17 Novembro, 2009

50 anos sem Heitor Villa-Lobos


Na semana que se completam 50 anos da morte de um que talvez tenha sido o músico que mais defendeu o Brasil e sua cultura popular, eu não vi nenhuma demonstração de "gratidão" com o mestre. Pra não falar que não vi nada, uma emissora de TV falou que ia passar um documentário, mas não falou dia nem hora. A TV cultura apresenta um "Mosaicos" especial. Mas TV cultura num vale. Eles sempre lembram dessas coisas. Agora, é muito mais importante o povo ver a fazendo que saber da obra e vida de seus pilares culturais. Falando em Pilar, na Cidade de Pilar do Sul, hoje haverá uma grande festa em virtudo desses 50 anos. Acompanhe em www.pilarcultural.org. Coloco aqui um texto que recebi faz alguns meses do amigo Alexandre Dias e agradeço ao Américo Esteves Rodrigues pela notícia.


PROGRAMAÇÃO DEDICADA A VILLA-LOBOS
O homem que tocou o Brasil

Nos 50 anos da morte de Heitor Villa-Lobos, principais orquestras do país programam concertos em homenagem ao compositor das Bachianas brasileiras. Antigos colaboradores falam do mestre:

A herança que Heitor Villa-Lobos deixou para a história da música tem a marca de um profeta. Nascido no Rio de Janeiro em 5 de março de 1877, levou ao mundo sonoridade ímpar de peças inspiradas na cultura popular brasileira. Não bastasse a vasta e competente obra, para inúmeras formações, que divulgou a singularidade da arte produzida no Brasil, ele apontou caminhos para o desenvolvimento do popular e do erudito, promovendo estreitamento dos laços entre os dois continentes. E ainda foi um dos precursores do ensino da música como disciplina não apenas obrigatória, mas essencial, nas escolas públicas. Cinquenta anos depois de sua morte, em 17 de novembro de 1959, vítima de câncer, o maestro e seu legado são lembrados em todo o mundo. Ao mestre, dizem os artistas, todo o reconhecimento pela universalidade de sua
inspiração.
Villa-Lobos tornou-se mais que uma bandeira, mas uma bússola indispensável. Ele não é apenas o pai da música de concerto no Brasil, mas também da nossa música popular", diz o violonista maranhense Turíbio Santos, diretor do Museu Villa-Lobos, no Rio de Janeiro. Ele lembra como o maestro influenciou outro mestre brasileiro, Tom Jobim,
no CD Mistura brasileira, em que demonstra essa afinidade. Para ele, a genialidade de Villa-Lobos está na capacidade de sintetizar a riqueza de referências múltiplas e antecipar o que viria a ser definido como identidade da música brasileira em todas as suas vertentes. "Assim como os brasileiros têm saudades da feijoada quando estão muito tempo fora do país, os músicos sentem falta de Villa-Lobos. A obra dele está na nossa essência, diz respeito à alma do nosso povo. Isso faz dele um "gênio", analisa Turíbio Santos.
Maestro e diretor musical da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, Fabio Mechetti adianta que a Série Vivace, da temporada 2009 de concertos, terá homenagem a Villa-Lobos durante todo o ano. Serão lembradas obras importantes do repertório sinfônico, como A floresta do Amazonas, as Bachianas brasileiras 3, 7 e 9, e Uirapuru, entre outras. "A música dele chamou a atenção do mundo pelo exotismo, pela
capacidade de retratar temas, ritmos e sons muitos próprios. Isso causou impacto enorme, além de ter sido um grande educador.
Villa-Lobos foi um dos responsáveis pelo processo de emancipação da sociedade brasileira no que tange à música erudita", comenta o maestro.

Em todo o país, Heitor Villa-Lobos será lembrado durante este ano em concertos das principais orquestras brasileiras, grupos instrumentais, cantores, músicos sinfônicos e populares. Em Belo Horizonte, as homenagens também serão intensas e em vários gêneros

PROGRAMAÇÃO DEDICADA A VILLA-LOBOS
Presença na memória brasileira
A cantora lírica Maria Lúcia Godoy e o flautista Sebastião Vianna recordam o mestre Villa-Lobos e sua marca pessoal na criação da obra e nos projetos de educação musical

Luciano Carneiro/O Cruzeiro/Arquivo EM - 15/8/1957
O compositor Villa-Lobos em ação: pesquisa dos motivos populares brasileiros fundamentam obra de reconhecimento universal

