22 outubro, 2007

Ao elegante César



O estilo de chorão e sambista tradicional de César Faria podia ser resumido numa palavra: elegância.

Morreu na noite deste sábado César Faria, fundador do Conjunto Época de Ouro. César Faria, um dos maiores violonistas brasileiros, tinha 88 anos.
Não dá pra escrever um texto sobre esse mestre. Todas as palavras ainda seriam pouco pra falar o que ele fez pela nossa música.
César tinha um jeito único de tocar. Só ele conseguia fazer aquelas coisas. Em um dos discos mais perfeitos de Paulinho da Viola (Memórias chorando), ele optou apenas por um violão. Um violão de 6 cordas tocado com maestria por César Faria, que o conhecia muito bem. Pra finalizar, reescrevo aqui uma frase célebre de Jacob do Bandolim, quando perguntado sobre César Faria:
"O César tem aquele violão que quando vc escuta parece que ele não está lá, mas quando vc tira, faz uma falta tremenda."
César, o senhor já faz uma falta imensa! Sentirei muitas saudades da sua elegância!
Um beijo ao senhor onde quer que esteja.

Legenda da foto: Jacob e o Conjunto Época de Ouro (década de 60) – Em pé: Jonas Silva, César Faria e Carlinhos Leite. Sentados: Dino 7 cordas e Jacob. Obs: Gilberto d’ Avilla não participou dessa foto.

12 setembro, 2007

É saudade só. É só saudade...


Canto do Rio em Sol

I

Guanabara, seio, braço
de a-mar:
em teu nome, a sigla rara
dos tempos do verbo mar.

Os que te amamos sentimos
e não sabemos cantar:
o que é sombra do Silvestre
sol da Urca
dengue flamingo
mitos da Tijuca de Alencar.

Guanabara, saia clara
estufando em redondel:
que é carne, que é terra e alísio
em teu crisol?

Nunca vi terra tão gente
nem gente tão florival.
Teu frêmito é teu encanto
(sem decreto) capital.

Agora, que te fitamos
nos olhos,
e que neles pressentimos
o ser telúrico, essencial,
agora sim és Estado
de graça, condado real.

II

Rio, nome sussurrante,
Rio que te vais passando
a mar de estórias e sonhos
e em teu constante janeiro
corres pela nossa vida
como sangue, como seiva
-- não são imagens exangues
como perfume na fronha
... como pupila do gato
risca o topázio no escuro.
Rio-tato-
-vista-gosto-risco-vertigem
Rio-antúrio

Rio das quatro lagoas
de quatro túneis irmãos
Rio em ã
Maracanã
Sacopenapã
Rio em ol em amba em umba sobretudo em inho
de amorzinho
benzinho
dá-se um jeitinho
do saxofone de Pixinguinha chamando pela Velha Guarda
como quem do alto do Morro Cara de Cão
chama pelos tamoios errantes em suas pirogas
Rio, milhão de coisas
luminosardentissuavimariposas:
como te explicar à luz da Constituição?

III

Irajá Pavuna Ilha do Gato
-- emudeceram as aldeias gentílicas?
A Festa das Canoas dispersou-se?
Junto ao Paço já não se ouve o sino de São José
pastoreando os fiéis da várzea?
Soou o toque do Aragão sobre a cidade?

Não não não não não não não

Rio, mágico, dás uma cabriola,
teu desenho no ar é nítido como os primeiros grafismos,
teu acordar, um feixe de zínias na correnteza esperta do tempo
o tempo que humaniza e jovializa as cidades.
Rio novo a cada menino que nasce
a cada casamento
a cada namorado
que te descobre enquanto rio-rindo.
assistes ao pobre fluir dos homens e de suas glórias pré-fabricadas.

Carlos Drummond de Andrade

02 setembro, 2007

O menino símbolo mágico do Brasil!


Sem muitas palavras... Uma pequena homenagem aos amigos do Quarteto Pererê. Hoje fui no show deles e o som foi ducaraleo! Lembrei dessa letra que a Lan me mandou. Uma música do Guilherme Arantes com letra do Ziraldo.
Adoro a parte que ele fala que o saci é "um menino símbolo mágico do Brasil".

Acorda Saci

O saci pererê o que é?
Um gnomo será que ele é?
Como um gênio da floresta tropical.
O saci o que será que ele é?
Saltitando na pauta o que é?
Do, re, mi, fa, sol, la, si, do
Duende, negro de uma perna só
Acorda, desperta saci.
Teus amigos precisam de ti
Todo mundo precisa de ti
No teu jeito de amor de se dar
Do jeitinho que tens de brincar
Teu cachimbo que te deu pai João
Teu gorrinho lá de Nazaré
Tua lenda que o índio criou
Teu mistério e encanto infantil
És um menino símbolo mágico do Brasil
O saci o que será que ele é?
É menino, é magia é
Força do mundo num só pé
Acorda, desperta saci.

