12 setembro, 2007

É saudade só. É só saudade...


Canto do Rio em Sol

I

Guanabara, seio, braço
de a-mar:
em teu nome, a sigla rara
dos tempos do verbo mar.

Os que te amamos sentimos
e não sabemos cantar:
o que é sombra do Silvestre
sol da Urca
dengue flamingo
mitos da Tijuca de Alencar.

Guanabara, saia clara
estufando em redondel:
que é carne, que é terra e alísio
em teu crisol?

Nunca vi terra tão gente
nem gente tão florival.
Teu frêmito é teu encanto
(sem decreto) capital.

Agora, que te fitamos
nos olhos,
e que neles pressentimos
o ser telúrico, essencial,
agora sim és Estado
de graça, condado real.

II

Rio, nome sussurrante,
Rio que te vais passando
a mar de estórias e sonhos
e em teu constante janeiro
corres pela nossa vida
como sangue, como seiva
-- não são imagens exangues
como perfume na fronha
... como pupila do gato
risca o topázio no escuro.
Rio-tato-
-vista-gosto-risco-vertigem
Rio-antúrio

Rio das quatro lagoas
de quatro túneis irmãos
Rio em ã
Maracanã
Sacopenapã
Rio em ol em amba em umba sobretudo em inho
de amorzinho
benzinho
dá-se um jeitinho
do saxofone de Pixinguinha chamando pela Velha Guarda
como quem do alto do Morro Cara de Cão
chama pelos tamoios errantes em suas pirogas
Rio, milhão de coisas
luminosardentissuavimariposas:
como te explicar à luz da Constituição?

III

Irajá Pavuna Ilha do Gato
-- emudeceram as aldeias gentílicas?
A Festa das Canoas dispersou-se?
Junto ao Paço já não se ouve o sino de São José
pastoreando os fiéis da várzea?
Soou o toque do Aragão sobre a cidade?

Não não não não não não não

Rio, mágico, dás uma cabriola,
teu desenho no ar é nítido como os primeiros grafismos,
teu acordar, um feixe de zínias na correnteza esperta do tempo
o tempo que humaniza e jovializa as cidades.
Rio novo a cada menino que nasce
a cada casamento
a cada namorado
que te descobre enquanto rio-rindo.
assistes ao pobre fluir dos homens e de suas glórias pré-fabricadas.

Carlos Drummond de Andrade

02 setembro, 2007

O menino símbolo mágico do Brasil!


Sem muitas palavras... Uma pequena homenagem aos amigos do Quarteto Pererê. Hoje fui no show deles e o som foi ducaraleo! Lembrei dessa letra que a Lan me mandou. Uma música do Guilherme Arantes com letra do Ziraldo.
Adoro a parte que ele fala que o saci é "um menino símbolo mágico do Brasil".

Acorda Saci

O saci pererê o que é?
Um gnomo será que ele é?
Como um gênio da floresta tropical.
O saci o que será que ele é?
Saltitando na pauta o que é?
Do, re, mi, fa, sol, la, si, do
Duende, negro de uma perna só
Acorda, desperta saci.
Teus amigos precisam de ti
Todo mundo precisa de ti
No teu jeito de amor de se dar
Do jeitinho que tens de brincar
Teu cachimbo que te deu pai João
Teu gorrinho lá de Nazaré
Tua lenda que o índio criou
Teu mistério e encanto infantil
És um menino símbolo mágico do Brasil
O saci o que será que ele é?
É menino, é magia é
Força do mundo num só pé
Acorda, desperta saci.