O primeiro e único contato da cantora lírica mineira Maria Lúcia Godoy com o maestro Heitor Villa-Lobos ocorreu na juventude da artista, que anos depois seria considerada uma das principais intérpretes da obra vocal do maestro. Ela ensaiava Remeiro do São Francisco, da série Modinhas e canções, no auditório do Instituto de Educação, em Belo Horizonte, quando o compositor entrou na sala, acompanhado pelo
maestro José Siqueira. "De repente vi um homem com aquela cabeleira, olhos fuzilantes e charuto na boca. Ele parou um instante, me ouviu, elogiou minha voz e disse que um dia escreveria algo para mim", lembra Maria Lúcia. E acrescenta: "Mal sabia ele que já havia composto a Bachiana nº 5, que cantei tantas vezes como solista", brinca a cantora, fazendo referência a uma das peças que a consagrou no palco.

Ela conta que se sente agraciada por ter descoberto na mocidade obra tão intensa. "Entrei num mundo encantado e minha relação com o trabalho dele tornou-se algo embrionário. Esse encantamento aconteceu num tempo em que não tinha a menor noção da importância dele", comenta. Maria Lúcia Godoy define o maestro como "a expressão máxima de um mestre", pela qualidade de sua escrita, mas também pela capacidade de propor temas relevantes. Em A floresta do Amazonas, ela avalia, está o "grito musical" de um compositor atento a questões mundiais, como a degradação da natureza. "A música dele nos toca profundamente porque reflete o quanto ele amou o Brasil e a nossa cultura."

ORFEÔNICO
Para o flautista mineiro Sebastião Vianna, que atuou como assistente de Villa-Lobos no Conservatório Nacional de Canto Orfeônico entre 1944 e 1950, no Rio de Janeiro, meio século sem o maestro não pode ser lembrado sem que seja feita a devida menção à "elegância e inteligência" de um compositor que sabia da importância de seus
ideais. "Convivi com ele durante sete anos, de segunda a sexta-feira, e fui testemunha do ritmo em que trabalhava. Pela manhã, ele se concentrava em compor, no apartamento da Rua Porto Alegre, onde morava. Depois do almoço, ia para o conservatório, onde ficava até o início da noite", conta. Enquanto fazia revisão das obras dele, que circulavam por outros estados, como São Paulo, e também eram enviadas
aos Estados Unidos. Vianna convivia com o maestro e seus convidados,e aprendia critérios de uma escrita sofisticada e ao mesmo tempo popular.
"Ele era cheio de si e até um pouco temperamental. Todos os grandes escritores, compositores e intelectuais da época o procuravam", diz, lembrando o pianista Arthur Rubisntein e o compositor Florent Schmitt. Para Sebastião Vianna, a lembrança mais emocionante do maestro é da ocasião em que ele conseguiu reunir 40 mil crianças no estádio do Vasco, cantando a quatro vozes. "Só um homem da competência dele e com
o amor que tinha pela educação musical conseguiria este feito", afirma o flautista, que tem no repertório várias peças do mestre.

MOTIVOS NACIONAIS

Pianista e compositor que participou de projetos que envolvem a obra de Villa-Lobos, Túlio Mourão observa que o maestro foi um dos "formuladores da identidade nacional" para a música brasileira.
Camargo Guarnieri, Francisco Mignone, Guerrra Peixe, além de Egberto Gismonti e Hekel Tavares estão entre os sucessores de um comportamento que virou escola. "É muito nítida essa busca de motivos nacionais e populares na música dele e como esse aspecto influenciou outros grandes talentos da nossa música", diz.
Para Mourão, o gênero instrumental também assimilou essas referências, ainda que indiretamente para alguns. "É impossível ouvir Egberto ou Tom Jobim e não fazer a associação. Mesmo quem não conhece profundamente a obra de Villa-Lobos recebe a influência dele por essas outras vias", diz o músico. Para ele, a atitude nacionalista precisa, de alguma forma, ser retomada na música contemporânea. "Existe muito na tradição popular brasileira para ser revelado e repertório que
comporta essa contextualização na atualidade.

Uma breve biografia do mestre

• 1887 – Nasce Heitor Villa-Lobos no dia 5 de março, no Rio de Janeiro, na Rua Ipiranga, Bairro de Laranjeiras, filho de Noêmia e Raul Villa-Lobos.

• 1900 – Compõe, para violão, sua primeira peça, Panqueca, em homenagem à mãe

• 1905-1912 – Viaja pelo interior do Brasil, conhecendo o país, o povo e seus hábitos, cantos e danças.