31 agosto, 2007

Meu primeiro violão!


Pois é... não era de pinho, cedro, jacarandá e ébano. Tão pouco tinha tarrachar Schaller ou coisa do tipo. Quem fez não foi o JB, nem Manoel Andrade, nem Jó Nunes, nem Sugiama, nem esses caras aí.
Mas foi o melhor violão que já tive. Dá pra ver minha cara de felicidade? hehe
Era feito de açúcar, farinha, ovos e leite. A luthier? Sra. Therezinha, minha mãe. A idéia foi dos meus pais. Nesse dia lembro que ganhei um disco do Baden. Tá... era o disco que era do meu pai e que eu estraguei inteirinho tentando colocar pra tocar com a destreza de uma criança de menos de dois anos manejando uma agulha de vitrola. Mas ganhei a porra do disco sim! Foi meu primeiro disco! Mó emoção. Mostrei pro Baden a foto que tenho com esse disco na mão e ele ficou olhando um tempão... Foi bacana. Não tive coragem de perguntar o que ele estava pensando.
Ah amigos, não adianta encomendar. Esse modelo é o número 1 e exclusivo.
A foto é de fevereiro do ano de 1980.
Até mais.

28 agosto, 2007

Leo Brouwer no violão de Alvaro Pierri


Parece mesmo que eu to me "contaminando" novamente com a música para violão erudito. Isso é bom. Daí entro na internet e dou de cara com essa jóia rara. Composições do notável Brouwer interpretadas por outro bamba do porte do Alvaro Pierri. Bamba sim! Afinal de contas ainda sou sambista! hehehe

Pierrri veio lá de Montevidéu, a bela e fria capital uruguaia. Entre outros, estudou com o professor Abel Carlevaro. Só isso já bastaria pra se falar que ele é um violonista de primeira grandeza. Como se não bastasse, também estudou com o compositor Guido Santorsola e, depois, no Instituto Nacional de Musicololgia do Uruguai. Fala sério hein!

Pra provar isso tudo com 11 anos ele venceu o famoso "Guitar International Competion", realizado em Buenos Aires e não contente veio pro Brasil e ganhou também a edição brasileira do evento. Tempos depois, venceu o conhecido concurso da Radio France, recebendo a medalha de ouro. Se liga aí Bernardinho!

Atualmente, Pierri é professor famosa "University of Music and Performing Arts" em Vienna.

Nesse disco, Pierri executa obras de Brouwer. São peças maravilhosas do repertório do mestre cubano, como El Decameron Negro (também gravada por John Williams), Elogio de La Danza, enfim, trata-se de uma obra prima. Para quem conhece, não sei porque ainda não baixou o disco hehehe. E para os que não entenderam o que foi dito, escutem e compreenderão.

Boa audição a todos!

Repertório:

01 Danza Característica
02 Elogio de la Danza - Lento
03 Elogio de la Danza – Obstinato
04 El Decameron Negro - I - El arpa del guerrero
05 El Decameron Negro - II - La hudia de los amantes por el valle de los ecos
06 El Decameron Negro - III - Balada de la doncella enamorada
07 Tres Danzas Concertantes – Allegro
08 Tres Danzas Concertantes – Andantino
09 Tres Danzas Concertantes – Toccata
10 Rio de los Orishas - Exordium – conjuro
11 Rio de los Orishas - Danza de las Diosa Negras

Baixe o disco! PARTE 1 e PARTE 2

20 agosto, 2007

E o mundo foi feito!

Essa é velhinha, mas é engraçada. Só pra não dizerem que que não atualizo isso aqui! hahaha.

Deus acessou o sistema as 12:01:00, domingo, 1 de abril.
C:>Faca-se a luz!
Comando ou nome de arquivo invalido

C:>Luz.exe
Luz criada

C:>Rodar Ceu e Terra
Terra e Ceu funcionando.
0 erros.

E Deus criou o Dia e a Noite. Deus viu que havia 0 (zero) erros.
E saiu do sistema as 12:02:00, domingo, 1 de abril.
Deus voltou a acessar o sistema as 12:01:00 da segunda-feira, 2 de abril.

C:>CD TERRA
C:TERRA>Haja firmamento no meio das aguas e da luz.
Comando ou nome de arquivo invalido.

C:TERRA>Firmamento.exe
Firmamento criado

C:TERRA>Rodar firmamento.exe
Firmamento funcionando

E Deus dividiu as aguas. Deus viu que havia 0 (zero) erros.
E Deus desligou as 12:02:00 de segunda-feira, 2 de abril.
Deus voltou ao sistema as 12:01:00, terca-feira, 3 de abril.

C:>florestas.exe
Ok

C:>animais.exe
Ok

C:>Fazer o homem a minha imagem.exe
Erro de sintaxe.

C:>Criar homem.exe
Homem criado.

