26 novembro, 2008

Diferenças?


Ou simplesmente maneiras de viver?
Aqui em Portugal existem algumas ooisas que eu comecei a notar. Coisas muito diferentes do que estou acostumado aí no Brasil. Muitas delas eu me pergunto: porque será que não rola no Brasil? São coisas tão honestas, simples e práticas... mas enfim.
Primeira coisa que eu notei, foi no transporte. Sim, porque vim sozinho pra casa onde aluguei o quarto devido ao inconveniente da mala e ao desencontro com a Cristina no Aeroporto. No primiero ônibus até achei normal, pois era um ônibus que fazia o trajeto do Aeroporto, passando pelo centro até o Cais, onde eu ia descer. Não tem cobrador, quem pega a grana é o motorista. Até aí tem alguns ônibus assim aí tb, mas aqui não tem catraca! Você paga e firmeza. Entra e viaja. Só que aí, a coisa começou a ficar mais esquisita... No ônibus de linha normal (que demorou pra caramba aliás) entramos e pagamos, não tem catraca então de boa, mas eu percebi que tinha gente que só mostrava um cartão ao motorista e de boa! Isso me intrigou. Depois fui ver que é um sistema bem legal, mas tb complexo. Tem uma série de "pacotes" que vc paga no mês e viaja quantas vezes precisar nos ônibus, mas tem o pacote que vale só pra determinada parte, outro pra outra... essa parte eu ainda não entendi. Mas num é prático demais? Vc entra, dá um salve pro piloto ou passa seu cartão na maquininha (algo familiar com o nosso bilhete único) e já é. Fácil demais. Dá certo no Brasil? NÃÃÃÃO! Porque? Bom, quem vai ser o sujeito que vai pagar o segundo mês de pacote? Eu num sei. Talvez os honestos que somos poucos. Mas se com bilhete único, cobrador, catraca eletrônica e o diabo, em uma semana já tavam burlando o esquema, imagina assim facinho...
Outra coisa que achei esquisita, fiquei até observando pra ver se era isso mesmo. O caixa eletrônico do banco. O bagulho é no meio da rua! Tem nem uma portinha pra entrar. Vc fica ali na calçada, enfia o seu cartão no buraco (ui) e faz o que tem que fazer. Saques, depósitos, paga contas, carrega celular... é impressionante. Alguém te enche o saco? Claroque não. Tem caixas espalhados pela cidade toda! Se um tá ocupado, vc anda 20 metros e tem outro. Assim num tem fila tb. Que praticidade! Dá certo no Brasil? NÃÃÃÃO! Porque? Fala sério, quem vai ser o corajoso que vai sacar uma grana, por menor que seja assim, no meio da rua? Se na Paulista, no meio do dia, com portas paredes e tudo, quando vc saca já tem um gaiato que sabe exatamente quanto vc tirou, imagina assim?
E o trânsito??? Aliás, que trânsito? Tanto faz no meio de Lisboa quanto aqui em Almada, os motoristas param pra vc atravessar. Isso eu ainda não me acostumei mesmo. Sempre paro e eles tb. hehehe Salvo uma vez que estava na Praça do Marquês de Pombal e fiqueiobservando um semáforo lá. O vermelho pros pedestres acendia uns 10 segundos antes de dar o verde pros carros. Ficava um clima de fórmula 1 ali. Mas tudo bem... era hora do rush e já havia "trânsito" em Lisboa. Nada comparado com os nossos habituais 80 km de lentidão diários às 7 da manhã e 7 da noite.
Ah! Voltando aos transportes, quando fui de comboio (trem) de Belém pro Cais do Sodré, cheguei na plataforma e inocentemente procurei a bilheteria. Claro que num tinha né? Primeiro que não existe bloqueio, nem nada do tipo pra vc chegar na plataforma, vc pega um viaduto e já é. Daí tem a maquininha. Fui lá e comprei minha passagem até o Cais, uns 80 centavos. A maquininha me deu um papel. Beleza. Quando o trem chegou, pra começar eu tinha que apertar um botão pra entrar, ainda bem que um cidadão apertou antes de mim. Senão eu ia ficar lá esperando. Nem vi botão nenhum! E fui a viagem toda esperando que alguma coisa ou alguém viesse pegar meu bilhetinho. Poxa, nada! Nem aquele moço com chapéu engraçado que a gente vê nos filmes... fiquei desapontado. Ainda vou descobrir qual o segredo pra todo mundo pagar assim.
Agora vem a parte ruim... o atendimento nos cafés e restaurantes é péssimo! Sabe aquilo que a gente tá acostumado, do garçom chegar sorrindo, oferecer o cardápio e gentilmente te deixar escolher o prato as vezes fazendo uma piadinha pra descontrair? Esquece! Tirando um restaurante aqui perto de casa e um bar onde só tinha brasileiro atendendo, eu não vi isso em lugar nenhum. O cara chega logo perguntando "o que vc quer?" e não um simpático bom dia, boa tarde ou boa noite. Quando vc o chama ele vem com uma cara que pelamor... Parece que vc tá enchendo o saco. Fiquei super mal. E isso foi num lugar muito de bacana, porque além de tudo pra aceitar car~tão de débito aqui é uma luta. Mas parece que isso é coisa de bar e restaurante, porque nos autocarros foi tudo ótimo, nos elétricos, a mesma coisa... Até a polícia cumprimenta vc na rua.
Ah! e como é gostoso sentar-se na praça e ficar ali fazendo nada, vendo as crianças brincarem e bater um papo bacana de horas com algum senhor que eventualmente senta ao seu lado.
É... eu to adorando isso aqui.