• 1908 – Compõe os Cânticos sertanejos para pequena orquestra, e a primeira das peças (Mazurka-Choro) que formariam a Suíte popular brasileira, concluída em 1923.

• 1910 – É contratado como violoncelista de uma companhia de operetas que se dissolve no Recife. Vai a Fortaleza, Belém, Amazonas e chega até a ilha de Barbados, onde começa a escrever as Danças características africanas.

• 1912 – Compõe sua primeira grande ópera, Izaht.

• 1917 – Compõe os balés Amazonas e Uirapuru

• 1918 – Compõe A prole do bebê n° 1, para piano solo.

• 1919-1935 – Compõe as Canções típicas brasileiras, para canto e piano.

• 1920 – Escreve o Choros n° 1, para violão, dando início à criação do ciclo de 14 Choros

• 1921 – Dá início à composição do Rudepoema, obra concluída em 1926

• 1923 – Subsidiado pelo Congresso brasileiro, faz sua primeira viagem à Europa.

• 1928 e 1929 – Compõe os 12 Estudos para violão e os dedica a Andrés Segóvia.

• 1930 – Dá início a dois marcos em sua vida – a composição das 9 Bachianas brasileiras e o projeto de educação musical.

• 1943 – É nomeado diretor do Conservatório Nacional de Canto Orfeônico, criado em 1942 pelo governo federal.

• 1945 – Escreve o primeiro dos cinco concertos para piano e orquestra.

• 1948 – Descobre câncer na bexiga e realiza uma primeira e bem-sucedida cirurgia no Memorial Hospital de Nova York.

• 1955 – No Carnegie Hall de Nova York faz ouvir, pela primeira vez, sua Sinfonia nº 8, dirigindo a Orquestra da Filadélfia.

• 1959 – Grava, com o soprano Bidu Sayão e a Symphony of the Air, A floresta do Amazonas. Morre no Rio de Janeiro, aos 72 anos, em 17 de novembro, sendo velado no Theatro Municipal e enterrado no Cemitério São João Batista. Na lápide de seu túmulo lê-se: "Considero minhas obras como cartas que escrevi à posteridade sem esperar resposta."



Muito obrigado, Villa-Lobos!

19 Outubro, 2009

Comboio de Cordas


Pois é, povo. Hoje serei um bocado egocentrista. Depois de um fim de semana compretamente zicado e onde só aumentaram meus problemas amorosos e minha baixa estima subiu, finalmente um dia bom! VIVA!!!
Hoje consegui fazer tudo o que eu precisava. Acordei num horário bom, treinei, estudei, mexi no bagulho da inscrição do Proac, não fumei (tá fumei 2 cigarros) e lá fui eu pra uma reunião de uma das cosias mais legais que fui convidado.
Vamos do começo. Meu amigo Léo Costa me convidou, por intermédio e indicação do Ruy e do Chico pra um projeto muito bacana. O Comboio de Cordas conta com um grupo de 10 violonistas (pra começar) que estão preocupados em simplesmente tocar suas músicas ou seu violão da forma que mais lhe agradar. Ou seja, sem rótulos, sem necessidades de agradar e tal, apenas faremos nossa música. Parece bobo né? Mas pergunte pra qualquer músico quantas vezes ele teve que tocar músicas que já tá de saco cheio ou que simplesmente não gosta só porque alguém que tá no lugar gosta. Ou quantas vezes um violonista tocou uma peça mó legal e vem um cabôco e fala: toca uma coisa animada!
Enfim, isso não vem ao caso. De prima aceitei o convite por ter vindo de um amigo e de um músico que respeito e admiro. Toquei pouco com o Léo, mas escutei algumas vezes o trabalho dele. Qual não foi minha surpresa quando recebi os nomes dos outros envolvidos. E hoje encontrei quase todos eles nessa reunião. Zé Barbeiro, Ruy Weber, Daniel Murray, Chico Saraiva, Kiko (do quarteto Pererê)... Só fera! E eu lá perdido no bolo. Fiquei muito feliz em fazer parte desse seleto grupo e muito mais feliz em perceber o quanto esses meus professores e porque não dizer, ídolos respeitam meu trabalho. Quando eu disse que não me achava um compositor e sim, um músico que as vezes compõe, a variedade de caretas e desaprovação para a minha frase foi algo que, em outros casos me deixaria bem chateado, mas não hoje. Não lá! O Kiko disse: Você é sim um compositor! Quando olhei pro lado o Chico só acenou que sim com a cabeça. Ganhei a noite com a aprovação desses caras. Todos eles! Conversamos sobre nossos começos, sobre violão, estilos de composição e tudo mais. Foi muito bom ouvir e contar. Nasce o Comboio de Cordas. Com seu primeiro concerto no dia 03/11. Nossos idealizadores Léo e Muari abrirão o ciclo de concertos onde teremos além deles, o quarteto Pererê, o Cau, o Zé e fechando esse primeiro mês eu e o grande amigo Alê Cueva.
Eu fico muito feliz e me sinto mesmo, muito honrado por fazer parte desse grupo, dessa idéia e ter ao meu lado, mais que grandes violonistas, e sim grandes amigos. Mas a maior alegria é perceber a admiração mútua entre todos os integrantes desse comboio. O mais interessante é que faremos os shows num espaço dirigido à educação. Ou seja, usaremos o violão não só como o transportador das nossas idéias musicais, mas tb da nossa paixão e da cultura. Os concertos terão bate-papo com a platéia e tal. Promover a cultura e educação através da música. Vamo que vamo! Tem tudo pra dar certo e como disse o Léo antes de começarmos a reunião: O comboio já é um sucesso só pelo time reunido.
Cheguei em casa e resolvi que tinha que colocar isso em algum lugar, se bem que não dá pra colocar em palavras a alegria e o orgulho que estou sentindo nesse momento.
Espero vocês nos concertos que com certeza serão todos muito bons.