C:>Fazer o homem multiplicar e povoar a Terra e dominar os peixes as aves, e ter ascendencia sobre todas as coisas que estejam sobre a Terra.
Excesso de caracteres

C:>move homem*.* c:Jardim do Eden.
Diretorio inexistente.

C:>MD Jardim do Eden
Ok

C:>move homem*.* c:Jardim do eden
Ok

C:>Inserir mulher no homem.
Parametros invertidos. Retifique.

C:>Inserir homem na mulher.
Ok

C:>cd "Jardim do Eden"

C:>do Eden Criar desejo.
Operaçao executada.
1 erro(s)

C:>multiplicai.exe
Ok

E Deus viu o homem e a mulher sendo frutiferos e multiplicando no Jardim do Eden
Deus saiu do sistema as 23:00h da Quarta-feira, 4 de abril.
Deus ansioso voltou a acessa-lo 00:02h da Quinta-feira, 5 de abril...

C:>Criar livre arbitrio.
Ok

C:>Rodar livre arbitrio.
Ok

C:>Eliminar desejo
Desejo nao pode ser eliminado devido a criacao do livre arbitrio.

C:>Del livre arbitrio
Livre arbitrio e arquivo inacessivel e nao pode ser destruido.
Acione tecla de substituicao, cancelamento ou help.

E Deus viu o homem e a mulher Jardim do éden, ja não respeitando parâmetros estabelecidos.

C:>Criar o bem e o mal.
Ok

C:>Ativar mal
Ok

E Deus viu que tinha criado a vergonha. Atencao: Erro do sistema na ultima operacao E96. Homem e mulher nao estao em Jardim do eden. 4277732 erros.

C:>SCAN Jardim, E.D.E.N. homem-mulher.
Homem-mulher nao encontrado

C:>DEL vergonha.
Vergonha nao pode ser apagada com mal ativado.

C:>DEL livre arbitrio.
Arquivo inacessivel. Nao pode ser destruido. Acione tecla de substituicao, cancelamento ou help.

C:>Interromper programa!
Exclamacao imperativa torna comando irreconhecivel. Tente interrogacao ou Help.

C:>Suspender programa
Comando ou nome-de-arquivo invalido.

C:>Suspender programa.
Comando ou nome-de-arquivo invalido.

C:>Suspender programa, porra!
Erro de sintaxe.

C:>Criar novo mundo
Disco cheio.

É o que consta nas escrituras...

02 agosto, 2007

Uma dica muito valiosa


Amigos, no mesmo blogue que me deu a honra de colocar o disco do meu trio entre grandes discos da música brasileira, eu "me apresentei" a um disco que me encantou desde a primeira audição. Digo que me apresentei, pois ele estava lá e eu resolvi baixar. Nunca tinha escutado esse nome e isso foi o que mais me deu vontade de escutar. Ludmila Amaral. Uma moça linda, com um sorriso maravilhoso e uma voz apaixonante. Isso sem falar no repertório que é de altíssimo nível e de muita surpresa. Já os arranjos e a interpretação da Ludmila são um caso a parte. Tudo é lindo, desde a capa até o acorde final, o disco DEMO dessa cantora notável (recente amiga no mundo da internet) é simplesmente fascinante. Se o demo é assim, fico aqui ansioso esperando seu primeiro CD que com certeza virá em breve pra ficar na memória e no coração de todos nós que gostamos de música. Pensei em colocar aqui a lista de músicas, mas isso estragaria a surpresa.
Ludmila, um super beijo pra você e muito sucesso!

Baixe o disco "Demo Version" de Ludmila Amaral.

30 julho, 2007

Disco na Rede


Depois de um longo e tenebroso inverno, cá estou novamente. Faz tempo hein... O pior de tudo é que o longo e tenebroso inverno não acabou! Ta doido...
Bom, deixando de papo furado, estou aqui pra fazer mais uma propaganda, dessa vez minha mesmo. Não exclusivamente minha, mas do meu trio. O 3 por Acaso tem seu CD Demo publicado na internet! Em um dos blogues de música brasileira mais acessados da rede. Isso me deixou muito contente e rendeu uma recente amizade com o "dono" do blogue. Coloco aqui tb o link para baixarem o disco. Esse disco é apenas um cartão de visitas para mostrar um pouco do nosso trabalho. Foi feito com muito carinho e muita dedicação não só minha, como dos meus amigos e parceiros, Victor Steiner, Vitor Cabral, Léo Rodrigues e Lipe Canindé. Colocamos no disco músicas que curtimos e que mostram a versatilidade da música brasileira. A foto da capa foi um presente que recebi com muita alegria do meu amigo Tiago Gonçalves. Um fotógrafo talentosíssimo do qual sou fã. Visitem o Favacal para conhecer mais do seu trabalho. O link está logo aqui do lado. Espero que curtam bastante esse disco e quaisquer informações adicionais, basta me escrever.
Só não entendi porque a foto da capa ficou azul aqui... no arquivo ela está bem mais bonita. Juro.
Abraços e beijos à todos.

