25 junho, 2007

Muita moda de viola


Pois é... mais um convite da minha amiga Lan, mais uma noite bacana pacas! Já havia visto esses caras na TV e gostado muito, quando ela me chamou pro show deles fui na hora. Demais. O nome dos cabôco é Trio Carapiá. E deram uma aula de viola caipira lá no SESC. E convidaram o Paulo Freire, outro grande violeiro que contou um causo que é exatamente o que eu quero escrever aqui pra vcs. Mas escreverei com minhas palavras, porque só o Paulo sabe contar bem.

Certa vez se aproximava uma tempestade e o Curupira passou avisando os seres da floresta: Tempestade!!! Tempestade!!!
A medida que ele gritava, as formigas iam para seus formigueiros, os bichos entravam em suas tocas e as árvores fincavam bem suas raízes na terra. Caiu a tempestade e assim que ela terminou, o Curupira foi ver o se estava todo mundo bem. Eis que ele encontrou um bichinho peludo todo molhado, com cara de bobo (pois não era dali):
- Quem é você? Perguntou o Curupira.
- Sou o Coelho! (com voz de idiota)
- Ué, que é um coelho eu sei, mas nunca te vi aqui. Eu conheço todos os animais da floresta e nunca te vi aqui.
- Mas eu sou um dos personagens mais importantes da história da humanidade!
- É? E quem seria?
- Sou o Coelho da Páscoa! (sempre com voz de idiota)
- De quem?
- Coelho da Páscoa! Eu venho todos os anos e distribuo esses ovos que eu mesmo boto e simbolizam a ressurreição de Cristo!
- De quem?
- Cristo!
- Enfim... mas você quer me convencer que você bota esses ovos coloridos? Nunca ouvi falar que coelho botasse ovo.
- Mas eu sou o Coelho da Páscoa! O personagem mais impor...
- Tá já ouvi isso. Já falou essa parte, mas vc não bota ovo!
- Boto sim!
Depois de uma boa discussão de bota e num bota, o Curupira pegou um raminho de urtiga (a urtiga eu inventei) e fazendo como quem fosse surrar o coelho o intimidou:
- Então bota!
- Mas agora? Assim, de repente?
- Vai! Bota que eu quero ver!
O Coelhinho ficou desesperado, fez força pra botar o raio do ovo de chocolate, mas nada saiu do fiofó do peludinho. Ele abria os olhos e via o Curupira com a urtiga na mão e ficava mais desesperado. Quando viu que não ia dar certo resolveu inverter a situação:
- Mas você não pode fazer isso comigo! Sou a criatura mais importante...
- Bota logo esse ovo e não reclama!
- Você não sabe com quem está falando!
- Ah, não sei? E você, por acaso sabe com quem está falando?
- hum... é verdade! Quem é você criatura esquisita?
O Curupira começou a ficar injuriado:
- Sou o Curupira! Protetor da floresta. Conheço todas as árvores e todos os animais dessa floresta.
- O senhor é o Curupira? Sabe que já ouvi muito falar da lenda do curupira?
- Ah! Então quer dizer que você, que chegou agora, é a criatura mais importante da história da humanidade e eu que vivo aqui desde que essa terra existe, sou só uma lenda? Pegue seus ovos enfie onde você achar melhor e some daqui! GRINGO!!!!


Adorei essa história. E pra fazer uma ponte... o dia do nosso folclore está chegando. Não quero que expulsem ninguém, não me entendam mal, mas o que não pode é resumir a nossa cultura à lendas. Um samba antigo já dizia "...baseado no estrangeiro, reconhecendo primeiro que o Brasil é bem melhor!" Bairrista? Acho é bom!

Ouçam o trabalho do trio Carapiá no sítio deles.
Já Paulo Freire, pode ser escutado por aqui.
Para saber mais sobre o Folclore Brasileiro, clique aqui e
Para conhecer a Associação da qual faço parte, acessem nosso sítio!
Até a próxima!

13 junho, 2007

O meu povo tá doente...