22 Setembro, 2009

Na TV!

Num misto de sono, preguiça, canseira, dor de cabeça e com muita vontde de colocar alguma coisa aqui, lembrei do programa de TV que fizemos com a Nãnãna da Mangueira. Uma tarde bacana pacas com meus amigos Wesley Ferreira e Edu Batata regada a muita cerveja e quitutes e premiado com a deliciosa rabada com polenta mole da Janaína. Uau! O programa foi ao ar semana passada e eu não consegui ver nenhuma vez, mas alguns amigos viram. Enfim. Foi bem legal. TOcamos duas músicas "Pura Paixão" de Nonô do Jacarezinho e "Remador de todas as marés" de Edu Batata e Maurinho de Jesus. Eu adorei. DEpois a Nãnãna ainda me convidou pra gravar umas faixinhas em um disquinho demo dela, fiz um arranjo bacana que colocarei depois pra vcs. Ando meio monotemático ultimamente mas eu tô é adorando escrever sobre esse tema único que surgiu no meu caminho. Mas por enquanto fiquemos com os vídeos do programa.
Até.


Bisdré (Pandeiro e Tamborim), Edu Batata (Cavaquinho) Wesley Ferreira (Violão de 7 cordas).

17 Setembro, 2009

Esperando a hora de dormir...


Olha, faz tempo que eu num me sentia “bobo” assim, mas... É a vida. Como se estivesse dormindo e não tivesse a menor vontade de acordar.
E quer saber? Tô mais é adorando isso! É bom demais. Como diz outro samba “Não tiro você da lembrança, não tiro o seu nome da boca”. É assim que eu ando, por causa de você.
Foi chegando de mansinho, assim como quem não quer nada e quando vi, já estava entregue aos seus encantos (que aliás não são poucos). Um sorriso, uma cervejinha, um papo gostoso... depois uma festa e logo mais um espetáculo teatral e pronto! Como disse Vinícius (sim! Eu adoro parafrasear o poetinha) “Quem poderia dizer que Orfeu, Orfeu cujo violão é a vida da cidade,... ...que ele, Orfeu, ficasse assim rendido aos teus encantos?” Pois foi bem o que aconteceu. E que sofrimento que foi esse feriado! E eis que no rádio, viva a Rádio Cultura AM, um samba da Rosa Passos que diz “Nem um samba me levanta com você longe de mim”. É isso! Era assim que eu tava! Toquei direto, mas e daí... não tinha o meu sorriso quando eu olhava pro lado, nem meu abraço, nem meu beijo, nem nada. E no final do mesmo samba eu imploro “Nunca mais me faça isso, nunca mais me deixe assim.” Duas semanas inteirinhas “com você longe de mim” Mudei um pouquinho pra ficar mais real.
Mas aí o telefone tocou. E eu tive que acordar! Que coisa... Acordei meio atordoado e tal. Passei um tempo “acordado” e num impulso, consegui tirar um cochilinho no domingo.
Agora vou esperando ansiosamente chegar a hora de dormir de novo. Pra dormir e sonhar até não poder mais. E só de birra, mais Vinícius ;0)
“Que seja eterno enquanto dure.”
Quel, um beijinho pra vc.