Baixe o disco!

25 junho, 2007

Muita moda de viola


Pois é... mais um convite da minha amiga Lan, mais uma noite bacana pacas! Já havia visto esses caras na TV e gostado muito, quando ela me chamou pro show deles fui na hora. Demais. O nome dos cabôco é Trio Carapiá. E deram uma aula de viola caipira lá no SESC. E convidaram o Paulo Freire, outro grande violeiro que contou um causo que é exatamente o que eu quero escrever aqui pra vcs. Mas escreverei com minhas palavras, porque só o Paulo sabe contar bem.

Certa vez se aproximava uma tempestade e o Curupira passou avisando os seres da floresta: Tempestade!!! Tempestade!!!
A medida que ele gritava, as formigas iam para seus formigueiros, os bichos entravam em suas tocas e as árvores fincavam bem suas raízes na terra. Caiu a tempestade e assim que ela terminou, o Curupira foi ver o se estava todo mundo bem. Eis que ele encontrou um bichinho peludo todo molhado, com cara de bobo (pois não era dali):
- Quem é você? Perguntou o Curupira.
- Sou o Coelho! (com voz de idiota)
- Ué, que é um coelho eu sei, mas nunca te vi aqui. Eu conheço todos os animais da floresta e nunca te vi aqui.
- Mas eu sou um dos personagens mais importantes da história da humanidade!
- É? E quem seria?
- Sou o Coelho da Páscoa! (sempre com voz de idiota)
- De quem?
- Coelho da Páscoa! Eu venho todos os anos e distribuo esses ovos que eu mesmo boto e simbolizam a ressurreição de Cristo!
- De quem?
- Cristo!
- Enfim... mas você quer me convencer que você bota esses ovos coloridos? Nunca ouvi falar que coelho botasse ovo.
- Mas eu sou o Coelho da Páscoa! O personagem mais impor...
- Tá já ouvi isso. Já falou essa parte, mas vc não bota ovo!
- Boto sim!
Depois de uma boa discussão de bota e num bota, o Curupira pegou um raminho de urtiga (a urtiga eu inventei) e fazendo como quem fosse surrar o coelho o intimidou:
- Então bota!
- Mas agora? Assim, de repente?
- Vai! Bota que eu quero ver!
O Coelhinho ficou desesperado, fez força pra botar o raio do ovo de chocolate, mas nada saiu do fiofó do peludinho. Ele abria os olhos e via o Curupira com a urtiga na mão e ficava mais desesperado. Quando viu que não ia dar certo resolveu inverter a situação:
- Mas você não pode fazer isso comigo! Sou a criatura mais importante...
- Bota logo esse ovo e não reclama!
- Você não sabe com quem está falando!
- Ah, não sei? E você, por acaso sabe com quem está falando?
- hum... é verdade! Quem é você criatura esquisita?
O Curupira começou a ficar injuriado:
- Sou o Curupira! Protetor da floresta. Conheço todas as árvores e todos os animais dessa floresta.
- O senhor é o Curupira? Sabe que já ouvi muito falar da lenda do curupira?
- Ah! Então quer dizer que você, que chegou agora, é a criatura mais importante da história da humanidade e eu que vivo aqui desde que essa terra existe, sou só uma lenda? Pegue seus ovos enfie onde você achar melhor e some daqui! GRINGO!!!!


Adorei essa história. E pra fazer uma ponte... o dia do nosso folclore está chegando. Não quero que expulsem ninguém, não me entendam mal, mas o que não pode é resumir a nossa cultura à lendas. Um samba antigo já dizia "...baseado no estrangeiro, reconhecendo primeiro que o Brasil é bem melhor!" Bairrista? Acho é bom!

Ouçam o trabalho do trio Carapiá no sítio deles.
Já Paulo Freire, pode ser escutado por aqui.
Para saber mais sobre o Folclore Brasileiro, clique aqui e
Para conhecer a Associação da qual faço parte, acessem nosso sítio!
Até a próxima!

13 junho, 2007

O meu povo tá doente...