Pois é...
No feriado do dia 7 (o tal do Corpus Christi), lá estava eu sossegado pegando meu honesto ônibus indo para o meu descanso, quando de repente, não mais que de repente (viva Vinicius!) uma trupe de "fiéis" alucinados (seria melhor se fossem os gaviões) invade o busão! Puta merda, será que está escrito (como eles mesmo vivem dizendo) em algum lugar, seja em um post-it, que pra "louvar o senhor" tem que ser chato pra caramba?
Porra, a prefeitura já mandou eles lá pra num sei onde fazer a tal marcha pra jesus que é pra eles deixarem a Av. Paulista em paz. Ou então alguém precisava mostrar pra esse povo que Jesus não está em nenhuma das pontas da Av. Paulista. Têm que mudar o caminho, o destino da marcha, sei lá...
Bom, eles entraram no busão fazendo a maior bagunça, importunando todo mundo com seus "cantos de louvor", "hinos" e todo tipo de baboseiras que se ficassem dentro dos templos construídos com o que sobra do dinheiro dos fiéis (sim, porque antes tem que manter a casa dos Hernandes lá nos EUA) tava tudo menos pior. Mas nãããão! Eles têm que gritar, berrar e ficar um mostrando pro outro que a sua faixinha escrito "Jesus é isso, jesus é aquilo" é mais bonita que a do outro. Fala sério. O farol abre eles mandam "Jesus seja louvado!", o ônibus faz uma curva "Entregue na mão de Jesus!". Fala sério... Jesus deve estar é muito puto com isso tudo. Será que eles lembram do não usar o santo nome em vão? Bom, sei lá. Só sei que fiquei extremamente incomodado com aquela falta de respeito. Já num chega eles fazerem aquele barulho absurdo nos templos? Sem falar que esses templos tb estão isentos de uma porrada de impostos. Que coisa né? Ah e ainda querem garfar grana destinada à cultura (que já é tão estuprada) pra construir e reformar essa porra toda!
Passado o pesadelo, liguei meu radinho (louvado seja deus! Ai, me contaminei!) e começo a escutar um disco do João Nogueira. E ele me deu um recado. Recado que me fez escrever isso tudo. Um Batucajé dele com o Wilson Moreira que eu concordo plenamente. O meu povo está doente...
Tentei colocar o áudio da música aqui, mas não sei como fazer isso. Logo logo acho uma solução. Por enquanto, aí vai a letra da música e o disco completo para que possam curtir essa obra do João.

Batucajé (João Nogueira e Wilson Moreira)
Fez mandinga
Fez mandinga ô ô
Para que os meus caminhos se fechassem
Para que os inimigos comigo cruzassem
Ô... fez mandinga
Ô curimbá
Bambaleê! Curimbá! Bambaleê
Ô saravá nos terreiros d'Angola!
Agô! Agô todos os Orixás!
Num batucajé que vai ao longe eu canto pro meu pai Oxalá!
Oxalá!
O meu povo tá doente.
Dê proteção pra essa gente
Que já não sabe o que faz.
Oxalá!
Ogum mandou me dizer
Que é pra eu pedir pra você
Que ele só não pode mais.
São muitos guerreiros brancos
Na frente, atrás, nos flancos!
De histórias pré-fabricadas
De gritos alucinantes
E cordas desafinadas.
Fazendo um ruído louco
Deixando o ouvido mouco.
Batam palmas para nada!
Oxalá!
Meu samba virou segredo.
O meu povo tá doente
Minha gente tá com medo.
Oxalá!
Três dias é pouco pra gente sambar
No batucajé que vai ao longe eu canto pro meu pai Oxalá!

07 junho, 2007

Samba, cerveja e um pouco de frio...

Ontem tive uma noite maravilhosa!
No dia anterior, minha querida amiga Lan me intimou a aparecer no Ó com ela pra escutarmos outros amigos tocarem. Não pude não ir. E que bom! Pra começar, pra quem não conhece o Ó do Borogodó, bar dos meus queridos Léo e Estê, é um bar pequenino e que se torna ainda menor quando o povo começa a chegar e não para mais de entrar. Então, não adiantou nada pegar uma das escassas mesas "perto" do conjunto, pois o povo chega e fica em pé na sua frente. Não se vê nada, só bundas. E por conta do frio, não se via nenhuma bunda sequer bonitinha. Aí começou a ser usada a palavra da noite: pooooode. Todo mundo vinha e apoiava a bolsa na nossa mesa (pode colocar aqui? - Pooode.), apoiaram garrafas, ganhamos umas doses de cachaça e até um uisque com energético. Quem teve essa infeliz idéia? Mas enfim, passei a noite toda conversando muito com essa amiga querida que há muito não via e começamos a perceber que estávamos "ilhados". Quando falávamos "temos um problema", não era só porque a cerveja acabou. Conseguir uma breja era missão quase impossível. Ninguém via a gente! Só quem queria colocar a bolsa na mesa. "Somos praticamente a filial da cozinha" exclamei! E a Lan foi até lá levar os copos que já eram muits em nossa humilde mesa vermelha de metal. E não ganhamos nem uma gelada de brinde!
E que alegria escutar as composições dos meus amigos Douglas e Kiko. Os caras tão arrebentando. Só coisa linda, bem feita, letras fantásticas... E escutei uma música que fui obrigado a me apossar dela. Um baiao que num sei o nome, mas é no jeito do Guinga. Maravilhosa.
Tinha mais coisa que eu havia falado de escrever, mas não lembro e acabo de me assustar ao ver a hora. Lan, muitíssimo obrigado pela companhia maravilhosa! Adoro você muitão! Preciso dar uma aula! E eu aqui escutando Radamés Gnatalli... Prometo que volto em breve pra escrever mais um pouquinho.