16 Setembro, 2009


Uma homenagem à mais linda, querida, fofa, meiga, fascinante, cativante, envolvente, apaixonante, surpreendente advogada do mundo!
Hoje foi uma noite inusitada. Eu queria ficar quieto, aqui em casa, estudando as músicas do show de quinta que vem e coisa e tal, mas foram tantos telefonemas pra irmos ao bar que acabei indo. Na verdade quase desisti aos 47 do segundo tempo, mas resolvi ir. Cheguei lá e encontrei pessoas queridas e tudo mais, ficamos conversando. Eis que quando chega a pessoa em questão, recebo a notícia que ela passou na primeira prova! Nossa! Quanta felicidade! É, eu fico feliz com a felicidade das pessoas que gosto. Era muito divertido. Ela não cabia em sim mesma. Se tivesse um desastre de trem ali na frente acho que ela tava rindo hahaha. Dançou até quando num tinha música, pra ter uma idéia. Mas foi muito gostoso! Fui com o cumpadi Johnny comprar uma champagne (ui que chique haha) pra comemorarmos com estilo.
Fiquei pensando comigo... “nossa, quase que eu não venho”. Alguma coisa ficou me martelando pra eu ir. Eu não ia me perdoar não participar de um momento tão importante. Depois de tanto suor, sacrifício, sambas perdidos, dias e dias nos livros... aí está o resultado: Mais uma etapa cumprida. Agora tem a segunda. Mas como eu já falei pra ela, tenho certeza que tudo vai terminar bem. Continuaremos a farra na sexta, quando comemoraremos seu aniversário antecipadamente. Quem sabe na próxima prova eu consigo levar a faixa “EU JÁ SABIA!!!”
Mari! Parabéns por mais essa! E logo, outros parabéns por mais uma!
Não é bem meu estilo, mas saí escrevendo isso quando cheguei do bar do ontem de noite, tamanha a felicidade. Não quis corrigir nada, então qualquer deslize, foi no calor do momento.
Um beijo pra vc!
PS. Na imagem, a justiça tá parecendo minha mamãe, né? haha Mais uma homenagem à vc, querida, que é essa guerreira batalhadora!

Sorria! Você viu um Saci!

Pertinho da Festa do Saci em São Luís do Paraitinga, evento realizado pela SOSACI da qual tenho a honra de fazer parte, recebo essa notícia sicizística e não poderia deixar de "roubar" e colocar aqui. Lógico que com os créditos. Espero que o autor entenda que isso não é roubo e sim, mais um jeito de divulgar o trabalho e esse símbolo da nossa cultura popular. E hoje será dia de 2 posts! Porque ontem eu me senti especialmente feliz por uma pessoinha muito querida! Aí vai!

SACI ROMPE BARREIRA E COMEÇA A APARECER NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO.
Haroldo Ceravolo Sereza
Do UOL Notícias
Em São Paulo

De um ano para cá, mais ou menos, a criatura mítica do folclore brasileiro passou a fazer aparições na cidade de São Paulo.



Como escreve o autor da travessura, o grafiteiro Thiago Vaz, "É o Saci Urbano!".