Pois é...
No feriado do dia 7 (o tal do Corpus Christi), lá estava eu sossegado pegando meu honesto ônibus indo para o meu descanso, quando de repente, não mais que de repente (viva Vinicius!) uma trupe de "fiéis" alucinados (seria melhor se fossem os gaviões) invade o busão! Puta merda, será que está escrito (como eles mesmo vivem dizendo) em algum lugar, seja em um post-it, que pra "louvar o senhor" tem que ser chato pra caramba?
Porra, a prefeitura já mandou eles lá pra num sei onde fazer a tal marcha pra jesus que é pra eles deixarem a Av. Paulista em paz. Ou então alguém precisava mostrar pra esse povo que Jesus não está em nenhuma das pontas da Av. Paulista. Têm que mudar o caminho, o destino da marcha, sei lá...
Bom, eles entraram no busão fazendo a maior bagunça, importunando todo mundo com seus "cantos de louvor", "hinos" e todo tipo de baboseiras que se ficassem dentro dos templos construídos com o que sobra do dinheiro dos fiéis (sim, porque antes tem que manter a casa dos Hernandes lá nos EUA) tava tudo menos pior. Mas nãããão! Eles têm que gritar, berrar e ficar um mostrando pro outro que a sua faixinha escrito "Jesus é isso, jesus é aquilo" é mais bonita que a do outro. Fala sério. O farol abre eles mandam "Jesus seja louvado!", o ônibus faz uma curva "Entregue na mão de Jesus!". Fala sério... Jesus deve estar é muito puto com isso tudo. Será que eles lembram do não usar o santo nome em vão? Bom, sei lá. Só sei que fiquei extremamente incomodado com aquela falta de respeito. Já num chega eles fazerem aquele barulho absurdo nos templos? Sem falar que esses templos tb estão isentos de uma porrada de impostos. Que coisa né? Ah e ainda querem garfar grana destinada à cultura (que já é tão estuprada) pra construir e reformar essa porra toda!
Passado o pesadelo, liguei meu radinho (louvado seja deus! Ai, me contaminei!) e começo a escutar um disco do João Nogueira. E ele me deu um recado. Recado que me fez escrever isso tudo. Um Batucajé dele com o Wilson Moreira que eu concordo plenamente. O meu povo está doente...
Tentei colocar o áudio da música aqui, mas não sei como fazer isso. Logo logo acho uma solução. Por enquanto, aí vai a letra da música e o disco completo para que possam curtir essa obra do João.

Batucajé (João Nogueira e Wilson Moreira)
Fez mandinga
Fez mandinga ô ô
Para que os meus caminhos se fechassem
Para que os inimigos comigo cruzassem
Ô... fez mandinga
Ô curimbá
Bambaleê! Curimbá! Bambaleê
Ô saravá nos terreiros d'Angola!
Agô! Agô todos os Orixás!
Num batucajé que vai ao longe eu canto pro meu pai Oxalá!
Oxalá!
O meu povo tá doente.
Dê proteção pra essa gente
Que já não sabe o que faz.
Oxalá!
Ogum mandou me dizer
Que é pra eu pedir pra você
Que ele só não pode mais.
São muitos guerreiros brancos
Na frente, atrás, nos flancos!
De histórias pré-fabricadas
De gritos alucinantes
E cordas desafinadas.
Fazendo um ruído louco
Deixando o ouvido mouco.
Batam palmas para nada!
Oxalá!
Meu samba virou segredo.
O meu povo tá doente
Minha gente tá com medo.
Oxalá!
Três dias é pouco pra gente sambar
No batucajé que vai ao longe eu canto pro meu pai Oxalá!

07 junho, 2007

Samba, cerveja e um pouco de frio...

Ontem tive uma noite maravilhosa!
No dia anterior, minha querida amiga Lan me intimou a aparecer no Ó com ela pra escutarmos outros amigos tocarem. Não pude não ir. E que bom! Pra começar, pra quem não conhece o Ó do Borogodó, bar dos meus queridos Léo e Estê, é um bar pequenino e que se torna ainda menor quando o povo começa a chegar e não para mais de entrar. Então, não adiantou nada pegar uma das escassas mesas "perto" do conjunto, pois o povo chega e fica em pé na sua frente. Não se vê nada, só bundas. E por conta do frio, não se via nenhuma bunda sequer bonitinha. Aí começou a ser usada a palavra da noite: pooooode. Todo mundo vinha e apoiava a bolsa na nossa mesa (pode colocar aqui? - Pooode.), apoiaram garrafas, ganhamos umas doses de cachaça e até um uisque com energético. Quem teve essa infeliz idéia? Mas enfim, passei a noite toda conversando muito com essa amiga querida que há muito não via e começamos a perceber que estávamos "ilhados". Quando falávamos "temos um problema", não era só porque a cerveja acabou. Conseguir uma breja era missão quase impossível. Ninguém via a gente! Só quem queria colocar a bolsa na mesa. "Somos praticamente a filial da cozinha" exclamei! E a Lan foi até lá levar os copos que já eram muits em nossa humilde mesa vermelha de metal. E não ganhamos nem uma gelada de brinde!
E que alegria escutar as composições dos meus amigos Douglas e Kiko. Os caras tão arrebentando. Só coisa linda, bem feita, letras fantásticas... E escutei uma música que fui obrigado a me apossar dela. Um baiao que num sei o nome, mas é no jeito do Guinga. Maravilhosa.
Tinha mais coisa que eu havia falado de escrever, mas não lembro e acabo de me assustar ao ver a hora. Lan, muitíssimo obrigado pela companhia maravilhosa! Adoro você muitão! Preciso dar uma aula! E eu aqui escutando Radamés Gnatalli... Prometo que volto em breve pra escrever mais um pouquinho.