24 novembro, 2008

Bota no Rego! Escola de samba de Sesimbra

Hoje foi noite de samba luso-brasileiro!
Olha que coisa loka! A convite do grande amigo e violonista Marcelo Fortuna, fui a uma final de concurso de Samba-Enredo de uma escola de samba daqui de Portugal. Numa cidade chamada Sesimbra. Como diria a Marilinha: É muita diversão!! Hehehe. Eram 4 sambas na final. Todos bem legais, viu! Os gajos sabem do que tão falando. Muitos deles já estiveram no Rio de Janeiro várias vezes, saíram no carnaval e tudo. Estudaram, escutam samba e fazem do nosso ritmo uma paixão. Ou seja, esses são sambistas de verdade! Porque, como disse João Nogueira e Paulinho Pinheiro “Ninguém faz samba só porque prefere”. E lá eu pude ver o mesmo amor e dedicação que vejo quando encontro meus parceiros Edu Batata, Emerson Urso e Marquinho Dikuã. O Marcelo me levou lá pra eu tocar vioão no carro de som deles no desfile no carnaval. Isso é muito bom! E dei sorte porque o povo lá é muito gente boa. Me deixaram super à vontade, brincamos rimos, falamos de samba, enfim... várias coisas. Ali no cantinho, não me segurei e tive que cantar um samba com eles, antes da elininatória começar. Claro que falei do meu Irajá querido. Foi bacana pacas. Presenteei os novos amigos do GRES Bota no Rego com um cd meu. Eles inclusive me deram as boas vindas no meio do negócio já me convidando a tocar com eles. E me rebatizaram! Pra eles eu sou o André do Irajá, é mole? Acho que precisarei de terapia depois pra dar conta de tantos heterônimos. Vou ali na Brasileira tomar um café com o Fernando Pessoa pra ele me dar algumas dicas.
Na volta o Marcelo veio escutando o meu disco. Gravei duas músicas dele. Uma ele já tinha escutado a outra não. Fiquei contente que ele gostou do que fiz, pois escutou duas vezes seguidas a música e fui dormir com aquela sensação do dever cumprido. Hoje é domingo e acho que vou ficar aqui sossegado. Talvez eu desça pra tomar um sol mais tarde, mas nada de estripulias. Sexta tem concerto.
Até mais!




Ainda no castelo

Cara, esse castelo foi a coisa mais maravilhosa que eu fiz na vida. é fantástico vc poder perceber que essas coisas ainda existem. Foi uma experiência maravilhosa!
E ainda de quebra essas vistas da cidade!







Mais Fotos !!!!

Praça do Comércio. Esse arco é uma coisa linda!




De lá peguei o bonde elétrico e fui até o Largo das Portas do Sol. De onde se tem essa vista de Lisboa.





De lá segue por umas ruas pequenas e chega ao Castelo de São Jorge.




Aqui já é a parte interna do castelo.




Então sobe umas escadas montruosas e rola um mega passeio pelas muralhas do castelo.










Eu nas muralhas antes de ter uma idéia idiota.


Depois de praticar a idéia idiota, lá estava eu na Torre de São Lourenço. Vendo assim, nem parecia tão idiota a minha idéia...


...Mas vendo de outro ângulo...


Fudeu! E agora pra subir???



Respirei fundo, contei até 10 e mandei ver. Ó o resultado:


Tão vendo esse mapinha do castelo? A torre de São Lourenço, essa mesma da idéia idiota nem coube no mapa... é essa coisa que sai à esquerda de vocês... o bagulho é longe viu... e é descida.


Nessa foto aqui do post anterior dá pra ter uma idéia melhor. A torre de São Lourenço é aquela lá em baixo, á esquerda... sentiu o drama?