"Isso é muito político, porque o Saci vem representar, no meio urbano, o pobre sofredor brasileiro", diz Vaz. O grafiteiro explica que gosta de fazer suas intervenções onde sabe que o personagem pode desaparecer: como a arte de rua, o Saci Urbano é efêmero.
O Saci Urbano, assim, não é apenas uma brincadeira. Em muitos deles, há uma crítica política, que pode ser expressa ou refinada. Durante uma batida policial, por exemplo, vem o aviso: "Quem for negro levanta a mão!" O saci, em vez de levantar uma, como se fosse uma chamada numa sala de aula, levanta as duas, como quem leva uma geral.
Por vezes, essa crítica é menos explícita, mas não necessariamente menos contundente. Na parede de um supermercado, ele conduz um carrinho de compras. Dentro do carrinho, um peixe, como se fosse um aquário: "É o Saci consumista".
Na beira de um rio poluído, o Tamanduateí, o Saci tentava pescar; sintomaticamente, ele já foi apagado da pilastra que sustenta do corredor de ônibus do Expresso Tiradentes. Perto da estação de trem, ele usa uma máscara cirúrgica, escondendo a cara e, ao mesmo tempo, protegendo-se da gripe suína.
Por outro lado, o Saci comemorou a construção de uma ciclovia. Afinal, segundo Vaz, o Saci, acredite, é um cara de bom senso: se uma coisa boa aparece, o negócio é aproveitar.
Como se vê, há um processo de adaptação do Saci para o meio urbano. Porque uma coisa é proteger as matas, outra, com explica o lugar comum, a selva de pedra.
Os Sacis Urbanos começaram a aparecer na região do ABC paulista, em cidades como Mauá, Santo André e São Bernardo. Mas já chegaram ao centro da capital do Estado, como é o caso do grafite que mostra a batida policial, próximo à esquina da rua da Consolação com a avenida São Luís.
Thiago diz costuma pedir autorização para fazer seus grafites, com algumas exceções - algumas delas acabaram sendo bem aceitas e incorporadas pelos proprietários da parede, como é o Saci Consumista.
Em alguns casos, o Saci pode ser um pedido do dono do pedaço. Em Santo André, onde fez um grande painel de um Saci que está na fronteira entre a mata e a cidade, houve uma encomenda. A dona da casa, a artesã Bárbara Castelo Xavier, que faz enfeites para casamentos e batizados, viu o Saci pela cidade, procurou por seu autor e acabou por encontrar Thiago Vaz.
Vaz não quis cobrar. Não sabe ainda se personagem pode fazer comercial. Pediu só que a dona pagasse o gasto com os materiais. Ganhou também um almoço, para depois do encerramento dos trabalhos.
Mas como saber se o Saci que você viu por aí é urbano ou apenas um velho exemplar do mundo rural perdido na cidade, mas ainda não adaptado?
Primeiro, veja o que ele está fazendo: o Saci Urbano, por exemplo, curte andar de skate (embora de vez em quando acabe esborrachado) - e seu estilingue mira contra ratazanas, não contra bucólicos passarinhos.
Outra dica é prestar atenção para a roupa: o Saci Urbano usa uma boina, não um gorro; sua bermuda é jeans e, finalmente, ele usa um tênis bem maneiro - não se sabe se ele gosta do adjetivo maneiro.
Só uma coisa ficou igualzinha nesta transição: o cachimbo. O Saci Urbano continua um fumante inveterado. Como o Saci, tanto o urbano quanto o rural, anda bem comportado ultimamente, é possível que ele cumpra a lei antifumo.
Mas, se não der, ele sempre pode usar um velho truque: desaparecer.

Espero vocês na festa do Saci em São Luís do Paraitinga onde tocarei com meu conjunto de choro dia 01/11. Mais informações em www.sosaci.org

06 Setembro, 2009

Música: Benevolência do Samba (Edu Batata)


Oi povo! Hoje vem uma coisinha diferente. Como alguns sabem eu tb adoro samba e tenho a imensa felicidade de ter amigos talentosíssimos e de ter participado dos discos deles. O do Urso eu coloco depois, mas hoje quero destacar uma das faixas do disco que ainda não saiu do meu parceiro Edu Batata. Compositor notável e criativo, cantor afinadíssimo e com muito balanço e um amigo pra todas as horas.
Anteriormente batizado de "Samba é tudo que eu sei", esse diz tudo. "Só Deus sabe tudo o que senti quando o samba entrou no meu lar..." Não dá pra explicar a paixão que temos por isso ou aquilo, num é verdade? Porque gostamos tanto de um time de futebol por exemplo? Porque choramos com derrotas, porque ficamos felizes com vitórias, porque ficamos putos com os dirigentes? Eles nem sabem que existimos. Eles ganham muita grana e nós num ganhamos nada, mas mesmo assim, somos apaixonados. Com o samba, o choro e todo o resto é assim tb. Porque escolhi essa gravação?? O arranjo e o violão são meus. A flauta tb foi escrita por mim, mas tocado lindamente pela Lucila Ferrini. Minha xuxu que eu adoro! Mais uma dessas amigas fantásticas que a vida botou no meu caminho e que eu não largo mais. Eu já disse isso, mas é muito bom vc olhar em volta e ver que está cercado de pessoas fantásticas. Recentemente tem uma que fica bem ao meu lado que me faz muito mais feliz. Mas isso é tema pra outro momento...
Boa audição.