24 maio, 2007

Relembrando velhos hábitos


Esses dias estive escutando um repertório que pouco tocava. Aliás só tocava no conservatório, talvez por isso tenha criado um trauma de estudar esse repertório. Lembro de dois nomes que eu abominei por anos: Tárrega e Giuliani. Fui obrigado a tocar Capricho Árabe e coisas do tipo. Isso nunca saiu bem na minha mão, talvez seja por isso que eu tb não goste tanto de equações... Tudo era obrigado... era um saco. Hoje com outros ouvidos reescutei a obra de Tárrega e Giuliani e num é que me deu vontade de tocar aquelas coisas? Impressionante como aqueles idiotas que eu chamava de professores (quanta ingenuidade) quase me fizeram esquecer desses compositores.

Prestem atenção nesse disco! David Russell interpretando a obra completa de Francisco Tárrega. Pelo simples fato do título do álbum, creio, já valeria muito à pena a sua audição. Mas a imprescindibilidade de sua audição transcende tal fato. O que vemos em tal álbum, é o profundo amadurecimento musical que um instrumentista pode conservar. É o grande senso de musicalidade. É, enfim, uma profusa demonstração de quão bom um violonista pode ser.

As execuções dessas sublimes peças por David Russell é simplesmente fascinante!

David Russell - Francisco Tárrega Integral de Guitarra
CD 1 - parte 1 e parte 2
CD 2 - parte 1 e parte 2

Para os violonistas, aqui estão todas as partituras em PDF.

Fonte: Site Violão Erudito

17 maio, 2007

Novas impressões


Que surpresa agradável, quando, nessa semana escutei o disco do Yamandu Costa com o Dominguinhos. Não é segredo pra ninguém que eu não gostava do jeito do Yamandu tocar, mas essa semana recebi o "cala a boca seu otário" mais maravilhoso do mundo que foi escutar esse disco. Gostaria que o próprio Yamandu lesse isso, ou até que eu falasse isso pra ele pessoalmente, quem sabe na mesa de sinuca pra passarmos o tempo. Quanta sabedoria! Que violão perfeito e ao mesmo tempo preciso e sem perder a identidade. Do mestre Dominguinhos não tem o que falar. Ele é sempre genial.
Sei que já falei muita besteira e até cheguei a "ofender" pessoas que admiro muito por conta de uma opinião que deveria ser somente pra mim, mas aqui e desde agora quero me desculpar com essas pessoas e deixar registrado: Yamandu Costa, vc tem todo meu respeito e admiração. És, com certeza, um dos maiores violonistas da nossa geração, quiçá o maior.
Coloco aqui esse disco para que todos possam ver que não exagerei em nada. É um dos meus discos de cabeceira, junto com Joyce e Dori (Rio-Bahia), Chico Buarque (Carioca) e Roberta Sá (Braseiro).
Nunca é demais lembrar: gostou do disco? Vá até a loja ou no site da Biscoito Fino e compre. Com certeza não se arrependerá.

Yamandu Costa e Dominguinhos - Yamandu + Dominguinhos (2007)
Parte 1 Parte 2

03 maio, 2007

Renascido?



Pois é... uma vez me falaram que eu tinha um "poder de renascer" uma coisa tipo meio Wolverine hahah. Sabe que eu to começando a acreditar nisso? Tava meio preocupado com minha vida profissional. Depois que voltei de viagem, me pareceu que as coisas desandaram, mas logo foram se arrumando (e estão até agora). Apareceram alunos, alguns trabalhos e principalmente dois novos amigos que me fizeram pegar o sete cordas novamente e com muita alegria. São meus amigos pernambucanos Roberto Vale e João Bosco. O João é um cara animadíssimo e cheio de histórias pra contar. É daqueles malandros de responsa. O Roberto é um grande músico. Bandolinista de primeira qualidade, que honra o apelido que sei que ele não gosta, mas lhe deram pela perfeição que toca seu instrumento: Jacozinho. Como um sucessor do grando Jacob Pick Bittencourt. Nos conhecemos na segunda-feira e dois dias depois estávamos fazendo coisas muito boas musicalmete. Nos entendemos bem com nossas cordas. Vamos ver se dá certo, vou tentar postar junto com o texto um trecho do choro que tocamos. Um Choro lindo de um compositor de lá. Tonhé. Segundo eles, grande violonista. Se tomar por base a composição dele, realmente o cara é fera. Obrigado amigos. Hoje a noite tem samba e muito choro também. E eu voltando ao 7 cordas... quanta saudade!