23 novembro, 2008



Pois é... a coisa aqui parece que está começando a ficar mais agitada. Isso é ótimo!
Sexta eu acordei disposto a ir ao castelo de São Jorge. Fiz o que tinha que fazer de manhã e saí daqui depois de almoçar. Peguei o barquinho até Lisboa e fui pra praça do comércio pegar o elétrico (bonde) pra subir até o castelo. Legal pacas andar de bonde!
Pra chegar até lá eu desci no Largo das Portas do Sol, uma das antigas portas da cidade. Ali tem uma esplanada que nos dá uma linda visão do bairro da Alfama e do Rio Tejo. E uma bela estátua de São Vicente. Perto de lá tb tem a igreja de Santa Luzia que tem uma de suas paredes decoradas com azulejos do século XVII e claro, o miradouro de Santa Luzia onde vc pode curtir uma vista do Tejo e os telhados de Alfama. Como Lisboa foi construída em cima de sete colinas, o que não falta por aqui é ladeira e esses miradouros, que são muito mais lindos quando vc precisa descansar e ainda de brinde tem vistas lindas da cidade. Queria ir até a Sé, mas estava fechada.
Segui as placas e entrei em umas ruelas que me levaram ao Castelo. Na chegada já comecei a curtir meu passeio. As altas paredes de pedra me deram as boas vindas. No meio, a porta de São Jorge, por onde se entra lá. Tudo muito trabalhado. Lá tem uma série de ruas onde se pode passear, mas a minha vontade de entrar no castelo era tanta que nem vi o guichê onde se vendiam as entradas. Fui até a porta e voltei hehhe. Comprei meu ingresso e lá fui eu! Lá em cima a vista da cidade vai se tornando mais bonita a cada olhada. Lá dentro tem uma exposição multimídia que recria a Lisboa do século XVI, mas estava fechada pra reforma. Um restaurante foi feito numa parte da antiga residência real. Passei a pontezinha que dá acesso ao castelo, propriamente dito. Fui atrás da Torre de Ulisses, pra desvendar outra dúvida do camarada Saulo. E pra alegria dele, sim, o tal prato existe! Mas tem um detalhe. Não é mais beeeem como era antes.
Conta a lenda que Ulisses fundou a cidade de Lisboa. É na torre que leva seu nome, onde em outros tempos se guardou o tesouro real, que está instalado o periscópio, um sistema ótico inventado por Leonardo da Vinci no século XVI, único existente em Portugal, que permitia observar a cidade a 360 graus em tempo real. Mas hoje o que faz esse trabalho é uma projeção feita de meia em meia hora para os visitantes, mas é interessante saber que o troço realmente existiu um dia.
Agora, diga-se de passagem... morar num castelo não devia ser fácil! Trabalhar como guarda então, menos ainda! Caraca! Uns degraus imensos! Subir aquilo é tarefa pra poucos mesmo. Mas vale muito a pena. Por cima das muralhas temos as vistas mais fantásticas da cidade! O castelo foi construído na colina mais alta de Lisboa e na área de mais difícil acesso do topo dessa colina. Os caras não brincavam não. Suas 11 torres e grandes muralhas nos dão as condições pra apreciar a vista de todos os cantos da cidade. Os vestígios mais antigos levam ao século VI a.C. Com testemunhos fenícios, romanos e muçulmanos. Mas a existência de um castelo propriamente dito, data do século X – XI, época em que Lisboa era uma importante cidade portuária muçulmana. Em 1147, D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal conquista o castelo e a cidade. De meados do século XVI, o castelo conhece o seu período áureo. É aqui que Vasco da Gama é recebido por D. Manuel depois de regressar da Índia, aqui também foi representada a primeira peça de teatro português, o Auto do Vaqueiro, de Gil Vicente, por ocasião do nascimento do futuro rei D. João III.
Depois do terremoto de 1755 as muralhas do castelo permaneceram em ruínas até 1938 quando Salazar iniciou uma renovação, acrescentando jardins. O castelo atual permite passeios agradáveis e vistas fantásticas.
Eu pelo menos, adorei!

A noite de Lisboa
Saí do Castelo e fui conhecer o pessoal do Couch Surfing! Que bacana! Pessoas da melhor qualidade. Provei a tal da Ginjinha, um licor de Ginja, que é uma cereja. Bem gostoso. Depois fomos parar numa festa mucholoka. Quando a festa miou, fomos atrás de outra. Paramos numa rua onde haviam um monte de casas funcionando e ficamos lá em pé batendo papo (eu pescando palavras no inglês da galera) rindo e tirando onda. Daí amanheceu e lá fui eu de volta pro barquinho hehehehe.

19 novembro, 2008

Detalhes legais!

Um dia ainda vamos dominar o mundo!


Essa casa é inteira decorada com azulejos. Muito bacana!

Elevador Santa Justa




Esse é pro Saulão hein! Aí o Elevador!
Essa é a parte de cima.


Aqui é a vista lateral dessa porta aí.


Aqui dá pra ver bem a falta de teto das ruínas.


Aqui é o Rossio visto do café do elevador.




Uma bela vista do Rio Tejo.


Olha aí, parceiro, uma breja em tua homenagem olhando pro Castelo.


É lá que tá o tal prato. E eu vou lá ver se ele existe mesmo.


Um brinde à Lisboa!


Ô vida besta!