31 Agosto, 2009

Algumas "novidades"


SENSAÇÃO: sf. 1. Fisiol. Impressão causada num órgão receptor por um estímulo e que, por via aferente, é levada ao sistema nervoso central. 2. Surpresa ou grande impressão.
Foi isso que rolou!
Depois de um show super gostoso, na companhia de pessoas maravilhosas, tive a infeliz idéia de chamar todos para irmos num concurso de marchinhas de carnaval. Eu já não esperava muito do concurso mesmo, mas eu esperava muito mais do lugar. Um lugar onde eu conheci muita gente e que eu ajudei a levantar. Toquei muito sem receber nada lá. Pra coisa pegar. Nessas horas todo mundo quer mostrar que é seu amigo, que gosta de vc, que vc é necessário praquele resultado comum. Pois foi assim que tudo começou. Amigos se reuniam para beber cerveja, cantar, tocar e conversar. Veio a idéia do "clube". Fizemos estatuto e toda aquela onda. Tudo ia bem, todos adorávamos ficar lá, num lugar onde cada um colocou um pouquinho de si. TIvemos alguns problemas sim, mas coisas normais quando se junta muita gente com pensamentos diferentes e tal, nada muito sério. As coisas foram crescendo e se reformulando. Veio a idéia do Bloco. E lá estava eu de novo, dando força, indo nos ensaios, tirando músicas, saindo no carro de som... tudo em prol da idéia inicial de cultura e tudo mais. A galera fechando as ruas na marra porque o CET não quis nos ajudar no primeiro ano. No segundo ano, já com CET, polícia e um bom carro de som, eu sequer fui avisado. Relevei, pois tinha muita gente pra tocar e as vezes muita mão atrapalha. No terceiro ano o carro de som já não era grande coisa aí os "artistas" não quiseram sair no carro suado. Fui chamado e fiz meu trabalho com muita satisfação e alegria. Com direito a galhos de árvores passando nos músicos e ter que levantar os fios de alta tensão porque ninguém lembrou que a Vila Madalena é cheia de fio e árvore e o carro não podia ser muito alto. Enfim, depois disso eu num saí mais no carro, mas por opção minha, mas continuamos tocando a roda de samba lá. Quando a coisa tava caindo, lá estava eu e meus amigos fazendo uma roda de samba das melhores pra ajudar "a causa". Daí, quando a coisa pegou, tava enchendo e tal, simplesmente colocaram outro pessoal no meu lugar e no lugar do cantor e pronto. Nem dignidade de dizer que não precisávamos mais ir tiveram. Foi uma mentirinha pra uma semana, outra pra outra semana... Depois disso não fui mais, poxa, é mais digno vc abrir o jogo. Não que eu seja melhor nem pior que ninguém, mas educação é tudo. Fui viajar, continuei trabalhando e não conseguia voltar lá depois de uma reforma geral que rolou por pura falta de tempo.
Voltei ontem! E a decepção começou na porta. Levei 7 pessoas pra lá e num rolou nem um descontinho e muito menos um "Que bom que apareceu!". beleza, 10 reais não vão me matar de fome, porque graças a Oxalá eu tenho muito trabalho. Lá dentro revi umas caras conhecidas, alguns surpresos com minha presença e tal, mas as pessoas que começaram a onda comigo, nem tchum. Afinal, já tinham conseguido que eu pagasse.
Quando o dinheiro é mais importante, a coisa fica feia. E papo vai, e tal, fomos pedir uma comida e quando fui falar com a cozinheira que já me conhecia faz tempo, pedi uma caprichadinha na porção (coisa de praxe quando vc é cliente em qualquer lugar) Ela olhou pra minha cara e falou que era aquilo e pronto. Nossa... quanta simpatia... Fiquei surpreso. Pra fechar com chave de ouro, pedi uma cerveja, ia levar na mesa e logo em seguida trazer o dinheiro. Daí escutei do cidadão: Vai lá que eu espero, não vou te dar a cerveja sem vc pagar.
Caralho! Eu nunca deixei de pagar nada. Ainda mais lá, pela "causa". Se um dia eu pendurei alguma coisa, paguei em seguida. Implantamos o clube da cachaça lá. Neguinho bebia a minha pinga sem me pedir e eu nunca reclamei disso. Daí depois ainda temos que ouvir que lá não é casa de caridade? Não é mesmo. Nunca foi, mas agora tá bem claro que a intenção é lucrativa. E até o nível musical caiu demais! Claro, eles conseguiram se queimar com muitos músicos bacanas, agora resta o que tem lá. Infelizmente coloquei muita energia e suor numa coisa que se transformou pelo dinheiro.
Acho que não precisava ser assim. Não digo que queria um tapete vermelho, pois não sou assim, mas um pouco de consideração com quem ajudou tanto, seria no mínimo educado e bonito. O Domingo que começou de um jeito tao bacana e tão gostoso, infelizmente, terminou de uma maneira desastrosa, ao menos pra mim e pro Saulo que tb sentiu muito com a decadência e o verdadeiro caráter de algumas pessoas que tínhamos como membros da família.
Abracei as pessoas que realmente gosto e gostam de mim e me despedi de um lugar que ajudei a construir, mas infelizmente (ou felizmente) não faço mais parte.
Entrou para a lista dos lugares onde eu não piso mais, fazendo companhia com a República das Bananas em Boissucanga.
Um lugar que se diz preocupado com a cultura começa a dar péssimos exemplos. Podem colocar preço em tudo, menos na minha arte e no meu caráter.
O próximo post eu juro que vem com coisas boas. A parte boa do domingo que eu, com certeza vou gravar na memória e no coração, mas eu precisava colocar minha indignação pra fora.