31 janeiro, 2007

Um post de respeito

Como falei abaixo, o Jobim é o compositor capaz de me tirar do estado material e me fazer viajar por quaisquer mundos. Então volto a evocar Jobim e sua música. Dessa vez no violão que pra mim é um dos mais perfeitos e seguros do mundo. Mestre do arranjo e do violão, Paulo Bellinati mostra nesse vídeo tudo o que sabe. Com um arranjo perfeito de Surfboard, de Tom Jobim. Sou fã do Paulo. E onde acharam discos dele pra comprar, comprem! Prometo que não se arrependerão. E pra falar de violão nada mais lindo que um poema de Garcia Lorca.
Até a próxima!

La Guitarra
Frederico Garcia Lorca

Empieza el llanto de la guitarra.
Se rompem las copas de la madrugada
E inutil callarla.
Es impossible callarla.
Liora monótona
como llora el agua,
como llora el viento
sobre la nevada.
Es imposible callarla.
Llora por cosas lejanas.
Arena del Sur caliente
que pide camelias blancas.
Llora flecha sin blanco,
la tarde sin mañana,
y el primer pájaro muerto
sobre la rama.
!Oh guitarra!
Corazón malherido
por cinco espadas.

30 janeiro, 2007

Meu amigo Tom Jobim

Continuando a saga de aprender como se usa isso aqui, vamos ver se consigo compartilhar com vcs alguma coisa do nosso maestro soberano. Tom Jobim, que faria aniversário na semana passada, foi um dos principais compositores e símbolos de nossa música. Mesmo assim, só ganhou um "especial" de meia hora na TV. E ainda por cima só se lembram dele quando convém pra mídia. Mas paciência. Nós ficamos aqui eternizando sua obra e sua imagem do jeito que dá. Tom, pra mim, é mestre, é professor de harmonia, de música e sentimento. É guru, pois sempre que ele fala parece que tudo para ao meu redor. É o que faz minha alma mais tranqüila. Basta ouvir uma música de Tom que parece que o mundo fica perfeito aos meus olhos. Só tenho uma frustração na vida: Não ter visto Tom ao vivo. São sei o que faria... Talvez o abraçasse, forte, muito forte, com os olhos cheios de lágrimas sem conseguir falar nada. Talvez só olhasse... não sei... Só sei que Tom, pra mim é fantástico!

29 janeiro, 2007

Recordar é viver...

Como ainda num sei usar isso direito e estamos aí às vésperas do carnaval, vamos lembrar um dos episódios mais repugnantes do carnaval brasileiro. Infelizmente foi protagonizado por uma das maiores escolas de samba do Rio de Janeiro. Em 2005 a escola de samba Portela depois de uma série de papagaiadas na avenida, "fechou com chave de ouro" seu desfile quando não deixou a Velha Guarda entrar na avenida. Dizem que estudamos a história para aprender e não repetir os erros cometidos. Espero que seja verdade. Eu já não achava graça nenhuma em carnaval, mas depois disso, prefiro passar o carnaval dormindo. Ainda mais agora que até a Mangueira, que só tinha moças da comunidade como rainhas e madrinhas de bateria (aliás, qual a diferença entre elas?), esse ano sairá com a Preta Gil à frente da bateria da verde e rosa, a ex-escola do meu coração. Eis o que foi publicado. Um abraço!

O País que barrou a Velha Guarda (Artigo de Joaquim Ferreira dos Santos - Jornal O Globo de 19/02/2005)

