma, e a ame acima de tudo, pois do contrário ela não poderá ser nunca totalmente sua.
Ponha-se num céu alto uma Lua tranqüila. Pede ela um contrabaixo? Nunca! Um violoncelo? Talvez, mas só se por trás dele houvesse um Casals. Um bandolim? Nem por sombra! Um bandolim, com seu tremolos, lhe perturbaria o luminoso êxtase. E o que pede então (direis) uma Lua tranqüila num céu alto? E eu vos responderei: um violão. Pois dentre os instrumentos musicais criados pela mão do homem, só o violão é capaz de ouvir e de entender a Lua.