27 Agosto, 2009

Música: Chorolix (Ruy Weber)


Mais uma música que estará no meu disco. Essa é muito mais que importante. Foi a primeira música inédita que eu toquei na vida. Música do meu professor e amigo Ruy Weber. Me deu a partitura na maior confiança e desde então é peça obrigatória em todos os meus concertos, seja solo ou em grupo. Uma música que me remete ao universo de Radamés Gnatalli. Um choro moderno, mas sem perder a característica dos choros mais tradicionais. O Ruy tem mais várias músicas que eu quero tocar, mas essa é a que vai pro disco. O arranjo é meu baseado no arranjo do próprio Ruy. Mudei umas coisinhas e começamos a gravar. O Stefano captou perfeitamente o universo da música e colocou um baixo de responsa, inclusive criando algumas frases que eu incorporei como obrigações. O pandeiro do Bebê, na sua sutileza e segurança dão o molho e a interpretação "Jacobiana" e inspiradíssima do bandolim do Renan coloca essa faixa como uma das minhas favoritas do disco.
Boa audição!

Violão e arranjo: Bisdré
Bandolim: Renan Bragatto
Baixo: Stefano Moliner
Pandeiro: Bebê do Góes
Na foto: Bisdré, Ruy Weber, Toninho Carrasqueira e Roberta Valente.

25 Agosto, 2009

Músicas: Bossa de Maio (Fabiano Borges)


Amigos! Essa música é muito bacana pra mim.
Composição do Fabiano, lá de Brasília. O Fabiano é um compositor notável. Um violonista de extremo bom gosto. Lembro de quando ele me mandou uma gravação dele dessa música. Eu falei que queria tocar e ele me deu a partitura. Quando disse que iria gravar, ele me agradeceu. Mal sabia ele...
Comecei o arranjo pelo tema. Fiz tudo o jeitinho que ele compôs. Daí entrei em contato com ele e disse "Sua introdução já era. Mudei". Ele ficou meio assim, mas não contestou. Daí falei "Aquele final lá tb mudei, fiz outro". Aí sim ele começou a ficar preocupado. Falou que o final fazia sentido daquele jeito, que tinha que preservar isso e aquilo... Eu ignorei hahah. Mas divertido mesmo foi quando falei que tava indo pro estúdio pra gravar a cuíca na música dele. O bicho quase que pegou a ponte aérea pra Sampa! FAlei pra ele que só mostraria quando estivesse pronta. Dei uma mixadinha de leve e mandei pra ele. Ainda bem que ele gostou. :0)
No decorrer da música, que inicialmente se chamava "Manhã de Maio", eu transformo a manhã de maio de Brasília (como eu a imagino) em uma manhã de maio do meu Rio de Janeiro. Com mais suingue e malemolência. E claro, uma cuiquinha super elegante! Só faltou o barulho do mar, mas daí ficaria muito óbvio. Teve gente que diz que escutou o barulho do mar, é mole?

Mas em resumo, eu adoro essa música e adorei gravá-la. Com certeza será uma das pérolas do meu primeiro disco que to tentando terminar faz um tempo já.

Músicos participantes: Bisdré (violão e arranjo), Stefano Moliner (Baixo), Gabriel Gavi (percussão) e Bebê do Góes (cuíca elegante).
Até a próxima!