Sem muitos motivos para desejar ser agradável, segue a crônica da quarta-feira de cinzas. Esse é o país - já que de vez em quando aparece alguém nos jornais perguntando que país é esse - esse é o país em que se bate o portão na cara da Velha Guarda da Portela porque, se ela desfilar, vai prejudicar a festa. Esse é o país que acabou de passar na sua televisão e nas primeiras páginas dos jornais. O país da bunda jovem, da redondilha maior em que queremos todos meter a nossa poesia e dar dez, nota dez sem tirar de dentro. O país do chulo. Do rabo como item cultural. O resto é velharia. Descartável. Um bando de tradições miseráveis que só atrapalha a evolução da escola, desconta ponto no quesito harmonia, atravanca o progresso geral da nação e provoca cacófatos danados como esse.
Dois anos atrás um ministro de assuntos ordinários chamou toda essa gente velha pra fila, pôs embaixo do sol e ligou o gás. Os pretos velhos sobreviveram. Agora bate-se-lhes com o portão na cara. Falta bunda redondinha na Velha Guarda da Portela, falta silicone nos seus peitos muxibinhas, falta botox em suas beiçolinhas africanas. E, onde já se viu?, ainda querem passar sob as luzes da mesma avenida em que a câmera voadora da Globo dá uma geral de frente e verso, por cima e baixo, da Juliana Paes. Aqueles crioulos velhos da Portela fugiram da polícia no século passado, cresceram no sapatinho, improvisaram à luz das gambiarras, batucaram na cozinha, botaram toneladas de paio no feijão, mas infelizmente não sabem mais se comportar diante do camarote da Nestlé. Inventaram a festa, os pobres coitados. O que adianta se não têm mais pique para desfilar no tempo previsto?! Fecha o portão no reco-reco deles! Aos rigores do novo regulamento e da falta de respeito com qualquer cheiro de tradição! Isso aqui, ô, ô, é o terreiro que está reescrevendo a frase clássica de que um país se faz com homens e livros. O acúmulo de conhecimento já era. Bullshit. O Brasil é feito de homens e bundas novinhas. Bundas de preferência calipígias, esse best-seller de carne crua suculenta, steak tartar para se cair de boca e devorar, procurando em sua pimenta escondida um sentido que explique nossa falta de cabeça e imaginação.
O carnaval de 2005 vai entrar para a história como aquele em que os velhos da Velha Guarda choraram, marginalizados pelo estigma de estarem na festa desde o seu início. Foi o carnaval em que as bundas invejosas sorriram por estarem agora usufruindo da delícia de comandarem o cordão moderno. Esse é o país - já que a toda hora aparece um beletrista perguntando para onde vamos - esse é o país que vai sempre atrás de um rabo qualquer balançando. Não à toa, as grandes exemplares da nova raça são chamadas "cachorras". Nada contra a bunda, Deus que me livre de tamanha heresia, e seu poder de animação pândega. Há até quem sugira, na roda de chope do Bracarense, que ela roube do cinema o slogan de "a melhor diversão". Pode ser. Mas o pandeiro em que se bate aqui é outro.
Fernando Pamplona inventou os enredos sobre a história dos negros, Joãozinho Trinta dimensionou os carros para os novos tempos, Fernando Pinto popicalizou a festa - e, à cultura da Mangueira, dos malandros do Estácio, das tias baianas da Praça Onze, esses artistas revolucionários iam acrescentando sua imaginação respeitosa para com o passado.
Em 2005, a grande novidade do desfile foi um laquê que mantém as bundas mais durinhas, bundas agora tão vitreamente plastificadas que já deixaram para trás sua vocação original. Viraram autênticos carros alegóricos. Breve, estarão entre os quesitos a serem pontuados por especialistas formados nos cursos da Liga das Escolas (Este ano, a propósito, já surgiu nos jornais um analista de rainhas de bateria, essas senhoras que nada mais são do que as melhores bundas de cada agremiação. O crítico pontuou cada uma delas, digo, as rainhas, com análise muito séria de performances, de suas relações com os ritmistas e empatia com o público.) Uma bunda é uma bunda é uma bunda - acho que Gertrude Stein andou dizendo alguma coisa parecida - e todas juntas podem até fazer uma festa animada sábado à noite num apê de Copa. Carnaval, se eu entendi o que estava escrito nos sambas de Silas de Oliveira, é a história de outra orgia. Nela, Tia Surica, em quem bateram com o portão na cara, vale mais que a Carol Castro, em quem só bateram com as carícias dos flashes.
A história dos povos ainda não registra nenhuma cultura formada a partir do par de glúteos, talvez porque eles sejam comuns a todos os povos. Falta-lhes originalidade artística. Não é verdade sequer, como julgam os especialistas, que as bundas nacionais são melhores que as de todos os países do Mercosul e da União Européia juntas. Mentira, orgulho bobo. As bundas brasileiras apenas são mais exibidas. Esse é um país que gosta de esquecer sua História, seja por falta de fosfosol no cérebro, seja porque preferiria que ela fosse diferente. Bater com o portão na cara do passado e liberar o acesso das neobundas galácticas de laboratórios é uma dessas tentativas equivocadas de reescrever o Brasil como um puro-sangue que não cabe em si, muito menos na calça da Gang, de tão arrogante.
São 500 anos de poucas glórias. Inventamos uma mistura de limão com cachaça, o chute com três dedos - e o que mais mesmo? A Portela fez com o carro da Velha Guarda o que os jornalistas fazem com seus textos. Deixam a parte menos interessante para o final porque, se não couber no espaço, corta-se por aqui mesmo. Ninguém sentirá falta das idéias desbundadas. Chama-se a técnica de "pirâmide invertida". Os pretos velhos dos subúrbios são aqueles que abriram a roda e aprenderam a bater tambor de um jeito diferente, o tal do samba, uma das outras colunatas dessa civilização pobre, pero divertida, que eles ajudaram a erguer.
No desfile da Portela, a Velha Guarda estava no final, um penduricalho sem importância, pronto para o abate - e não deu outra. Esgotou o tempo? Corta fora a velharada que só astravanca o progressio. Eu acho o contrário, mas sei que nesse bundalelê geral minha opinião também pouco interessa. Pode cortar. Fecha o portão na cara dessa velha-guarda jornalística.